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Verbas hospital

Daniela Bochembuzo
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AHB pode remanejar verbas de hospital

Texto: Daniela Bochembuzo

Dos R$ 420 mil recebidos do Estado; AHB utilizou R$ 270 mil para reforma de parte do Manoel de Abreu, restando R$ 150 mil

A reforma do Hospital Manoel de Abreu já consumiu R$ 270 mil do montante de R$ 420 mil repassados pela Secretaria do Estado da Saúde à Associação Hospitalar de Base (AHB). Como se trata de verba de custeio, os R$ 150 mil restantes poderão ser remanejados pela instituição. As informações foram prestadas ontem por Cid Santaella, superintendente interventor do Estado na AHB, em resposta aos questionamentos levantados por vereadores durante a sessão de anteontem da Câmara Municipal.

Na mesma sessão, a vereadora Majô Jandreice (PC do B) declarou que irá requisitar uma reunião pública com a direção da AHB para que sejam expostos dados relativos à reforma do Hospital Manoel de Abreu e às vagas para internação. A iniciativa foi apoiada por outros vereadores através de discursos proferidos na tribuna do Legislativo.

Em entrevista exclusiva concedida ao Jornal da Cidade ontem, Santaella afirmou que a direção da AHB participará da reunião pública na Câmara Municipal, caso seja convidada, e garantiu que a contabilidade da instituição

é feita de forma transparente e pode ser consultada pela Câmara Municipal, Prefeitura e pela Direção Regional de Saúde (DIR - X).

No caso das verbas destinadas pelo Estado ao Hospital Manoel de Abreu, Santaella lembrou que o montante de R$ 420 mil não veio 'carimbado', ou seja, não era especificamente para as obras, mas para custeio, o que permite o remanejamento. No entanto, a AHB, na ocasião, se comprometeu verbalmente a utilizá-las na reforma daquele centro hospitalar.

Com R$ 270 mil do total de recursos recebidos, a AHB reformou a ala 1 (já inaugurada) e iniciou a reconstrução da cozinha (atualmente em fase de acabamento) e as obras de melhoria da ala 5 do Hospital Manoel de Abreu. Os R$ 150 mil restantes poderão ser remanejados, de acordo com o superintendente interventor.

"Ocorre que, como é uma verba de custeio e tendo a associação que empregar dinheiro em outras partes do próprio Manoel de Abreu - só de consumo de material e medicamentos são R$ 50 mil por mês -, nós podemos fazer um remanejamento da verba, mas de forma totalmente transparente. Se o Conselho Municipal de Saúde e a Câmara Municipal quiserem verificar essas contas e esse remanejamento, isto estará totalmente à disposição e no momento que quiserem", garantiu.

Santaella lembrou que a AHB ainda pretende utilizar os R$ 150 mil restantes na ala 5, no término da reconstrução da cozinha e, caso sobrem recursos, em outra obra do Hospital Manoel de Abreu, tendo em vista a promessa verbal que a direção da AHB fez à Secretaria Municipal de Saúde para investir as verbas recebidas no centro hospitalar. "Vamos tentar cumprir o que prometemos, mesmo sendo os recursos para custeio, o que permite utilizá-los em qualquer situação, excetuando pagamento de contas atrasadas", explicou.

Internações

Cid Santaella aproveitou a entrevista para rebater as acusações, feitas por vereadores, de que as internações no Hospital de Base, Maternidade Santa Isabel e Hospital Manoel de Abreu somente seriam efetuadas após intervenção de vereadores ou de membros da direção da AHB. "Isto não corresponde à realidade. É preciso entender que os leitos não são locais, não atendem somente a Bauru", retrucou.

Atualmente, a AHB dispõe de 506 leitos, sendo 130 no Hospital Manoel de Abreu, 97 na Maternidade Santa Isabel (dez são destinados à UTI Neonatal) e 276 no Hospital de Base. As vagas para internação, inicialmente, são destinadas aos 41 municípios abrangidos pela DIR - X, mas muitas delas acabam recebendo pacientes de cidades de outras regiões.

