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Associativismo

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

Associativismo é tendência mundial

Texto: Gustavo Cândido

A criação de associações facilita o trabalho em todas as áreas, da médica à financeira e por isso é uma tendência não só no Brasil, mas no mundo todo. A opinião é de José Armando Calderaro, administrador com especialização em Recursos Humanos na Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, diretor de RH do Grupo São Franscisco de Ribeirão Preto. Segundo Calderaro, o trabalho das associações não deve apenas ficar restrito ao setor de atuação dos seus associados, mas avançar também para a área social, o que abre a perspectiva para que elas se tornem organizações não-governamentais no futuro.

JC - Como funciona a política do associativismo na prática?

José Armando Calderaro - No nosso caso na Associação Paulista de Administração de Recursos Humanos (APARH), o associativismo é integrar pessoas do segmento de recursos humanos e administração para formar uma associação e essa associação estar contribuindo para a sociedade trazendo novas questões, contribuindo com o desenvolvimento cultural, o terceiro setor... É uma gestão organizacional, em geral.

JC - Mas esses conceitos podem ser aplicados em todas áreas?

José Armando - Isso se aplica em todas as áreas, existem associações da área financeira, área médica, de odontólogos, existem vários tipos.

JC - No que a existência de uma associação facilita o trabalho e a vida dos associados?

José Armando - Facilita porque a associação começa a trazer eventos, desenvolvimento pessoal e profissional para as pessoas, traz os temas atualizados. Elas são importantes nas regiões porque hoje muitas associações só existem em São Paulo e para você se deslocar da sua cidade, seja Bauru, ou Ribeirão Preto, toda vez para a capital, além do tempo, existe o gasto que se têm com a viagem e hospedagem. Quando a associação está mais próxima, ela pode trazer os eventos, cursos, workshops para perto. Nós, por exemplo, temos cafés da manhã, onde empresários vêm para falar, fazendo que ele fiquei integrando com a sociedade, desenvolvendo trabalhos sociais com entidades de classe e do terceiro setor.

JC - O que mais?

José Armando - Em muitas associações houve um esvaziamento porque outros órgãos acabaram ganhando espaço. Órgãos como o Sebrae, Senac, Sesi e Sesc. Então essas associações têm que oferecer um serviço bom para o associado dela. Porque hoje em dia ninguém se associa para deixar uma mensalidade e não esperar nada em troca. É mais ou menos como os sindicatos, se analisarmos o histórico dos sindicatos, vamos ver que eles sempre trabalharam em cima de greves, reivindicação e coisas nesse sentido. Hoje os sindicatos mudaram as suas diretrizes porque como não temos um grande índice inflacionários, eles têm que trabalhar essa negociação toda. O sindicato tem que ser um prestador de serviços, que presta serviço em várias coisas para o associado, como cursos de capacitação, por exemplo. Os sindicatos de lojistas geralmente dão muitos cursos de informática hoje em dia porque é preciso que as pessoas dessa área saibam lidar com o computador, senão perde ou não consegue emprego.

JC - As associações já estão espalhadas por todo mundo?

José Armando - Existem associações em todos os lugares, a nossa é a paulista, mas existe também a brasileira, a latino-americana e a mundial. Todo ano tem um evento de recursos humanos na Europa ou nos Estados Unidos.

JC - Mas é uma tendência mundial que elas existam, justamente para descentralizar tudo?

José Armando - Sim, há uma tendência ainda maior que elas venham a se transformar em ONG's, organizações não-governamentais. Porque ela trabalhando não só para ela, mas prestanto um serviço para toda a sociedade

- que é o que a associação deve fazer - ela pode se transformar futuramente em uma ONG. Ela é um órgão representativo em práticas de gestão pela sociedade. Ela expande o seu universo e vai trabalhar na formação da mão-de-obra, na imagem, em ações de eventos e eventos de ação organizacional, participa em ações com entidades do governo e do terceiro setor.

JC - A partir do momento que existem muitas associações, não existe uma competição pelo espaço de atuação?

José Armando - As associações, no caso de recursos humanos, estão intimamente ligadas com os grupos de recursos humanos das cidades, não substitui ou toma espaço dos outros grupos, ela agregam. É o que acontece com a APARH e o que deve acontecer com as outras associações, fazer um trabalho em conjunto, em equipe.

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