Geral

Sexo

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 6 min

Sexo: qual a importância dele no casamento?

Texto: Gustavo Cândido

Ninguém nega que o sexo é fundamental em uma relação afetiva, principalmente no casamento. Mas homens e mulheres têm visões diferentes sobre o quão fundamental ele pode ser. No universo masculino, manter uma atividade sexual constante

é, praticamente, o segredo do sucesso de uma relação duradoura. Para as mulheres, o sexo é importante, mas não se ele colocar a afetividade de lado. É por essas diferenças que manter um relacionamento prazeroso mesmo depois de anos de casado - e do conseqüente fim da paixão - é uma tarefa difícil. Mas não impossível.

De acordo com o psiquiatra Wilson Fabra Siqueira, a opinião masculina a favor do sexo como elemento imprescindível em uma relação não é um fenômeno regional ou brasileiro, mas sim universal. Segundo Siqueira a mulher uma capacidade maior de lidar uma eventual diminuição na vida sexual, qualquer que seja a sua razão.

Mas isso não quer dizer que as mulheres se interessam menos por sexo. "A preocupação das mulheres com o sexo é igual a dos homens", aponta a terapeuta sexual Maria Lúcia Biem. Ela afirma que, atualmente, é cada vez maior o número de mulheres que exige mais freqüência e qualidade no sexo. Na realidade a impressão que passa

é que o homem é mais preocupado com sexo porque ele expõe sua visão sobre o assunto em termos de quantidade, enquanto a mulher faz a mesma coisa, mas visando a qualidade.

Diferentes pontos de vista

A origem dos pontos de vista diferentes de homens e mulheres está na forma como ambos encaram a sexualidade. As mulheres carregam uma dose muito grande sentimento, de coração, para cama, ao contrário dos homens, que levam só o seu

órgão sexual. No geral, uma mulher para ir para a cama, precisa estar envolvida afetivamente, enquanto o homem consegue separar muito bem sexo de sentimento e transar só por prazer (em alguns casos só o dele). Os resquícios da criação machista também fizeram com que grande parte dos homens valorizasse mais a quantidade de relações sexuais e não sua qualidade. "Enquanto a mulher precisa de um envolvimento, muitos homens ainda vêem o sexo quase como se fosse uma obrigação, um dever que ele tem de cumprir porque é macho. Acaba sendo egoísta", lembra Wilson Siqueira.

O casamento

Essas diferenças de opinião ficam mais latentes quando o casamento tem algum tempo. No começo da relação,

é comum que o casal ainda esteja envolvido pelo clima da paixão e busque mais momentos de excitação na vida íntima. Com o tempo, a rotina da convivência, os problemas diários e o estresse acabam gerando atritos que conduzem a um prejuízo na vida sexual. Isso sem contar com o fim da paixão. "A gente se apaixona por uma pessoa que não existe, que a gente idealiza. A medida que passa a viver com a pessoa que existe de fato isso gera uma desmotivação porque a gente vai vendo os defeitos do outro", explica o psiquiatra Wilson Siqueira.

É nessa hora que os conflitos se estabelecem: a mulher tende a se acomodar com diminuição na sexualidade entre o casal e o homem a querer mais e quando não encontra dentro de casa pode "buscar fora", com uma amante.

Mas apesar de ser comum, o quadro acima não pode ser tomado como uma regra geral. Siqueira lembra que existem casais que amadurecem sexualmente durante os anos de união o que faz com que haja uma melhora no sexo com o tempo.

O mesmo vale para a posição da mulher nessa hora.

"Culturalmente acreditava-se que o homem precisava mais de sexo, hoje vemos homens e mulheres que querem mais sexo, e homens e mulheres que querem menos sexo, não dá para rotular", diz Maria Lúcia Biem. Segundo ela, a crise no casamento pode ter um outro lado, quando o homem, depois de uma certa idade e tempo de união, busca reafirmar sua masculinidade, normalmente partindo um busca de aventuras com mulheres de menos idade. Existe também uma postura feminina diferente que pode se manifestar depois de muito tempo de casada, "mais experiente, a mulher pode passar a exigir mais do parceiro", explica a terapeuta sexual.

