Tobias defende acampamento na AL
Texto: Nélson Gonçalves
Para o deputado estadual, somente a pressão pode convencer a presidência da Assembléia a colocar caso Banespa na pauta
O deputado estadual Pedro Tobias (PDT) voltou a defender, ontem, que os banespianos acampem em frente à Assembléia Legislativa (AL), como já havia feito na tribuna da Casa, em São Paulo. Tobias entende que se os grevistas forem acanhados na manifestação o presidente da AL, deputado Wanderley Macris não vai colocar em votação a PEC-4 e o pedido de plebiscito. Os dois temas são considerados fundamentais para os banespianos impedirem a venda do Banespa, marcada para o próximo dia 20.
Pedro Tobias participou da assembléia feita pelos banespianos em frente à agência central, ontem à tarde, no Centro da cidade. Para o deputado estadual, a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC-4) dependerá da pressão que for feita pelo Sindicato dos Bancários.
"A PEC-4 passou pela Comissão de Justiça, foi aprovada, mas infelizmente o presidente da Assembléia Legislativa não está colocando na pauta", comentou. O deputado pedetista comentou que os "partidos de oposição decidiram obstruir todas as votações até o dia 20 de novembro, data do leilão do Banespa, para forçar o presidente da Assembléia a colocar a PEC-4 na pauta. Até lá nós não vamos votar nada se o tema não for colocado na pauta", disse.
Para o deputado estadual por Bauru, a proposta de emenda constitucional
é democrática porque, junto com ela, virá o plebiscito "para saber o que o povo de São Paulo pensa em relação ao Banespa, se deve vender ou não. Se o povo for a favor ou contra a privatização isso tem que ser decidido por via democrática, com a consulta popular. É o mínimo que podemos defender em relação ao Banespa. Por isso eu defendo que o comando de greve acampe na Assembléia, junto com os deputados contra a privatização. Acho que tem que radicalizar um pouco, porque do jeito que está fica difícil mudar a situação e o banco acaba sendo privatizado".
O deputado entende que "as urnas mostraram que a população rejeitou programas do Governo, entre eles os programas de privatização, foram contra a política de venda de bens públicos da forma como aconteceu. É obrigação do governante escutar a voz das ruas, o que o povo quer. A meu ver, hoje o povo
é contra a privatização. Eu também sou contra, porque do jeito que está a saúde, educação pior, não aconteceu nada com a venda do patrimônio que agora não é mais público. Só pagar juros de dívida não resolve nada".
Tobias citou que vários partidos apoiam a obstrução das votações, entre eles o PDT, PT, PC do B, PSB e até "grupos de direita estão falando que são contra a venda do Banespa. Mas tem que ver o voto de todos no plenário, do PPB, do PFL, do PMDB, do PL. Temos que acampar na Assembléia Legislativa para forçar o presidente da Casa a colocar a PEC-4 em votação. O PSDB não fala sobre o assunto, não fica no plenário quando os banespianos estão na galeria".
O deputado entende que "a imagem do Estado de São Paulo está associada ao Banespa, que foi responsável pelo desenvolvimento do Estado, da agricultura, indústria e construção civil. A área social encontrou apoio no Banespa. Se houve problema financeiro no banco foi por uso político da instituição e não por culpa dos funcionários. Mesmo com problemas dentro do Banespa, o lucro foi de R$ 750 milhões só no primeiro semestre. Então porque quer privatizar o que dá certo, o que dá lucro, para um Estado que precisa tanto do banco", finalizou.