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Rose Araujo
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Farmácias cobram dívida de R$ 100 mil de convênio da Prefeitura

Texto: Rose Araujo

As farmácias conveniadas com a Prefeitura Municipal de Bauru estão passando por uma situação complicada. Há cerca de três meses não recebem o repasse da administração pública para o pagamento das compras efetuadas pelos servidores municipais. A dívida já chega a R$ 100 mil, de acordo com cálculos da própria Secretaria Municipal de Finanças.

A denúncia feita pelos proprietários dos estabelecimentos dá conta de que o montante estaria sendo retirado do salário dos trabalhadores, mas não estaria chegando ao seu destino correto: o caixa das drograrias. "É bom que se esclareça que quem está devendo para nós é a Prefeitura e não os servidores. Eles pagaram sua dívida e a administração municipal se apropriou do recurso", destacou Antonio Augusto Gomes, proprietário da Rede Farmacentro, uma das atingidas pela inadimplência.

Ele disse que a Prefeitura está devendo três parcelas do repasse e que, para não ficar em situação complicada, ele evita fazer divulgação do convênio.

"Eu não deixo de atender aos servidores, mas não me empenho em divulgar essa vantagem", disse. Gomes calcula em R$ 6 mil o débito da Prefeitura com sua empresa.

A situação da Droganova é bem mais grave. De acordo com o proprietário da farmácia, a dívida da Prefeitura está na casa de R$ 50 mil. "Estou com o capital de giro no limite. Não dá para levar essa situação muito adiante, pois não temos condições de nos manter com esse rombo", salientou Rui Pagano Júnior, proprietário da empresa.

Ele reclamou também que não consegue encontrar o secretário de Finanças, Raul Gomes Duarte Neto, para cobrar um posicionamento. "Todas as vezes que tentei falar com ele, esbarrei no assessor e fiquei sem resposta", afirmou.

Para as farmácias de porte menor a falta de pagamento traz conseqüências ainda mais grave. Muitas têm no funcionalismo público sua mais fiel clientela. Ficando meses sem receber, entram numa situação complicada.

"Na próxima semana eu tenho várias duplicatas vencendo e, se não entrar o dinheiro da Prefeitura, não sei o que vou fazer para quitá-las", disse Antonio Mario Rodrigues da Silva, proprietário da Droga Fênix, ligada à rede Biodrogas. Ele destacou que a Prefeitura deve cerca de R$ 6 mil à sua empresa.

Outro empresário que está sofrendo com a situação

é Almir da Silva Nunes, proprietário da Farmácia São Miguel, também ligada à Rede Biodrogas. Ele disse que tem R$ 4 mil a receber e que precisa do montante para pagar suas contas. "Eu já cheguei a cogitar o corte do convênio, mas não posso fazer isso com os servidores, eles não são culpados por essa dívida", disse.

Já o proprietário da Drogaria Alto Alegre, Antonio Serafim de Lima, optou pela suspensão temporária do convênio até que haja uma solução por parte da Prefeitura. "Tive que parar de vender através do convênio, pois estava ficando sem condições de honrar meus compromissos", disse. Ele destacou que a Prefeitura deve cerca de R$ 7 mil para ele e que, assim que conseguir o recurso, volta a atender os servidores.

A diretora do Sindicato dos Servidores Municipais de Bauru e Região

(Sinserm), Idelma Corral, destacou que o desconto na folha de pagamento é "sagrado". "Tudo o que é gasto pelo servidor, é descontado imediatamente no pagamento do mês seguinte. Onde está esse dinheiro?", questionou.

O secretário municipal de Finanças, Raul Gomes Duarte Neto, limitou-se a dizer que a dívida com as farmácias será quitada nesta terça-feira, dia 31, e que o período que a Prefeitura deixou de cumprir com o compromisso não foi tão extenso quanto alegam os empresários.

"Não chegou a três meses, não", salientou.

Ele confirmou que, realmente, a Prefeitura já deveria ter efetuado o pagamento no meio deste mês, mas que não teve recursos suficientes para isso. "Devido à chegada do fim do ano, a Prefeitura ficou com o caixa baixo e não teve como pagar o convênio. Mas, a partir do ano que vem, queremos manter os pagamentos em dia", prometeu.

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