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Dia do ferroviário

Redação
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Mulheres lutaram contra preconceitos para poder trabalhar na ferrovia

Nos festejos do dia do ferroviário, realizados ontem (30/09), no Museu Ferroviário de Bauru, um grupo de pessoas tinha um motivo especial para comemorar. As primeiras mulheres contratadas pela Rede Ferroviária foram homenagiadas.

Pioneiras em uma época na qual não era comum mulheres trabalharem fora de suas casas, elas tiveram que superar o preconceito e a discriminação para ocuparem seu espaço.

"Nós notávamos que existia uma preferência pelos homens, nenhuma mulher chegou a cargos de chefia", conta a ferroviária aposentada Lourdes Dias Flora. Aos 81 anos, ela recorda-se com carinho do seu começo na ferrovia

"Eu entrei no dia 18 de agosto de 1942 na contadoria", recordou. Apesar das dificuldades ela sente-se recompensa por ter sido uma das pioneiras na afirmação da mulher no mercado de trabalho bauruense.

Para a também ferroviária aposentada Yolanda Neber Abo Arrage, de 77 anos, ter participado dessa mudança foi motivo de grande alegria. "Nós nos orgulhamos muito por termos ajudado mudar essa idéia de que lugar de mulher

é em casa", afirmou.

Durante essa mudança nem tudo foram flores na vida das mulheres ferroviárias, elas tinham sua capacidade e caráter, constantemente questionados. "Tínhamos uma amiga que usava calça comprida e era muito criticada por causa disso", lembrou Yolanda Arrage.

A professora do Departamento de Sociologia e Política, Lídia Vianna Possas, da Unesp de Marília, estudou durante seu doutorado a vida das pioneiras na ferrovia. Sua tese está em fase de edição pela Editora da Unesp e deve ser transformada em livro.

Segundo Lídia Possas as mulheres passaram a trabalhar nas ferrovias a partir de 1918, porém, devido as características do relacionamento entre homens e mulheres da época, as mulheres usavam de artifícios para "disfarçar" suas identidades. "Muitas delas assinavam apenas o sobrenome, para evitar a identificação", explicou Lídia Possas.

A própria ferrovia só colocava as mulheres em postos de menor visibilidade para o público. "Elas eram colocadas em escritórios ou seções de assuntos internos", completou .

A oficialização do trabalho das mulheres ocorreu em 1938, quando o presidente Getúlio Vargas regulamentou o funcionalismo público. "Nesse momento elas começaram a entrar oficialmente para a ferrovia e ganharam visibilidade".

Durante suas pesquisas a professora Lídia Passos só encontrou dados sobres as mulheres que trabalhavam nos escritórios.

"Existiu uma infinidade de mulheres que prestou serviços na extensão da rede e que nem chegou a ter fichas de contratação".

Independente dos obstáculos, essas mulheres sabem da importância que tiveram na formação da nossa sociedade e recordam-se com saudades desse tempo de pionerismo. "Tudo era lindo, divertido, em fim nós eramos jovens e felizes", concluiu Lourdes Flora.

Durante o evento, foi lançado o Livro Memórias de um ferroviário, o historiador Gabriel Ruiz Pelegrina.

"Eu vi as coisas mais belas da minha vida à beira dos trilhos dessa ferrovia", conta Gabriel Pelegrina.

Na opinião do historiador a saída para recuperar a ferrovia deverá ser o turismo.

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