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Daniela Bochembuzo
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Campanhas nada acrescentaram ao eleitor

Texto: Daniela Bochembuzo

Avaliação é dos participantes do evento

"Marketing Eleitoral: ciência e percepção", que criticaram ausência de ética e poucas propostas

As campanhas eleitorais para a Prefeitura de Bauru pouco acrescentaram ao eleitorado. A avaliação é dos participantes do evento "Marketing Eleitoral: ciência e percepção", promovido pelo Departamento de Comunicação Social da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação

(Faca) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Bauru.

O evento, realizado na última terça-feira, reuniu representantes das coordenações políticas e de comunicação das campanhas de Nilson Costa (PPS), Tuga Angerami (PSB) e Pedro Tobias (PDT). Estiveram presentes Antônio Francisco Magnoni e Kléber Santos (Tuga); Ana Sílvia Davi Medola e Marco Antônio Crepaldi Caffeo

(Tobias) e Willians Balan e Flávio Uchoa (Nilson).

Para analisar as estratégias políticas e de comunicação adotadas nas candidaturas e o cenário político municipal, foram convidados as professores Maria Tereza Kerbauy, doutora em ciências políticas, e Célia Retz, além de Paulo Sérgio Simonetti, editor da Rádio 94 FM, Osmar Chor, editor regional da TV Modelo, e João Jabbour, gerente de produtos editoriais do Jornal da Cidade. Mais de 200 pessoas acompanharam o debate, que durou cerca de 3h10.

A apresentação das estratégias políticas e de comunicação, feita pelos representantes das campanhas dos prefeitáveis do PSB, PDT e PPS, nortearam grande parte do evento, incluindo as perguntas feitas pelo público, irriquieto com explicações pouco plausíveis sobre o encaminhamento do processo político durante o horário eleitoral gratuito.

Dirigindo-se aos profissionais de comunicação das três candidaturas, a professora Maria Tereza Kerbauy foi quem acabou dando a resposta que o público queria ouvir:

"Vocês não estão fazendo o mea-culpa. As campanhas foram despolitizadas e centradas no 'eu', não se trouxe o povo para governar. Todas as campanhas erraram. Quem ganhou foi quem menos errou", avaliou.

O principal erro, afirma Maria Tereza, foi desenvolver campanhas com base no perfil do eleitor de 1996. "Isto afetou e impactou o eleitorado bauruense de hoje, que mostrou-se avesso a promessas e com percepção mais aguçada a respeito da importância de um gestor público competente. Os candidatos não perceberam essa mudança, assim como as pessoas que trabalharam nas campanhas", diz.

De acordo com a professora, a alteração do perfil do eleitorado é resultado da transformação da sociedade brasileira, que em seus últimos quatro anos deparou-se com o aumento dos índices de desemprego, maior incidência da violência urbana e crescimento dos casos de corrupção, além da veiculação pelos meios de comunicação de informações relacionadas à ética. "Tudo isso resultou na mudança de postura do eleitorado brasileiro", aponta.

Essa alteração de perfil, no entanto, não foi acompanhado pelas campanhas políticas locais. Como exemplo, Maria Tereza cita o caso de prefeitáveis que comportaram-se de maneira arrogante nos debates organizados por associações de classe, estes, na opinião da professora, o grande diferencial entre as eleições de 1996 e 2000.

João Jabbour, gerente de produtos editoriais do JC, também criticou a arrogância e o autoritarismo demonstrados por alguns candidatos durante o período eleitoral.

"As campanhas se preocuparam unicamente com a imagem, esquecendo-se de apresentar propostas. As coligações não tiveram postura desprendida do marketing, impedindo que um político novo surgisse perante a história."

Pesquisas

A influência das pesquisas de opinião sobre as intenções de voto foi outra questão bastante discutida no evento

"Marketing Eleitoral: ciência e percepção". Na análise de Maria Tereza Kerbauy, as pesquisas não deturparam os possíveis resultados da disputa eleitoral.

"O que acontece é que os estrategistas só olharam o que queriam ver, como índices intenção de voto. Rejeição, por exemplo, é um item importantíssimo e que passou despercebido", citou.

O erro na avaliação dos resultados das pesquisas, somado à mudança não percebida do perfil do eleitorado, é que levou muitos estrategistas a se surpreenderem com o resultado das urnas. "Quem analisou a fundo as pesquisas de opinião sabe que a vitória de Nilson Costa era previsível", garante.

Célia Retz, organizadora do evento e coordenadora de pesquisas de opinião, acrescentou lembrando que as pesquisas são divididas em três momentos: contextualização política, avaliação das candidaturas oficiais e monitoramento das intenções de voto. "É preciso ficar claro que esse tipo de levantamento não prediz o resultado da eleição, mas mensura momentos da campanha", explica.

Em razão disso, Célia acredita que não houve erro na divulgação dos resultados. "A fragilidade técnica pode existir em relação à amostragem, já que os institutos utilizam uma base de dados de 1991, fornecida pelo IBGE. Por isso, as estimativas nem sempre são reais, daí a margem de erro. Outro ponto é que existem institutos que não conhecem a cidade onde realizam a pesquisa e acabam fazendo entrevistas na área central, cujo perfil do eleitor não corresponde a sua totalidade", acrescenta.

Célia lembrou que estudos indicam que a influência das pesquisas de opinião se dão sobre os militantes, promovendo maior apoio operacional e financeiro. "O eleitor ingênuo, ao contrário do que os coordenadores de campanha pensam, não têm formação para filtrar as informações fornecidas pelas pesquisas. Quem faz o voto útil, por exemplo, é o eleitor escolarizado e politizado", afirma.

Para João Jabbour, as campanhas indicaram que não havia a intenção dos partidos e coligações de promover o debate. "As coordenações não tiveram a sensibilidade de se pautar pelo debate sobre a cidade, que era o que eleitor esperava. Por isso, acredito que a população de Bauru escolheu aquilo que não queria, não quem não queria. Perdeu quem apostou no marketing muito agressivo e distorcido", concluiu.

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