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Greve Banespa

Rose Araujo
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Greve do Banespa: salários dos servidores só entram na conta à noite

Texto: Rose Araujo

Como o Jornal da Cidade havia divulgado em sua edição de ontem, os servidores públicos municipais enfrentaram problemas para sacar o salário no Banespa. Os proventos só entraram na conta corrente por volta das 20 horas, depois de várias negociações com a direção do banco.

De acordo com o secretário de Finanças do município, Raul Gomes Duarte Neto, a Prefeitura disponibilizou a folha de pagamento dentro do prazo estabelecido, ou seja, segunda-feira. No entanto, devido a problemas no setor de processamento de dados do banco por causa da greve, o dinheiro não chegou às contas dos servidores. "Nós conversamos com o gerente regional da instituição em Bauru para solucionar esse problema o mais rápido possível, pois os servidores não podem ser penalizados por causa da paralisação", disse.

Ele destacou que há cerca de seis meses a Secretaria de Finanças tentou transferir a conta dos funcionários para o Banco do Brasil, mas houve uma "avalanche" de críticas contrárias a isso. "Estávamos tentando evitar que problemas como esse ocorressem, pois já era de conhecimento de todos que o Banespa seria privatizado", disse.

A primeira secretaria a convocar os servidores para o cadastro no BB foi a de Educação. No entanto, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm) entrou com uma representação contra o ato, entendendo que trata-se de um apoio à privatização do Banespa. "O prefeito havia declarado meses antes de mudar a conta do funcionalismo para outro banco que era totalmente contra a privatização do Banespa. Com a transferência da folha de pagamento, os servidores acharam que a Prefeitura estaria apoiando a venda do bando de São Paulo, enfraquecendo-o no município", disse Idelma Corral, diretora da entidade sindical.

Uma pequena parcela dos servidores - Duarte Neto não soube precisar quantos - permaneceu com a conta no Banco do Brasil e na Nossa Caixa Nosso Banco. "Estes não precisaram enfrentar problemas com a falta de pagamento", explicou o secretário.

Ele destacou que a posição da Prefeitura Municipal continua a mesma em relação à venda do Banespa, ou seja, contrária à privatização. No entanto, ressaltou que se não for possível evitar o leilão, a Prefeitura inevitavelmente vai ter que transferir a folha de pagamento dos cerca de seis mil servidores municipais para outro banco estatal. "A lei determina que o pagamento dos funcionários públicos seja feito através de um banco também público", disse.

Corral destacou que, nesse caso, o Sinserm não vai interferir, pois não haverá outra solução a não ser a abertura de contas em outras instituições financeiras.

Greve

A greve dos funcionários do Banespa deverá ter continuidade a partir de amanhã. Hoje não haverá manifestação devido ao feriado de Finados.

De acordo com o diretor do Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e Região, Marcos Lenharo, a diretoria do banco não acenou com nenhuma possibilidade de negociação ontem e a categoria deliberou pela permanência da paralisação por tempo indeterminado.

Os banespianos querem a manutenção do acordo coletivo, a garantia do emprego e também protestam contra a privatização do banco, marcada para o próximo dia 20.

Lenharo destacou que o problema com a folha de pagamento do funcionalismo municipal é de responsabilidade da diretoria do banco.

"Eles estão tentando colocar a população contra o nosso movimento e impediram o processamento da folha ontem (anteontem). Só depois de muita pressão, decidiram ceder e colocar o pagamento à disposição dos servidores. Nós garantimos que os funcionários do Banespa estariam à disposição para auxiliar as pessoas que tivessem problemas com o caixa eletrônico", disse.

A gerência regional do Banespa em Bauru destacou que não foi possível disponibilizar o pagamento aos funcionários da Prefeitura de Bauru porque ocorreu um problema no departamento de processamento de dados da instituição. Mas, de acordo com ele, tudo havia sido solucionado ontem mesmo e, até o início da noite, os servidores poderiam sacar o pagamento nos caixas eletrônicos.

Ele garantiu que foi montado um esquema de emergência para o abastecimento dos terminais sempre que necessário, para que não ocorra problema com falta de dinheiro. "Com certeza, o dinheiro não será suficiente. Mas, nós já estamos preparados para evitar mais transtornos", salientou.

Sindicato Rural vai mobilizar produtores e prefeitos contra privatização

Prefeitos de diversas cidades do Estado e presidentes de sindicatos rurais deverão fazer uma grande mobilização até o dia 20 deste mês contra a privatização do Banespa. A informação é do presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde Guimarães.

De acordo com ele, é bobagem o Governo pensar que o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e a Nossa Caixa Nosso Banco substituirão o Banespa na concessão de crédito rural. "O Banespa é responsável por 60% do crédito rural no Estado e os outros bancos não tem estrutura e nem a mesma filosofia da instituição com relação ao produtor rural", disse.

Ele acredita que os produtores rurais serão os mais prejudicados com a venda do banco de São Paulo para instituições privadas. "Nós estamos em exercício da safra 2001 e o trabalho poderá ser perdido no dia seguinte à privatização", salientou.

Ele disse que a classe rural tentou um lobby junto ao Governo Federal para impedir que o Banespa fosse colocado à venda. No entanto, os apelos não foram ouvidos. "Agora, vamos engrossar os movimentos contrários à privatização", disse Guimarães.

Ele não soube precisar o que seria feito de concreto para impedir que a venda do banco fosse concretizada. Mas, disse que a posição da classe rural está definida a respeito da privatização.

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