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Ponte Mary Dota

Josefa Cunha
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Ponte "liberada" ainda não liga ao DI

Texto: Josefa Cunha

Apesar de liberada pela Prefeitura no sábado, a ponte construída sobre o rio Bauru para ligar o Mary Dota ao Distrito Industrial ainda não está cumprindo sua finalidade. A passagem pela ponte já é possível, mas, por conta de obras de pavimentação em andamento no local, os veículos continuam obrigados a tomar um desvio para chegar ao outro lado. A travessia completa só deverá ser liberada nesta quinta-feira, embora a conclusão de todo o projeto deva consumir, pelo menos, o mês de outubro inteiro.

O secretário municipal de Obras, Edmilson Queiroz Dias, negou que a administração tenha liberado a ponte

às pressas, no intuito de beneficiar-se eleitoralmente da obra - a permissão para o uso do acesso ocorreu na véspera da eleição e na região que, coincidentemente, concentrou o maior número de votos em favor do prefeito Nilson Costa (PPS), agora reeleito. "Nós vínhamos enfrentando uma pressão muito grande da população e não era possível impedir a passagem. As pessoas já estavam utilizando a ponte, razão pela qual resolvemos liberá-la sem estar totalmente pronta. Ou fechávamos os olhos frente à reivindicação popular ou abríamos a passagem ainda que com as mínimas condições. Foi o que fizemos. Colocamos a capa do asfalto, abrimos o desvio e deixamos alguma sinalização de tráfego para garantir o mínimo de segurança. O que se falou além disso foi exploração política", rechaçou.

No momento, as equipes de obras da Prefeitura estão executando o asfalto no trecho de 150 metros entre o final da ponte e o início do acesso ao Distrito Industrial, passando pelos trilhos da Ferroban. Ontem, o serviço concentrou a substituição da terra do local - necessária porque o solo estava molhado desde a forte chuva de sábado - e a mistura do solo com o cimento. Hoje, a pista deverá ser compactada e impermeabilizada, podendo ser utilizada a partir da quinta-feira. O prognóstico só não se confirmará caso ocorram novas chuvas.

Mesmo após essas providências, ainda faltarão alguns serviços para concluir a estrutura original do projeto. Com exceção da ponte propriamente dita, o calçamento marginal por onde passam os pedestres ainda é de terra fofa. Segundo Dias, o próximo passo rumo ao término definitivo da obra será a concretagem dos passeios e a instalação dos postes de iluminação. Este, entretanto, dependeria exclusivamente da Companhia Paulista de Luz e Força (CPFL), que já foi requisitada a prover o local de energia elétrica.

Outra providência que também não depende só da Prefeitura é a instalação de cancelas na passagem em nível, o que, segundo consta, está em fase de impasse. A colocação do equipamento está sendo discutida diretamente entre Ferroban e Secretaria Municipal dos Negócios Jurídicos, mas entendimentos divergentes vêm protelando soluções. Até o que se sabe, a concessionária da malha quer que a administração municipal assuma a responsabilidade por todas as passagens em nível que cortam a cidade, mas a Prefeitura parece aceitar somente no que diz respeito à cancela em questão. O JC tentou, na tarde de ontem, contato com o secretário dos Negócios Jurídicos, Luiz Pegoraro, para checar o andamento das negociações, mas não obteve retorno. Pelo que se sabe, a segurança de veículos e pedestres nos horários do trem estaria sendo feita por dois vigias da Prefeitura.

A Ferroban, por sua vez, manifestou-se sobre o assunto através de um boletim de ocorrência registrado no último sábado. Nele, a empresa se exime de responsabilidades por eventuais acidentes que possam ocorrer no local. A concessionária tomou a providência cautelar depois que não conseguiu impedir que o secretário municipal de Obras liberasse a travessia sobre os trilhos.

Desvio do projeto

O desrespeito ao projeto original da ponte é também assunto que vem sendo alvo de comentários nos bastidores. Sobre a questão, a Secretaria de Obras fala em "ajustes necessários", ao passo que outros a vêem como problema.

Na visão de um funcionário da Secretaria de Planejamento que trabalha na elaboração de projetos, "algum problema houve em relação ao aterro". O projeto original, segundo ele, mostrava um aterro mais baixo do que o realizado no local. "Quem fiscaliza isso é a Secretaria de Obras, motivo pelo qual não sei dizer o quanto está diferente e nem saberia explicar o que realmente ocorreu. Não que haja algum prejuízo para o sistema, mas não ficou igual ao projeto", disse.

O secretário municipal de Obras, Edmilson Queiroz Dias, disse que alguns ajustes nas obras são normais, mas afirmou exatamente o contrário do que se comenta. Segundo ele, a Prefeitura fez a mudança no sentido de reduzir o volume de terra, já que o principal problema enfrentado pelo setor de execução de obras é a falta de jazidas de terra para a base de pavimentações ou aterros.

"Sempre que é possível reduzir o volume de terra, é conveniente que o façamos, mas isso não compromete a estrutura ou o orçamento", garantiu.

"Utilizamos 30 mil metros cúbicos de terra no total, menos do que o previsto inicialmente, mas não saberia dizer agora quanto menos", completou.

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