PMDB quer buscar renovação em 2001
Texto: Daniela Bochembuzo
Para Fernando Monti, presidente municipal do partido, eleição de Rodrigo Agostinho é um estímulo à reciclagem
O PMDB vai entrar em 2001 de olho na renovação. Para Fernando Monti, presidente municipal do partido, a idéia de renovar foi expressa pelo eleitorado, que elegeu seis estreantes para a vereança. Nesse grupo está o peemedebista Rodrigo Agostinho, o mais novo vereador entre os 21 candidatos eleitos para a gestão 2001-2004 do Legislativo bauruense.
Com 22 anos, Agostinho é visto por Fernando Monti como um estímulo à reciclagem do PMDB. "Ficamos felizes com a eleição de Rodrigo, porque ele é uma força jovem, emergente. Estendemos o recado das urnas e estamos com o pensamento voltado para a renovação", garante o presidente peemedebista.
A reciclagem do partido foi uma das necessidades levantadas pela executiva municipal do PMDB durante reunião avaliatória da eleição, realizada há 15 dias. Nela, os peemedebistas concluíram que o número de votos recebidos pela legenda não representou a densidade eleitoral que o PMDB tem na cidade.
"Fomos vítimas de anos de ataques. Sofremos as conseqüências de uma campanha feita contra o PMDB. Além disso, a eleição foi atípica, com um comportamento bastante dinâmico do eleitorado, exemplificado pela polarização e por duas ondas de voto útil", analisa Monti.
Esse cenário, aponta o peemedebista, foi a razão para que o partido não elegesse uma bancada maior, como era esperado pela executiva municipal. "Tínhamos excelentes candidatos, como o Futaro Sato, que gostaríamos que estivesse nessa nova Câmara Municipal", comenta.
Apesar disso, Monti afirma estar bastante contente com a eleição de Rodrigo Agostinho, um dos cinco candidatos lançados pela Ala Jovem do PMDB. O grupo era formando ainda por Alex Gasparini, Márcio Luís de Maio, Rogério Mira e Michel Miguel Junior.
Para ampliar o grupo jovem peemedebista, a executiva municipal planeja discutir política com a juventude bauruense. "É necessário fazer um amplo debate com a sociedade, buscando a politização", adianta Monti.
No centro desses debates certamente estará Rodrigo Agostinho. O vereador eleito sabe de sua importância para o partido neste momento. "Sei que represento a renovação, em dois sentidos: ingressei há pouco no partido e sou jovem. Tenho consciência do meu papel e quero discutir minhas atribuições com o PMDB", diz.
Agostinho avalia que a renovação partidária não será uma tarefa fácil. Primeiro, porque o PMDB sofreu vários desgastes nos últimos anos, resultados do envolvimento de alguns filiados em escândalos políticos. Segundo, porque muitas pessoas não vêem com bons olhos a política partidária.
Mesmo assim, o vereador eleito acredita ser possível mudar a visão do eleitorado a partir do resgate da história da legenda na luta pela democracia brasileira. "Apesar da representação do PMDB ter se reduzido em várias cidades, ele ainda é o maior partido brasileiro. Vamos ter que tentar superar o receio popular em relação ao engajamento partidário", comenta.
Da parte de Agostinho, ele espera incentivar a participação dos jovens na política a partir de um trabalho sério na Câmara Municipal. "Tenho muitos projetos e devo protocolar alguns deles logo no primeiro mês de mandato", garante.
Meio ambiente e cultura formam
plataforma eleitoral do vereador
O meio ambiente é a principal bandeira do vereador eleito Rodrigo Agostinho (PMDB). Somado às idéias ambientalistas, o peemedebista planeja traçar seu mandato na Câmara Municipal com projetos de lei relacionados à educação, cultura e esportes.
Estudante de Direito da Instituição Toledo de Ensino
(ITE), Agostinho é mais conhecido na região pelo trabalho que desenvolveu frente ao Instituto Ambiental Vidágua. Em razão da futura exposição política, que acredita ser passível de muitas críticas, o vereador eleito preferiu sair da diretoria da ONG. Ele, no entanto, segue desenvolvendo trabalhos no instituto, mas como voluntário.
"Saí da coordenação porque não quero que as pessoas confundam meu mandato de vereador com os trabalhos desenvolvidos pelo Instituto Ambiental Vidágua. Não quero que misturem as coisas", afirma Agostinho. O receio de Agostinho não é à toa. Entre os projeto que pretende propor está uma polêmica revisão do regimento da Câmara Municipal. "Algumas condutas dos vereadores precisam ser revistas", analisa.
Fora do terreno regimental, Agostinho tem projetos de cunho ambiental, sendo a maioria deles frutos de discussão com ONGs que desenvolvem projetos relacionados ao meio ambiente. Além disso, o vereador eleito já tem uma indicação a fazer para o prefeito Nilson Costa: a construção de uma pista de skate.
"Pelo menos 30 jovens já me pediram para lutar pela construção de uma pista de skate na cidade. Essa não é uma atribuição de vereador, mas vou mediar esse pedido", assegura Agostinho.
Partido teve o candidato mais jovem à vereança
O PMDB foi o partido que lançou o candidato mais jovem
à vereança nas eleições de 2000. Com 20 anos, Márcio Luís de Maio disputou uma cadeira na Câmara Municipal com mais 377 postulantes, obtendo 27 votos.
Maio foi o único candidato nascido na década de 80 a pleitear um cargo nas eleições de Bauru. A maioria dos postulantes (35,75%) nasceu nos anos 50. Do total de inscritos, 26,74% são da década de 60 e 20,64% de 40.
Os candidatos com idade entre 21 e 31 anos representam 8,14% do total de inscritos. Nesse grupo se encontravam os prefeitáveis Estela Almagro (PT), com 29 anos, e Thomaz Zamonaro (PRN), que na época da eleição tinha 25 anos. Os vereadores eleitos Rodrigo Agostinho (PMDB) e Renato Purini (PDT) também estão nessa faixa etária.
Apenas 29 postulantes nasceram entre as décadas de 20 e 30, somando 8,43% do total de candidatos. O prefeitável Carlos Sandrin (PT do B), de 1922, foi o candidato mais velho a disputar a eleição.