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Reitoria Unesp

Josefa Cunha
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Nova Reitoria da Unesp quebra continuísmo

Texto: Josefa Cunha

Professores, funcionários e alunos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) podem esperar uma "virada" nos rumos da instituição a partir do ano que vem. Pelo menos, esse é o compromisso assumido por José Carlos Souza Trindade e Paulo Cezar Razuk, respectivamente, recém-nomeados reitor e vice-reitor da universidade para os próximos quatro anos. Representantes da mais forte chapa de oposição, eles conseguiram a maioria dos votos da comunidade unespiana e, anteontem, foram escolhidos em uma lista tripartite pelo governador Mário Covas.

A conquista de Trindade e Razuk já é vista como o divisor de águas na política administrativa da Unesp. Desde que a universidade existe, todos os processos de sucessão da reitoria mantiveram a situação no comando. "Até hoje, todos os reitores foram substituídos por seus vices. Nós somos os primeiros a quebrar esse continuísmo", comemora Razuk, que, reforçando o ineditismo, é o primeiro representante da Unesp de Bauru a galgar um posto na alta administração da instituição.

Na avaliação do vice-reitor, que juntamente com Trindade tomará posse do (en) cargo em janeiro de 2001, sua vitória reflete a saturação da comunidade universitária com vários problemas internos. "Acho que o pessoal chegou ao máximo da insatisfação e enxergou em nós o caminho para a mudança. Posso atribuir essa conquista à objetividade de nossas propostas, ao discurso não-político, ao compromisso de romper a continuidade de um processo de longos anos. Não dissemos meias palavras", considerou.

Para não correr o risco de acabar envolvido na atual engrenagem, o novo comando pretende baixar providências imediatas tão logo assumir. Reitor e vice sabem que encontrarão resistências, mas contam desde já com o respaldo da comunidade que os escolheu nas urnas. A primeira ação envolverá várias etapas e pretende fazer o dinheiro da universidade

"aparecer". "Vamos retirar os recursos das atividades meio e deslocá-los para a atividade fim, que é a graduação. Esses cursos não têm outro respaldo financeiro a não ser o da instituição", justifica.

Quando diz atividade meio, Razuk refere-se à estrutura da própria reitoria, que está fixada na Capital e abocanha uma expressiva parcela dos recursos repassados à Unesp. O comando da universidade funciona num prédio alugado

- cuja proprietária majoritária é a esposa de Paulo Maluf -, em zona nobre de São Paulo, que, só de locação, consome mensalmente R$ 200 mil. Em um ano, esse custo acumula R$ 2,4 milhões, enquanto no mesmo período a Unesp dispõe de R$ 4 milhões para investimentos, ou seja, só o aluguel representa mais de 50% do que existe para ser investido.

A descentralização da reitoria é meta do novo comando e deve começar pela concessão de mais autonomia aos câmpus. "Muitas decisões que hoje são tomadas em nível de reitoria podem muito bem ocorrer nas unidades, até porque os diretores dos campi conhecem os problemas que enfrentam. Para se ter uma idéia de como funciona hoje, a necessidade de se pintar uma simples parede depende da aprovação da reitoria. Nós queremos dar essa autonomia e jogar o dinheiro na mão dos diretores, que, através das congregações, decidirão em que e como aplicá-lo", explicou.

A reitoria da Unesp em São Paulo será desativada e transferida para o Interior. Na Capital, deverá ser mantida apenas uma estrutura mínima necessária, que funcionará em um dos dois prédios próprios da instituição, hoje ocupados pela Vunesp e Fundunesp. A sede atual da reitoria, porém, pode levar ainda dois anos para ser desocupada, uma vez que o contrato de locação vai até outubro de 2002. "Vamos verificar se vale a pena pagar a multa rescisória. Caso não seja viável, temos outubro do ano 2002 como data máxima da atual estrutura", adiantou.

