Safra de mel silvestre rende apenas 50% do volume esperado
Texto: Rose Araujo
O rigoroso inverno dos meses de julho e agosto prejudicou a florada, o que reduziu a produção à metade
Os produtores de mel silvestre de Bauru ficaram no prejuízo esse ano. A safra que foi encerrada em setembro só rendeu 50% do volume esperado, devido principalmente ao rigoroso inverno dos meses de julho e agosto. Quem transferiu suas colméias para os laranjais ficou numa posição mais satisfatória, já que a produção não sofreu alterações.
"O problema ocorreu nas plantas silvestres", disse o presidente da Associação dos Apicultores de Bauru e Região, Nivaldo Vitti Guion.
Ele explicou que a média de produção das colméias de Bauru é de 18 quilos por ano cada uma. Em setembro, foram colhidos apenas nove quilos.
Nos laranjais, não ocorreram problemas. Por isso, quem levou suas colméias para as regiões de Itápolis e Ibitinga pôde ter um retorno satisfatório.
A produção de mel de laranjeira ainda é contestada por muitas pessoas. O produto resultante é mais claro e encorpado, mas não é considerado puro por alguns produtores. "Mel puro é o que vem da natureza, das floradas do campo. Esse não contém agrotóxico", disse Guion.
Além da baixa produção, os apicultores estão enfrentando um outro tipo de problema: adequar-se às normas da lei estadual que regulamentou as atividades artesanais. "No Brasil, é muito comum inventarem leis que não funcionam. Essa é mais uma delas", salientou Guion.
A revolta, de acordo com ele, está no nível das exigências. Elas tornam a produção inviável, pois não levam em consideração o custo-benefício do produto. "Os pequenos produtores não têm como se adequar ao que a lei impõe. Os técnicos que a planejaram não levaram em conta a realidade de quem depende da apicultura para viver", salientou Guion.
Ele disse concordar que o produto deve chegar às mãos dos consumidores oferecendo segurança, higiene e saúde. Mas, não aceita a maneira como essa legislação foi feita. "O que não pode é acabar com os pequenos produtores. A legislação tem que respeitá-los".
A idéia dos pequenos produtores é trabalhar direto com o varejo. Isso porque o retorno é muito maior. "Enquanto os intermediários pagam R$ 2,00 pelo quilo do mel, a venda direta ao consumidor pode render R$ 4,00, ou seja, o dobro. E o trabalho é mínimo. O mel não precisa ser processado. Basta colocá-lo no pote", disse.
A Prefeitura criou, há cerca de um ano e meio, o Serviço de Inspeção Municipal (SIM). Ele era a grande esperança dos produtores de mel para a regulamentação da entidade. No entanto, na prática o SIM acabou frustando os apicultores. Guion explicou que ele não interpreta a lei de forma regionalizada. A fiscalização acaba sendo baseada na legislação estadual, ou seja, não privilegia a situação do produtor local.
A Associação de Bauru tem cerca de 40 apicultores cadastrados. A maioria deles é de pequeno e médio porte. No total, são cerca de mil colméias relacionadas na área abrangida pela entidade.