Novos rumos da medicina moderna
Texto: Fabiana Teófilo
Durante muito tempo a área mais importante da Medicina Nuclear foi a Oncologia. Atualmente, com o desenvolvimento de novos radiofármacos, esta especialidade está abrindo novos rumos e modernizando todas as áreas, ampliando o sistema. A cintilografia de perfusão miocárdia é um exemplo daquilo que há de mais moderno na Cardiologia Nuclear. Esse exame é utilizado para estudar as coronárias indiretamente, examinando a irrigação do músculo cardíaco.
A indicação desse exame é feita por cardiologistas para pacientes com dor torácica atípica ou assintomáticos com eletrocardiograma alterado ou ainda para avaliação de cirurgias de revascularização miocárdica
(pontes de safenas e mamárias) e, ainda, para aferição do tratamento clínico.
Com o objetivo de ampliar ainda mais o conhecimento específico da área entre os cardiologistas do País, o Centro de Diagnóstico Médico (CDM) de Bauru, estará realizando nos dias 6 e 7 deste mês a Jornada de Cardiologia Nuclear - Novos Rumos no Diagnóstico Cardiológico.
Durante o evento, os doutores no assunto, Anneliese Fischer Thom, chefe da seção de Medicina Nuclear do Instituto Dante Pazzanese e Romeo Meneghello, chefe da seção de ergometria do Instituto Dante Pazzanese e chefe do serviço de métodos gráficos do Hospital Albert Einstein, estarão proferindo palestras aos convidados.
De acordo com o médico nuclear Rodolfo H. G. Castilho, que se especializou em Medicina Nuclear, o objetivo da Jornada
é esclarecer e informar os cardiologistas de toda a região de Bauru sobre o desenvolvimento da Medicina Nuclear na cardiologia.
"Essa é a área que está mais em evidência, atualmente, por isso a importância desse evento", disse.
A Medicina Nuclear pode evitar um exame de cateterismo, segundo Castilho. "É um exame muito complexo, onde tem que se colocar um cateter até o coração do paciente e, podendo evitá-lo, o paciente sofre menos", explicou.
Ele explicou que o médico nuclear deve estar sempre se reciclando e se atualizando na área, já que o desenvolvimento da Medicina Nuclear é rápido e, atualmente, está sendo muito ampliada e ficando mais específica.
Castilho disse que há 30 anos a Medicina Nuclear chegou ao Brasil, mas por falta de divulgação ainda não
é muito conhecida entre as pessoas.
A CDM possui convênios com a Unimed, Cassi, Cabesp e SUS. A clínica fica na rua Antônio Alves, 25-49.
Exames
O exame, geralmente, é indolor e dura em média 15 minutos. Sob a supervisão de um médico nuclear, um técnico em medicina nuclear realiza o exame. Primeiro, o paciente recebe uma injeção no braço, como um exame de sangue, só que usando uma agulha mais fina, que costuma doer menos. A pequena quantidade de material radioativo injetada permite fazer fotos da área em questão.
Ocasionalmente, o material radioativo tem que ser engolido, inalado, ou raramente injetado em outros lugares. A seguir, dependendo do tipo de exame, o paciente tem que esperar um certo tempo que pode variar de poucas horas a alguns dias, antes que se inicie a captação das imagens (cintilografias). Enquanto espera, ele fica livre para fazer o que quiser - ler, conversar, passear, dirigir, comer, beber, etc.
Na fase de aquisição das imagens, o paciente é posicionado no aparelho chamado Varicom, que é aproximado da região do corpo a ser examinada. As cintilografias ou
"fotos" demoram entre alguns minutos até pouco mais de uma hora.
Não é necessário fazer nada especial antes do exame, a menos que seja orientado de outra forma. A pessoa pode tomar café da manhã e, na maioria dos casos, não precisa interromper medicamentos. Quando o exame é marcado, o paciente é orientado sobre algum preparo ou restrição especial.
Após o exame, se necessário, o médico nuclear pode comentar resumidamente o laudo com o paciente. Um relatório completo deverá ser enviado ao médico responsável pelo paciente. Ele é a pessoa mais indicada para discutir e comentar os resultados, uma vez que é quem melhor conhece a situação, bem como a história e a situação clínica do paciente como um todo. O examinado pode retornar, na maioria das vezes, a sua rotina diária normal após o exame - não há qualquer efeito das pequenas quantidades de materiais radioativos, de maneira que o paciente se sentirá perfeitamente normal.
Da mesma forma, as quantidades são tão pequenas que não há qualquer perigo para as pessoas à sua volta.
Para se realizar o exame em crianças, a mãe e/ou o pai da criança devem estar presentes durante o exame. As crianças podem levar algum tipo de brinquedo e os pais, uma revista ou outra coisa para ajudar a passar o tempo. Se procura evitar, mas pode ser necessário sedar crianças muito pequenas para que colaborem com o exame.
Tipos de exames
Cintilografia óssea - avalia lesões
ósseas, fraturas, tumores, metástases, osteomielite, fratura de estresse ou dor óssea sem causa conhecida
Cintilografia do miocárdio - estuda o músculo cardíaco, mede a função cardíaca, determina a extensão de dano no músculo cardíaco após o infarto do miocárdio e avalia a viabilidade do miocárdio
Cintilografia da tireóide - avalia a função e captação e mostra a estrutura da glândula.
Cintilografia renal - avalia a função dos rins e vias urinárias.
Cintilografia pulmonar - avalia a ventilação e a perfusão sangüínea pulmonar, assim como determina a presença de trombos.
Cintilografia hepatobiliar - determina as funções do fígado e a permeabilidade da vesícula biliar e a obstrução por cálculos.
Estudos de infecção/tumor com Gálio
- avalia infecções/tumor
Cintilografia cerebral - estudar a perfusão cerebral e diferenciar os diversos tipos de síndromes comportamentais/demenciais
(Alzheimer, Dick, Moia-Moia)