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Pescaria

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 10 min

Conhecendo a região

Texto Roberta Mathias

A seção Pesca & Lazer continua visitando pesqueiros da região para apresentar opções de lazer ao pescador e sua família. Em Piratininga, o primeiro a ser visitado foi o Pesqueiro São Francisco.

Localizado dentro da cidade de Piratininga, o Pesqueiro São Francisco completa um ano de funcionamento e pretende diversificar o atendimento. João Francisco Quirino, 42 anos, é proprietário do pesqueiro e entrou para o ramo há pouco tempo. Nascido na região, ele morou vários anos em Indaiatuba, perto de Campinas, onde era metalúrgico, e resolveu mudar de profissão. Sempre pescador, Quirino aproveitou a paixão pela pesca, participou de cursos especializados e desenvolveu seu próprio negócio. Ainda encontrando algumas dificuldades para deixar o espaço do pesqueiro como acredita ser o ideal, Quirino esforça-se para manter o local agradável e com peixes em quantidade e tamanho que encantem o pescador.

"Preço é importante e a região ainda

é difícil para a negociação do peixe. Muitas vezes encontrei preços mais baratos em outras cidades, como Ribeirão Bonito e até mesmo no Paraná. Creio que a união de pesqueiros poderia facilitar a negociação e reduzir os custos. Já comprei em parceria e o resultado foi positivo", comenta. Outra alternativa de Quirino é ter um tanque para engorda, em sua casa, com tilápias, carpas húngaras e pintados. Quando os peixes atingem o peso adequado para a pesca são levados aos dois tanques do pesqueiro.

Segundo ele, é possível fisgar pintados de 5 a 7 quilos e cacharas que variam de 3 a 4 quilos. Para os amantes dos grandes bagres, a pesca pode ser muito agradável. As tilápias são encontradas em maior número e podem chegar até 2,5 Kg. Agora, Quirino pretende introduzir o dourado em seus tanques, não só para satisfazer o gosto de alguns pescadores, mas também para controlar o número de peixes pequenos nos tanques. A tilápia reproduz com muita facilidade e além dela há lambarizinhos, um dos pratos preferidos do predador.

O Pesqueiro São Francisco também fornece iscas variadas e equipamento de pesca com molinete ou varinha de bambu. Além disso, há a limpeza dos peixes. Porém é importante lembrar que estes serviços têm um custo adicional para o pescador (confira no Serviço).

Lanchonete

Para dinamizar o atendimento, Quirino optou por terceirizar a lanchonete. Porém, ele não abre mão de que seja servido o peixe do pesqueiro. "Eles vão continuar a preparar o peixe que o pescador fisgar. Além disso, há porções de filé de tilápia, sashimi, costelinha de pacu e outras sugestões", explica. Ele optou em desvincular-se diretamente da lanchonete para dedicar-se integralmente ao pesqueiro. O atendimento às margens dos lagos também será mantido, o que é um conforto para o pescador.

No quesito segurança, mais uma vez a ave toma conta do pedaço. Os gansos já se consagraram como os guardiões dos pesqueiros. Amigos fiéis dos proprietários, a bela ave alia a segurança do local ao "bichinho de estimação". A qualquer sinal de invasão, os gansos dão sinal e, em alguns casos, chegam a atacar o invasor. Aparentemente inofensivas, o poder dessas aves não deve ser menosprezado, pois chegam a ser muito agressivas, se provocadas. Segundo o proprietário João Francisco Quirino, outra qualidade é a de amansar tilápias.

"Como eles ficam nadando nos lagos, as tilápias vão amansando. E olha que elas são ariscas, principalmente a tilápia vermelha. Com os gansos, elas vão se acostumando ao movimento."

Pescando...

Fábio Luiz da Silva (Biro), 15 anos, vai ao pesqueiro com bastante frequência. Ele tem preferência pelo pacu, pois é, para ele, o peixe que oferece a melhor briga. e tem mais força. João do Gás e seu neto Jonathas Gabriel Rodrigues, 7 anos, também gostam de pegar pacus. Gabriel, apesar da pouca idade, domina o equipamento e sabe cuidar dos peixes fisgados. "Coloca a isca no anzol, briga com o peixe, recolhe e retira do anzol com a maior facilidade. Ele nasceu na beira do rio", comenta o avô.

