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Deficientes visuais

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Hospital de Olhos e Beneficência instalam placas em braile

Texto: Ieda Rodrigues

Os deficientes visuais que sabem ler o sistema braile já estão se locomovendo com mais facilidade nos hospitais de Olhos e da Beneficência Portuguesa de Bauru. É que foram instaladas placas em braile na entrada do Hospital de Olhos, informando os nomes dos oftalmologistas, as cirurgias e os exames realizados, e nos elevadores dos dois hospitais, indicando os andares.

Sistema braile é um sistema de leitura tátil e escrita, para pessoas com deficiência visual, que consiste no arranjo de seis pontos em relevo, dispostos em duas colunas de três pontos. A sinalização em braile dos hospitais de Olhos e Beneficência Portuguesa é resultado de uma parceria entre os dois hospitais, Rotary Clube Bauru Norte e Suzana Rabello, pedagoga habilitada em deficiência visual.

O oftalmologista Raul Gonçalves Paula, do Hospital de Olhos e membro do Rotary Norte, disse que a instalação das placas em braile mostra a preocupação dos dois hospitais com os deficientes visuais. Ele lamentou, no entanto, o fato de nem todos os deficientes visuais saberem ler o sistema braile.

Em Bauru, os hospitais de Olhos e da Beneficência Portuguesa são os primeiros a implantar a sinalização indicativa em braile. O presidente do Hospital Beneficência Portuguesa, Alcides Garcia, disse que instalação das placas em braile nos elevadores do hospital é apenas um começo, e que a proposta é ampliar a sinalização ao restante do hospital.

A presidente do Lions Clube Bauru Norte, Débora Janson, e a domadora Ismênia Cabestré, explicaram que o clube de serviço entrou na parceria porque o seu lema é servir, e as placas em braile representam um serviço para os deficientes visuais. O custo da instalação das placas indicativas é bastante baixo em comparação com o seu benefício, segundo todos os envolvidos na parceria.

A estudante Iara C. Pasqualini, 17 anos, deficiente visual, estudante do 2.º colegial, comemorou as placas indicativas em braile nos hospitais de Olhos e Beneficência Portuguesa. Agora, ela que está na fase de treinamento da técnica da bengala (para andar seu auxílio de outra pessoa) já consegue utilizar os elevadores dos hospitais sozinha.

Iara contou que aprendeu a ler o sistema braile quando tinha cerca de sete anos, o que lhe ajudou muito. Em Bauru, a técnica

é ensinada, segundo Iara, no Lar Santa Luzia para Cegos e na classe especial da escola estadual Mercedes Paes Bueno. A

única reclamação dela é porque ainda são poucas as publicações em braile - é difícil, por exemplo, encontrar livros recém-lançados

- e placas indicativas em órgãos públicos, escolas e universidades.

Próximo passo

O próximo passo, segundo Raul Gonçalves Paula, será adquirir máquinas do sistema braile para serem utilizadas por deficientes visuais no Centro de Estudos dos Distúrbios da Audição Linguagem e Visão (Cedalvi), ligado ao Centrinho. Suzana, que é funcionária do Cedalvi, explicou que o órgão faz a preparação dos deficientes visuais para o sistema braile, mas ainda não conta com as máquinas.

Suzana lembra que o sistema braile permite uma forma de escrita muito prática, que se pode escrever em qualquer idioma, inclusive os que usam símbolos e não letras. A diferente combinação dos seis pontos permite a formação de 63 combinações, ou seja, símbolos em braile, explicou a pedagoga.

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