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Artigo

B. Requena
| Tempo de leitura: 3 min

Bandido brasileiro está muito melhor

(*) B. Requena

Embora sem muito entusiasmo, o leitor tem que concordar comigo que a missão do ladrão é roubar; que todo assaltante que se preze tem que assaltar; que o estuprador existe para estuprar. Ainda que tristes nesta linha de raciocínio, todos haverão de convir comigo que os bandidos nacionais estão cada vez melhores, isto é, aperfeiçoando muito o seu desempenho, para infelicidade geral da Nação. Os resgates de presos em Distritos Policiais, em cadeias e hospitais

(como se viu nesta semana, em Marília), cada vez mais freqüentes, provam bem esta constatação. O número de policiais assassinados nos confrontos com os marginais, que também vem crescendo, prova que, além de mais preparados, os bandidos estão vencendo grande parte das batalhas nesta guerra.

O curioso é que o supervisor de tudo isto, o fiel da balança, constituído pelos nossos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, através de medidas e, principalmente, da legislação, força de maneira escandalosa que neste jogo os bandidos tenham mais força, condições logísticas e prerrogativas para participar desse fatídico jogo. O deprimente é que aqueles que idealizam esta situação, estabelecendo as regras do jogo, geralmente encastelados em Brasília ou nas nossas capitais de Estado, na hora "H" da partida, mantêm-se protegidos atrás de "alambrados" blindados, à prova de bala, de onde podem ver, de camarotes, os soldados caindo no meio do campo. Eles "organizam" tudo, mas na hora do confronto, enviam os policiais.

Já os teóricos de tudo isso, numa insana proteção aos bandidos, acreditam que a situação estará atenuada quando acabarem as balas da marginalidade ou as facas e punhais que penetram nas vísceras das pobres vítimas, indefesas e inocentes, perderem o seu corte ou ficarem com as pontas rombudas.

Seria coerente admitir que as idéias desses legisladores fossem colocadas em prática desde que, durante um bom período, os criadores das leis absurdas tivessem que ir a campo demonstrar a validade ou não de seus enunciados. Por exemplo participando de ações nos morros, nas favelas, guerreando com traficantes e mergulhando no submundo brasileiro depois que a noite cai. Só então, depois de vários meses ou ano observando in loco aquilo que preconizam iriam dizer se querem ou não a sua execução.

Por estas e outras falhas é que os nossos bandidos estão, a cada dia que passa, tirando notas próximas a 10 em suas respectivas especialidades, isto é, fazendo o melhor possível naquilo a que se propõem, sem encontrar obstáculos efetivos da parte dos Três Poderes. Para dizer a verdade, não é preciso imaginar muito para concluir que neste caso eles recebem até boas ajudas, por excesso de benevolência, falhas e ações erradas.

Fosse criada (por sugestão nostálgica e não atual) em Chicago, uma Crime-Olimpíada, poderíamos retornar com o "Troféu Al Capone", o principal de todos, além de Medalha de Ouro na modalidade assassinatos, Medalha de Prata em assaltos e Medalha de Bronze em várias categorias, como tráfico de drogas, estupros, corrupção, falsificações, agressões. É uma oportunidade de competição que está sendo desperdiçada. Pois que os nossos bandidos estão cada vez mais eficientes, disso não resta a menor dúvida...

(*) B. Requena é editor de Internacional do Jornal da Cidade

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