Já o pescador Agostinho C. de Ramos, 17 anos, frequenta o pesqueiro com a família e tem preferência pelas tilápias. O irmão João Cândido Ramos, a cunhada Simone e o sobrinho João Vitor, 2 anos, acompanham Agostinho em visitas aos pesqueiros da região. "Conhecemos a maioria", comentam. O prazer da pescaria, o contato com a natureza e a possibilidade de pegar um peixinho são ingredientes que somados dão a tônica do passeio.

Há também aqueles que são viciados em pescaria.

É o caso de Sônia Jerônimo. Todo dia (todo dia mesmo!) ela junta sua tralha e segue para o pesqueiro. Os peixes até já conhecem a pescadora e às vezes correm de seu anzol. Mesmo assim, Sônia não desiste e continua a pescar.

Serviço

O Pesqueiro São Francisco fica na rua Manoel Pedro Carneiro, s/nº, dentro da cidade de Piratininga. O pescador poderá encontrar pacus, carpas, tilápias e tambaquis a R$ 4,50 o quilo; piaus a R$ 5,00; piracanjubas a R$ 7,00; e pintados a R$ 10,00. O pote de isca custa R$ 0,50, a vara de bambu R$ 0,50 e a vara com molinete custa R$ 2,00. Quem não gosta de limpar peixe, paga a taxa de limpeza de R$ 0,50 o quilo. Há lanchonete que serve porções de peixe do próprio pesqueiro, bebidas e realiza o atendimento do pescador à beira do lago.

************ História de pescador ***************

Coisas de pescador - Em busca de peixe grande

Senhor redator, sempre ouvi falar que pescaria no Mato Grosso

é uma das coisas mais maravilhosas para quem é adepto e gosta de pescar. O colega Roberto é nativo de Bauru e, por motivos profissionais, residiu por mais de dez anos na cidade de Campo Grande/MS, onde, segundo ele, teve a oportunidade de conhecer todos os rios piscosos de lá. De volta a Bauru, entre uma conversa e outra, sempre que entrávamos no tema

"pescaria", lá vinha o Roberto aumentando e falando sobre a abundância e variedade de peixes e, assim que surgisse uma oportunidade iria nos levar para conferirmos de perto. Fato concretizado no feriado de setembro do ano passado.

Fomos em quatro pessoas, saímos de Bauru numa sexta-feira,

às 22 horas, e viajamos a noite toda. A conversa não foi muito variada, o assunto mesmo era pescaria, a expectativa era tanta que nem percebemos passarem as horas. Chegamos em Campo grande às seis da manhã, na casa do dono do rancho. Este foi logo demonstrando toda sua simpatia, quebrando o gelo, convidando a gente para entrar, conhecer sua casa e tomar um farto café. Nesta oportunidade, fez uma explanação de como seria o rancho, o tipo de conforto que dispunha, etc.; abriu o congelador, tirando um pacote com uns mandizinhos (devia dar menos de um quilo), disse ter fisgado na semana anterior no lugar onde ia nos levar.

Seguindo viagem, antes de sairmos da cidade, paramos numa casa especializada em comércio de iscas. Lembro bem, compramos minhocuçu, tuvira, enguia, caranguejinho, milho azedo e quirela de milho.

Chegamos no rio por volta das 14 horas do sábado e, mesmo cansados, suados, com sono, etc., fomos logo preparando os anzóis, porque queríamos comer peixe naquele dia mesmo.

Antes de lançar o anzol na água, fiz um levantamento da área e constatei ser um local muito bonito, com muitas aves e animais, como tucano, arara, papagaio, periquito, gralha, macaco, capivara e outros bichos, que há muito tempo não via os soltos na natureza, somente em zoológicos. Mas o rio não encantou. Observei que o rio Batalha, na região de Reginópolis, tem mais ou menos a mesma largura daquele; disseram que o rio estava muito baixo em consequência da estação seca e que na estação chuvosa o rio ficava com mais de cem metros de largura.