"Hoje, não existe hospital na grande região que dê respaldo à AHB. Estamos vivendo uma situação de saturação e não podemos negar atendimento a moradores de outras cidades", advertiu Santaella. Diante desse quadro e por crer na possibilidade de haver uma explosão populacional em função da construção do Aeroporto Regional de Bauru, o superintendente afirma ser imperial que o Estado conclua as obras do Hospital Regional. "Hoje, ele já é necessário", avalia.

Hospital de Base instalará o aparelho de radiografia

Parado há 12 meses no almoxarifado da Divisão Regional de Saúde (DI - X), o aparelho de raio X cedido pela Secretaria Municipal de Saúde à Associação Hospitalar de Base (AHB) parece que finalmente será instalado no Hospital de Base.

Na tarde de ontem, um técnico da empresa que dá assistência técnica ao aparelho foi ao almoxarifado da DIR - X para avaliar as condições técnicas do equipamento e a possibilidade de instalá-lo no hospital.

"Não o desencaixotamos antes porque poderíamos perder a garantia", justifica Cid Santaella, superintendente interventor do Estado na AHB.

Santaella afirma que a AHB, em nenhum momento, se negou a receber o aparelho de radiografia do Município. Em entrevista concedida na semana passada ao Jornal da Cidade, Majô Jandreice, presidente do Conselho Municipal de Saúde, declarou que a AHB, desde a aprovação da cessão do equipamento em novembro do ano passado, não havia se manifestado sobre a questão.

De acordo com Santaella, a única dúvida do técnico em relação ao equipamento de radiografia é em relação ao funcionamento da ampola nele instalado.

"Talvez, ela tenha que ser trocada e quero ver quem irá custeá-la, que está avaliada em R$ 6 mil", questionou. Já há local indicado no Hospital de Base para a instalação do aparelho.

Se a cessão do equipamento for concretizada, a prestação de serviços de raio X pela AHB, hoje "comprados" pelo Município, poderá ser ampliada. A condição imposta pelo Conselho Municipal de Saúde é que, com a cessão, a associação amplie as cotas mensais de radiografia destinadas ao Município e deixe de cobrar por elas.

Dessa maneira, a Administração não precisará arcar com custos operacionais do equipamento e de salário de médicos radiologistas e operadores da máquina, além de solucionar a questão da falta de espaço para a sua instalação.

"Não temos a obrigação de dar

retaguarda ao PS", diz Santaella

Em entrevista concedida ontem ao JC, Cid Santaella, superintendente interventor do Estado na Associação Hospitalar de Base (AHB), afirmou que não existe proibição para internações no Hospital de Base após

às 22 horas. "Esse foi um problema localizado e o funcionário já está respondendo a procedimento interno por isso", garantiu.

Sobre as reclamações feitas pelo Conselho Municipal de Saúde em relação à limitação temporária de procedimentos cirúrgicos no Hospital de Base, Santaella lembrou que a AHB não tem a obrigação de dar retaguarda ao Pronto-Socorro Central e a outras unidades municipais de urgência e emergência. "O PS tem que ter a sua própria equipe de cirurgiões e anestesistas e o Município sabe disso", salientou.

O superintendente disse, no entanto, que a AHB é passível de falhas. "Todos nós somos, porque estamos trabalhando no limite, mas deve haver uma divisão de responsabilidades", comentou.

Sobre essa questão, Santaella informou que a AHB, por meio do diretor Afonso Viviani (que toma posse oficialmente no próximo dia 6, no lugar de Reinaldo Rocha, que foi eleito prefeito de Avaí), e a secretaria municipal de Saúde, Eliane Fetter Telles Nunes, já estão realizando reuniões.

O primeiro encontro entre Viviani e a secretaria foi realizado anteontem. "Eles já estão em fase de entendimento sobre a questão da divisão de responsabilidades e devem anunciar algo em breve", adiantou Santaella. Sobre o assunto, a reportagem tentou entrar em contato com Eliane Fetter Telles Nunes na tarde de ontem, mas não obteve retorno até o horário de fechamento desta edição.

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