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Combate ao câncer

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Associação Bauruense de Combate ao Câncer sofre com "entidades fantasmas"

Texto: Ieda Rodrigues

As entidades assistenciais de Bauru, que sobrevivem com pouco dinheiro, agora estão enfrentando um outro problema: a ação de pessoas de má fé e de "entidades fantasmas", que pedem doações à população e vendem uma série de produtos, mas não atendem a quem precisa. A Associação Bauruense de Combate ao Câncer, entidade com quase 20 anos de atuação em Bauru e que atende, em média, 250 pacientes, entre crianças, adultos e idosos, está perdendo colaborações para entidades cujo trabalho ninguém conhece.

A diretoria da Associação Bauruense de Combate ao Câncer acredita que cerca de 15 entidades fantasmas de Bauru e até de outras cidades estão usando o slogan "Combate ao câncer" para vender produtos e pedir doações na cidade. No entanto, essas entidades não distribuem remédios, cestas básicas, e oferecem atendimento aos pacientes, segundo explicou Lyenne Berriel Cardoso, presidente da Associação Bauruense de Combate ao Câncer.

Após constatar que outras entidades, cujo trabalho é desconhecido, usam o slogan "Combate ao câncer" para vender produtos e pedir doações, a Associação Bauruense de Combate ao Câncer procurou a polícia. A apuração dos fatos está na fase de inquérito policial, que pode culminar com o indiciamento dos responsáveis por essas entidades por estelionato, segundo explicou a advogada da entidade.

Lyenne Berriel Cardoso disse que até a rosa, logotipo da Associação Bauruense de Combate ao Câncer, está sendo copiada pelas "entidades fantasmas". Ela ressaltou que pessoas de má fé usam o slogan

"Combate ao câncer" para vender uma série de produtos e até pedir doações e grande parte da população acha que se trata de entidades sérias, ou até da própria Associação Bauruense de Combate ao Câncer.

Ela frisou que o único produto vendido pela Associação Bauruense de Combate ao Câncer é o saco de lixo, através de telemarketing. Mas muitas vezes, quando um voluntário da entidade liga para as pessoas descobre que outra "entidade", usando o slogan "Combate ao câncer", já vendeu o saco de lixo, a preço muito mais alto, entre outros produtos.

O resultado está sendo uma queda na arrecadação da Associação Bauruense de Combate ao câncer com a venda de sacos de lixo. Recentemente, para testar o serviço oferecido por uma das entidades que usam o slogan "Combate ao câncer", Lyenne orientou um dos pacientes atendidos na Associação Bauruense de Combate ao Câncer a pedir um remédio nessa entidade, cujo nome não divulgou para não atrapalhar as investigações.

O paciente, segundo ela, retornou chorando porque, além de ter o pedido do remédio negado, teria sido destratado pela pessoa que o atendeu. "Se fosse para juntarmos forças, tudo bem. Mas não é justo. Essas entidades arrecadam dinheiro slogan o nome "Combate ao câncer" e não atender ninguém", disse.

Serviço

A Associação Bauruense de Combate ao Câncer só vende sacos de lixo, por telefone, através da Despal. Para fazer a encomenda é só ligar para 227-6448.

Associação Bauruense de Combate ao Câncer só vende sacos de lixo

A Associação Bauruense de Combate ao Câncer só vende sacos de lixo, através de telemarketing, e em breve voltará a vender o produto nos supermercados. Usando o slogan "Combate ao câncer" estão sendo vendidos em Bauru uma série de produtos, que inclui compotas, geléias, mel, tempero, guardanapos e até salmos.

A presidente da entidade, Lyenne Berriel Cardoso, lembrou que a entidade a qual preside tem título de utilidade pública municipal, estadual e federal e mesmo assim passa por dificuldade financeira. A Associação Bauruense de Combate ao Câncer recebe verba municipal, cujo valor é muito baixo comparado com as despesas. Por isso, grande parte do orçamento da entidade vem da venda do saco de lixo, realização de promoções, como jantares, chás, doações espontâneas e sócios mensalistas.

Outra importante fonte de renda da entidade é a promoção Mc Dia Feliz, que neste ano rendeu mais de R$ 17 mil. A Associação Bauruense de Combate ao Câncer oferece remédios aos pacientes carentes, cestas básicas, verduras, frutas óculos, auxílio viagem, cânula para traqueostomia, roupas, empréstimos de perucas, cadeiras de roda e muletas. Na

área de atendimento médico, oferece terapia ocupacional e atendimento social domiciliar.

Para as crianças com câncer, com a renda da promoção McDia Feliz, foi criada, em 1996, uma brinquedoteca ao lado do Centro Regional de Oncologia do Hospital Manoel de Abreu. O objetivo

é propiciar às crianças motivação emocional necessária ao desenvolvimento do tratamento e promover o entrosamento entre pacientes e familiares que realizam tratamento.

Fiscalização

Lyenne Berriel Cardoso, presidente da Associação Bauruense de Combate ao Câncer, pede à Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) e ao Conselho Municipal de Assistência Social uma fiscalização mais rigorosa das atividades das entidades sociais que atuam em Bauru, para que as entidades de fachadas não prejudiquem as entidades sérias, que revertem toda a renda para quem precisa.

Em um dos casos que está sendo investigado pela polícia, a entidade copiou o logotipo da Associação Bauruense de Combate ao Câncer de maneira grosseira. Lyenne esclarece que vende sacos de lixo, da empresa Despal, cuja embalagem é rosa, através de telemarketing e, em breve, nos supermercados. Ela pede à população que, em caso de dúvida sobre o nome da entidade, se realmente é a Associação Bauruense de Combate ao Câncer, que entre em contato com a Despal, pelo telefone 227-6448.

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