Lançado o anzol, cadê os peixes? Passaram-se uma, duas horas e nada, nem beliscavam... Desistimos de pescar, menos o Roberto, este queria provar tudo o que dissera nas conversas anteriores. Deu várias desculpas pela falta dos peixes, a mais esfarrapada era dizer que o rio estava baixo; culpava também as iscas, dizia que não estavam apropriadas para o dia, e assim por diante. Realmente, faltou levarmos lambari para provar sua dedução. Resolveu fazer um teste, pegou um anzol pequeno para fisgar um; ficamos assistindo, e de repente vimos a linha correr. A surpresa fez o Roberto puxar com força desproporcional, arremessando o peixinho para o alto e facilitando o trabalho de uma ave denominada Martin Pescador, que estava num galho de árvore logo acima. O bote foi certeiro! A ave conseguiu arrancar o peixe do anzol ainda no alto, foi muito engraçado.

O segundo lambari foi iscado num anzol apropriado para pegar jaú, pintado, etc., que foi deixado na espera numa linhada amarrada num galho. Voltamos para o rancho, tomamos banho, vestimos roupas leves (bermuda, camiseta, sandálias), menos o Roberto, que além de demorar muito no banho, saiu todo arrumado, com roupa de missa, calçando sapatos e meias (devia estar com frio). Ao entardecer, ainda com alguma claridade solar, fomos verificar se havia fisgado algum peixe na linhada que deixou armada. O Roberto, concentrado na linhada, nem percebeu que estava na beira do barranco, quando, numa pisada em falso, foi com tudo parar dentro do rio, molhando a roupa de missa, o celular na cintura, os documentos, o dinheiro e cigarros. O barranco não era alto, nosso amigo foi azarado por ter caído deitado, parecendo uma abóbora madura e sortudo por ter caído num lugar onde o rio (para variar) estava baixo.

Os fatos acima aconteceram no primeiro dia. No segundo dia, na expectativa de podermos realmente começar a pescar, acordamos cedo, contratamos um piloteiro, e lá fomos nós rio abaixo. Aportamos num remanso com aparência de ser um bom lugar, ficamos tentando quase que o dia todo e nada de peixe. Frustrado, resolvi tentar outra maneira, ou seja: troquei o anzol grande por um pequeno. Não deu outra, perdi a conta, mas devo ter fisgado e liberado mais de 300 peixes das espécies: mandi e piau, sem dar importância aos comentários dos colegas, que diziam: "Onde já se viu, viajar tão longe para pescar mandizinho?" Entendi que o importante era estar me divertindo, na certeza de que não iria fisgar nenhum peixe grande, como de fato os colegas também não fisgaram. Precisamos comprar peixes de ribeirinhos para comer no jantar.

Pescadores são teimosos, então, no terceiro dia, começamos tudo de novo e mais cedo ainda. Não senti estimulado a usar anzol grande, continuei a fisgar e soltar mandis e piaus; os colegas continuavam persistentes e nada. Por volta das 11 horas, um deles resolveu me imitar, cansou de dar banho na minhoca; em seguida o outro e por fim o Roberto. Daí, ficamos todos fisgando e soltando mandis e piaus.

Fomos no rancho para almoçar e, quando chegamos o anfitrião estava na porta e foi dando a seguinte notícia: "Gente, acabaram as 44 caixas de cerveja, o que faremos?" A notícia caiu como um balde de água fria, sem peixe e sem cerveja, era o fim! Resolvemos voltar naquele dia mesmo. Arrumamos as tralhas, almoçamos e pé na estrada. Que viagem longa, parecia que as horas não passavam. Chegamos em Bauru na madrugada do dia 7 de setembro de 1999. Valeu pelas duas cenas: a do passarinho roubando o peixe e a da queda no rio, ambas protagonizadas pelo ator Roberto, bom companheiro, que não deu por vencido, disse que ainda vai nos proporcionar uma pescaria e que, esta sim, será inesquecível. (Aguardemos).

Esta história foi presenciada pelo vizinho Antônio, que trabalha na Embratel; pelo Edmilson, cunhado do Roberto que trabalha na SAT; e por mim, Rinaldo Ricci, que descrevo somente fatos verdadeiros sem inventar nada.

Rinaldo Ricci é pescador

************* Troféu pescador **************

Christiano Ferrari Vieira fisgou o jaú em um barranco,

às margens do rio Paraguai. Ele estava hospedado no Pantanal Parque Hotel para uma pescaria quando foi surpreendido pela força do peixe. O pescador estava usando um equipamento leve, à procura de outras espécies e não imaginava que poderia pegar um jaú, que foi o único troféu da pescaria!

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