Geral

Expessão Poética

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Poesias com natureza

Última edição do projeto Expressão Poética será realizada hoje, com direito a fogueira e música raiz

O projeto Expressão Poética, que ao longo deste ano reuniu mensalmente poetas e escritores bauruenses e da região, no Sesc, chega hoje à sua última edição. O projeto deve ser retomado no ano que vem, em novo formato, mas ainda não há nada definido.

O encontro de hoje propõe uma reaproximação do poeta com a natureza e o desapego à tecnologia. A atmosfera da noite será enriquecida com a música raiz do violeiro Levi Ramiro, numa roda poética ao pé de uma fogueira.

Os participantes vão aproveitar a ocasião para fazer uma reflexão sobre como será o trabalho em relação

à poesia a ser realizado no Sesc a partir do próximo ano. Também haverá declamação de poemas

"malditos", fazendo referência ao Dia das Bruxas e lembrando poetas como Plínio Marcos e Augusto dos Anjos.

Entre as apresentações literárias da noite, Marisa vai apresentar seus pequenos poemas; Almir Elid mostra poemas de Manuel Bandeira.

André Algarra, Regina Ramos e Márcio Nóbrega estarão juntos apresentando "Na Trilha", de Plínio Marcos.

Ainda no encontro, José Carlos Mendes Brandão vai mostrar seus poemas "O Cavalo de Fogo" e "A Figueira"; Márcio Nóbrega interpreta um trecho da peça

"Morte".

A artista plástica Rosa Iwasa vem com "Carne Moída" e "Mequetrefe" e Sônia Brandão apresenta seus "anjos".

O poeta Munir Zalaf declama Augusto dos Anjos e Regina Ramos, Byron. Jean Portela apresenta dois poemas de Robert Frost. Haverá também poemas fixados nas árvores do bosque, frutos da última oficina do projeto "Palavra em Questão", realizada no dia 10 de outubro.

Fazendo referência a esta última noite do Expressão Poética, escreveram seus poemas Jean Portela e Brandão.

Abrace uma árvore, abrace um poema

O poeta volta às raízes

as árvores o bosque o húmus.

Onde nasceu o canto.

As folhas

filtram o universo.

Bebe de meus lábios

o êxtase do olhar.

Umbral do ser

o umbral do poema.

O poema explode

no olhar.

Eu-língua

o corpo do poema.

Essência do ritmo

forma do mundo

a imagem o real

do poema.

O poema forma

que respira.

Um lábio-fêmea

cria o poema.

O poema

lábio-diamante.

A minha alma

no palimpsesto do poema.

O poema imagem

simulacro do universo.

O poema espelho

do mito.

Nada acontece

do lado de fora do poema.

Sorvo os venenos da noite

e tiro o universo

da minha cartola de mágico.

Figura do mundo

espelho do universo

a rosa do verbo

emblema demoníaco.

O ser brilha

no olhar

brilha o poema.

O poema

ponte do ser.

O olho pousa

inventa o poema.

Pelicano

abro o peito

para o meu filho

o poema.

O poema como uma faca

na barriga

brotam flores vermelhas de sangue

e beleza.

O poeta arranca

os olhos

vê com a alma.

O sangue do nome

cria o ser.

A palavra existe quando imagem

e forma.

Poeta

persona no palco

do universo.

A pedra

palavra.

As árvores os pássaros

palavras.

Deus

palavra do mundo

palavra.

Entre as árvores do bosque

contemplamos

o universo

nos olhos nas mãos.

Poetas

somos.

Brilhamos

estrelas

sementes

na terra

nas árvores

iluminamos.

J.C.M. Brandão

apontamentos no bosque

desabotoar caules arreios

desfibrilar as vagens da linguagem

certeira a cartucheira - dizia o santo ezra

se plena de munição alheia

seio de vinho sangue ou tinta: safra baço ou tinteiro

estofo mais estéril o poeta habita o cinzeiro

cinza síntese: seus frutos são flores ou raízes?

versos sussurrados ao pé dos pentelhos

lord byron: trevas do umbigo aos joelhos

zicas de futricas de nhecas de escusas

da poesia material primeiro

a trilha corre quebra dentes de ábaco o diabo

à sombra da figueira alazões de ruivo incêndio

a tradição é dita de augusto de angina

ao dentuço boa pinta

levi untando a corda tange o peito

a viola livre de visgo e defeito

frost parte a fria via armadilha da lida

peças tenras paladar de criaturas críticas

Jean portela

Serviço

Expressão Poética, hoje, às 20h, no bosque do Sesc Bauru. Grátis. Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: 235-1750.

Comentários

Comentários