O segredo do sucesso

Mas o que é preciso fazer para que o sexo continue sendo um motivo de satisfação? É preciso que o casal saiba lidar com os problemas do dia-a-dia (leia no boxe).

"Para manter o erotismo ao longo da vida, mesmo depois do fim da paixão, é preciso muita sutileza, imaginação e da atuação conjunta dos parceiros. Se o sexo é mecânico, o casal é o responsável por isso, se é bom, o casal é responsável", diz Maria Lúcia Biem.

Na opinião da terapeuta, os problemas sexuais estão aumentando hoje em dia porque as pessoas estão levando os problemas do dia-a-dia para a cama e tendo bloqueios sexuais por conta dessas preocupações. Outro detalhe que pode ser fatal para a relação é a falta de cumplicidade. "Os casais ao invés de resolver os problemas entre si, vão falar com outras pessoas", afirma Biem,

"é preciso que os dois dialoguem mais, conversem, saibam como o outro 'funciona' na cama e estejam preocupados em dar prazer um ao outro".

Para Maria Lúcia Biem o sexo é importante em um casamento mais não deve ser o único ponto a ser levando em conta. "Tudo na vida deve estar em equilíbrio,

é preciso que haja uma harmonia entre a afetividade e a sexualidade", diz.

Perfis diferentes

Ele precisa, por isso "caça". Ela busca prazer, por isso "coleciona". Luis Alberto* , 35 anos e Kátia*, 33, anos, são solteiros. Ele, por opção -prefere manter longos namoros - ela, porque não agüentou um casamento cheio de incompatibilidades que durou apenas três anos. Ambos tem visões diferentes sobre a própria necessidade sexual. Luis, diz que não se casou até hoje (e nem pretende) porque não conseguiria se manter fiel a uma mulher apenas. "Preciso de variedade, de pessoas diferentes", confessa. Mas Luis não acredita que isso faça dele um homem que se deixa levar apenas pelo sexo,

"acho que ter um sentimento é importante, mas acho que não há nada demais em variar".

Kátia é mais calma e diz que seleciona seus envolvimentos depois do fim do casamento buscando a qualidade, "posso ficar muito tempo sem me envolver sexualmente, mas quando encontro o homem ideal desconto tudo. Por isso é preciso que haja qualidade, que ele não seja só mais um 'garanhão de esquina' e sim um bom amante", explica.

* Os entrevistados preferiram não ter seus nomes completos publicados

Os 10 mandamentos para a felicidade no sexo

Manter uma vida sexual prazerosa mesmo depois de anos de casamento não é uma tarefa impossível. Maria Lúcia Biem dá as dicas do que é preciso fazer para isso:

* Manter uma cumplicidade na relação

* Procurar manter um equilíbrio entre afetividade e sexualidade na relação. Essa harmonia vai fazer com que qualquer problema em um dos setores seja resolvido mais facilmente.

* Crer que a satisfação sexual não deve ser apenas de um dos dois, mais de ambos.

* Ter um diálogo aberto onde cada um possa expor os seus desejos, suas limitações e seus conflitos.

* Cuidar da sexualidade com muito carinho, como se fosse realmente algo especial, cuidando também da auto-imagem.

* Ver o sexo como uma energia vital, saudável e prazerosa.

* Ser criativo, compreensivo e colaborador.

* Preservar a qualidade de vida e não deixar que os problemas cheguem à cama.

* Acreditar que o sexo não acaba com a idade. Sempre é tempo para ser feliz!

* Acreditar que você merece ser feliz e que tem condições de fazer outra pessoa feliz em termos sexuais e afetivos.

Comentários

Comentários