Em Confiança
Leonardo de Brito
VALENDO OURO
A seleção brasileira de vôlei feminino achou que a medalha de bronze conquistada em Sydney, vale ouro. Também acho. Assim como a nossa equipe do revezamento 4x100m, que faturou prata. Essa medalha, sem dúvida alguma, vale ouro. Palmas para Vicente Lima, Edson Ribeiro, André Domingos e Claudinei Quirino, que completaram a prova em 37s90, atrás dos favoritos americanos (37s61), mas à frente dos cubanos (38s4), Se a equipe dos Estados Unidos não tivesse o recordista mundial e campeão olímpico dos 100m, Maurice Greene, com certeza o Brasil comemoraria o primeiro ouro olímpico desde Los Angeles-84. Com Greene, a comemoração foi pela prata desde Seul-88. O grande velocista lençoense, Claudinei Quirino, em seu discurso, nem precisou se lembrar que a prata entregue aos atletas pelo ex-secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, só não foi ouro porque os atletas que treinam em Presidente Prudente estavam enfrentando a maior potência olímpica numa especialidade dominada pelos gringos. Se os brasileiros tivesem as mesmas condições de treinamento dos atletas dos EUA, ganharíamos de costas. Nem uma pista para treinar temos. Em nossas "melhores pistas", os integrantes do esporte-base - como é chamado o atletismo
- até se desviam dos buracos. Conheço atletas em Bauru que não têm nem o tenis. A arrancada final de Quirino superou o cubano Freddy Maiola a menos de 20 metros para a linha de chegada.
PASSEIO
Nosso vôlei se despediu dos Jogos de Sydney dando um passeio nos Estados Unidos. Gostei da exibição do Brasil, especialmente de Virna e Erika que foram as principais pontuadoras, com 16 pontos cada uma. As brasileiras deram um verdadeiro show no primeiro set. Bem na defesa e no ataque, as jogadoras não tiveram dificuldade em impor seu jogo. Leila e Virna viravam todas as bolas e não paravam em nenhum bloqueio. As norte- americanas começaram melhor o segundo set, mas as pupilas de Bernardinho acordaram e marcaram 2 a 0 na partida. O terceiro set começou equilibrado, mas logo depois, com garra, a seleção brasileira foi abrindo cada vez mais a vantagem. No fim, Virna, em um ataque de entrada de rede, explorou o bloqueio e fechou o set. Brasil, medalha de bronze, em uma hora e 12 minutos de jogo: 3 sets a 0 nos Estados Unidos.
VALEU, BASQUETE
A seleção comandada pelo bauruense Antônio Carlos Barbosa garantiu o bronze ao ganhar da Coréia do Sul. Vale lembrar que essa é a segunda medalha das meninas do basquete brasileiro em Olimpíadas. Em Atlanta-96, o Brasil ficou com a prata, perdendo para os Estados Unidos na final. A partida começou equilibrada, com as duas seleções se empatadas no placar. Na prorrogação as sul-coreanas passaram a errar muito e o Brasil acabou deslanchando no marcador. Valeu, Brasil. No esportes coletivos, apenas as moças do basquete e do vôlei subiram ao pódio.
VIVA CAMARÕES
Concordo plenamente que o futebol brasileiro fez feio na Olimpíada, mas não foi eliminado por um time perna de pau e sim, pela Seleção campeã. Merecidamente, a medalha de ouro do torneio masculino de futebol ficou com Camarões, que dobrou a Espanha nos pênaltis. Os africanos não conseguiram vencer na prorrogação, mesmo estando com dois homens a mais em campo, situação oposta a do jogo com o Brasil, quando era Camarões que estava com dois a menos e obteve a vitória. O meia espanhol Amaya foi o vilão do jogo, marcando um gol contra e perdendo o pênalti que derrotou a Espanha - medalha de prata. O bronze ficou com o Chile, que na disputa do terceiro lugar venceu os Estados Unidos por 2 a 0. Essa é a segunda vez consecutiva que o continente africano dá o campeão olímpico. Em Atlanta-96, a Nigéria - que eliminou o Brasil nas semifinais
- levou o ouro ao vencer a Argentina por 2 a 1 na decisão.
OS FORA DE SÉRIE
Ontem, penúltimo dia dos Jogos, Cuba conquistou dez medalhas, cinco delas de ouro. No vôlei feminino, veio o tricampeonato olímpico, assim como no boxe. O incrível Felix Savón segue os passos de um dos grandes heróis da Ilha, o compañero revolucionário Teófilo Stevenson. Marion Jones, Maurice Greene e Michael Jonhson, da equipe de atletismo dos Estados Unidos são outros fora de série, grandes destaques da última Olimpíada do milênio - além do voador e da voadora holandesa na natação.
LUXEMBURGO JÁ ERA
A era Luxemburgo na Seleção Brasileira chegou ao fim na manhã de ontem, quando o treinador se reuniu com Ricardo Teixeira. O presidente da CBF decidiu pela demissão do técnico, que no entanto será anunciada oficialmente apenas nesta segunda-feira. A situação de Luxa tornou-se insustentável após a desclassificação do Brasil nos Jogos Olímpicos de Sydney, além das denúncias de sonegação de imposto de renda, adulteração de idade, envolvimento em drogas e participação da negociação de jogadores - acusações da ex-secretária de Luxemburgo, Renata Alves. Estou até apostando que o novo técnico da Seleção será Luiz Felipe Scolari, que atualmente treina o Cruzeiro. Carlos Alberto Parreira, treinador do Atlético-MG, poderá ser o coordenador-técnico e Fábio Koff, presidente do Clube dos 13, assumiria a função de diretor de Seleções. O preparador físico da nova comissão será Paulo Paixão, que atualmente está no Grêmio.
QUE PAIXÃO!
E-mail que está mais para a Coluna do Leitor do que para Em Confiança. Mas vou atender o pedido da Marisinha M. Costa: "Leonardo de Brito, leio tudo o que você escreve sobre meu ídlo, Guga. Gostaria que você publicasse alguns dizeres meus sobre ele:"Guga é um vencedor, apesar de sua triste eliminação das Olimpíadas. Ele batalhou, nos orgulhou, e saiu de cabeça erguida. Com seu jeitinho carismático de ser, acompanhou de perto o desempenho dos outros atletas. Seu coração reluz mais do que qualquer medalha. Ele é nosso orgulho".