Mesmo que a inviabilidade financeira impeça a mudança de sede nos próximos dois anos, a reitoria da Unesp antecipará o trabalho de descentralização. Razuk informou que o novo reitor já pretende convocar as primeiras reuniões do Conselho Universitário - o maior órgão colegiado da Unesp - nas cidades do Interior.

"Câmpus periféricos"

Outra profunda e justa mudança desejada pelo novo comando da Unesp é o redimensionamento na distribuição dos recursos aos câmpus. Para Bauru, a proposta pode significar o fim de um longo período de marginalização. A universidade em Bauru, apesar de ter o maior número de alunos e de cursos de toda a instituição, é uma das que amargam a condição de "câmpus periférico". "A Unesp daqui sempre foi preterida e discriminada, mas essa realidade vai mudar", promete Razuk.

Desde que foi estadualizado em 1988, o câmpus de Bauru pouco recebeu em termos de melhoria. Os laboratórios mantêm praticamente a mesma estrutura dos tempos da UB (Universidade de Bauru), a falta de moradia estudantil resiste aos consecutivos protestos dos discentes e o número de professores é o quarto menor da instituição. Enquanto a reitoria leva 25% dos recursos para o custeio de pessoal e a Faculdade de Medicina de Botucatu 10%, Bauru fica com apenas 5,3% - um disparate para aquele que é o "gigante" da instituição.

A proposta de Trindade e Razuk é justamente acabar com o privilégios, redistribuindo os recursos de maneira mais justas. "Não queremos de forma alguma nivelar por baixo, fazendo com que estes que estão na frente recebam menos. Nossa idéia é aumentar os recursos para os outros. Nesse contexto, a melhoria na qualidade dos cursos virá como conseqüência, porque falar em aprimorar a graduação sem incrementar a perfórmance financeira é balela. Por conta do descaso com que se vem tratando a graduação até agora, a Unesp despencou de 6.º para o 21.º lugar no ranking das universidades brasileiras", situou o vice-reitor.

Unesp-Bauru terá moradia estudantil

O desejo de pelo menos uma dezena de gerações estudantis que passou pela Unesp de Bauru está prestes a ser realizado: a construção do alojamento para os alunos. O compromisso

é da reitoria recém-eleita da instituição, confirmada ontem pelo novo vice-reitor, Paulo Cezar Razuk.

Sem discutir o mérito da necessidade do abrigo estudantil, Razuk disse que a questão se sobressai pelo aspecto da isonomia. "O câmpus de Bauru e o Instituto de Artes, em São Paulo, são as duas únicas unidades da Unesp que não possuem moradia estudantil. Por conta disso, o professor Trindade (reitor que assume em janeiro do próximo ano) comprometeu-se em determinar a construção do alojamento assim que tomar posse", anunciou. A notícia certamente agradará os futuros calouros, mas, principalmente, fará justiça aos ex-estudantes que durante anos reivindicaram o benefício através de protestos e criativos manifestos (até acampamentos fizeram) que sequer obtiveram resposta das administrações anteriores.

Reitoria em Bauru

A partir de 2001, Bauru estará concorrendo à vaga para sediar as instalações da Reitoria da Unesp. No processo de descentralização pretendido pelo recém-eleito comando da universidade, o órgão sairá de São Paulo para ficar mais próximo dos câmpus, situados no Interior em sua grande maioria. As cidades de Jaboticabal, Botucatu, Araraquara e Rio Claro também estão no páreo.

Segundo o novo vice-reitor da Unesp, Paulo Cezar Razuk, a vinda da Reitoria para Bauru dependerá muito do empenho da sociedade e da administração municipal. "As chances serão proporcionais aos benefícios e às facilidades que a cidade vier a oferecer", disse, lembrando que a questão do espaço físico para abrigar o órgão

é uma delas.

A Reitoria fará um estudo técnico e econômico para levantar as condições oferecidas por cada postulante, sendo que a escolha caberá à comunidade unespiana, através de um plebiscito. Fica aqui a sugestão de mais uma causa que a população e autoridades políticas têm para abraçar desde já.

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