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Ieda Rodrigues
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Igreja Católica amplia atuação nos presídios

Texto: Ieda Rodrigues

Ontem, dois reeducantos do Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru foram batizados e no próximo dia 29 outros nove vão fazer a primeira Eucaristia. A evangelização dos reeducandos é fruto do trabalho da Pastoral Carcerária da Diocese de Bauru, que também está tentando reativar a oficina de marcenaria existente no IPA e instalar no presídio uma fábrica de terços e imagens, para dar trabalho aos reeducandos.

A Pastoral Carcerária também promove reuniões de orações, todos os sábados, nas penitenciárias I e II de Bauru, com a participação de cerca de 40 presos em cada uma dos presídios. No IPA, em função do regime semi-aberto e do apoio dado pela direção do presídio, todas as sextas-feiras são celebradas missas e há reuniões de oração, catequese e ensaio de cantos, envolvendo cerca de 60 dos 700 reeducandos.

Com isso, a Pastoral Carcerária está ampliando a atuação nos presídios, a exemplo das igrejas evangélicas, que estão ganhando seguidores nesse meio. Os reeducandos Luís Henrique de Almeida, 25 anos, anos, natural de Natal (RN), e de Ubiratan Aquilino Ferreira, 24 anos, de Campinas, foram batizados, ontem, pelo padre Antônio Carlos da Silva, na Paróquia de São Brás, no Núcleo Gasparini.

Padre Antônio disse que o trabalho das Pastoral Carcerária não é fácil porque a sociedade ainda é muito preconceituosa com os presos. Para exemplificar, citou a questão do emprego. Várias empresas contratam a mão-de-obra dos reeducandos porque, entre outros motivos, não precisa pagar encargos trabalhistas. No entanto, quando o reeducando cumpre sua pena e sai do IPA, enfrenta muita dificuldade para arrumar emprego.

Fazendo um apelo para as empresas empregarem reeducandos e ex-presos, padre Antônio lembrou que a Igreja de São Brás recentemente foi reformada com a ajuda dos reeducandos e não houve nenhum problema de comportamento ou de qualidade da mão-de-obra. Ao contrário, só houve bons resultados.

A coordenadora diocesana da Pastoral Carcerária, Doracy Terezinha Ferraz Padovani, e o coordenador da Pastoral Carcerária na Paróquia de São Brás, Willian Roberto Leandro, contaram que a direção do IPA já autorizou a utilização da oficina de marcenaria. A proposta é que os reeducandos produzam brinquedos em madeira e recuperem móveis em geral na oficina, que deve começar a funcionar até o final deste ano.

Outro projeto da Pastoral Carcerária é a fábrica de terços e imagens em gesso, que ainda depende da doação dos moldes. Padre Antônio acredita que, com a atuação persistente da Pastoral Carcerária e a boa vontade dos diretores e agentes dos presídios, a dificuldade de reintegração dos reeducandos à sociedade será superada.

Padre Antônio, ao final da cerimônia do bastismo, ressaltou que os reeducandos só precisam de uma chance. Luís Henrique e Ubiratan, vestidos de branco e bastante emocionados, disseram que a partir de ontem queriam ter uma nova vida e esquercer o que já fizeram.

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