Geral

Aeroclube

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Codepac estuda tombamento do prédio do Aeroclube

Texto: Ieda Rodrigues

O Aeroclube de Bauru, construído no final da década de 30, tem prioridade na lista dos cerca de 20 prédios em análise pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Codepac), órgão responsável pelo tombamento dos imóveis e móveis da cidade de valor histórico, artístico ou cultural. No entanto, o Codepac tem uma situação complicada pela frente. Na semana passada, a Infraero, que estava iniciando a reforma da torre do aeroporto, constatou que a situação estrutural do prédio é tão ruim que não

é possível fazer as obras que pretendia preservando a arquitetura original.

O Aeroclube de Bauru, em estilo art déco, foi um dos primeiros aeroclubes e aeroportos do Interior do Estado de São Paulo. Com dois pedidos de tombamento do Aeroclube feitos pela Câmara e um pelo Instituto dos Arquitetos de Bauru, o Codepac resolveu iniciar os trabalhos de pesquisa do complexo arquitetônico em setembro.

A Infraero, que pretendia reformar os prédios do Aeroclube, foi convidada para reunião do Codepac realizada no início de outubro. Na reunião, o Codepac esclareceu a intenção de tombamento dos prédios e discutiu o projeto da Infraero para reformar a torre do aeroporto - a Infraero decidiu reformar a torre por questões de segurança, conforme expuseram os funcionários do órgão aos membros do Codepac.

O projeto de reforma consistia na implantação de uma cabine de controle e o fechamento das faces laterais da torre. O Codepac, considerando a questão de segurança apontada pela Infraero, solicitou algumas alterações no projeto, com o objetivo de preservar detalhes da arquitetura original da torre. Pelo projeto final de reforma, seria possível a recuperação futura das estruturas da torre.

No entanto, agora, como a Infraero já informou o Codepac que não é possível fazer a reforma proposta por causa das condições estruturais da torre, uma outra alternativa será buscada. O assunto será discutido na reunião de amanhã do Codepac. Por enquanto, o

único prédio da cidade já tombado pelo patrimônio histórico é o da estação ferroviária, localizada na Praça Machado de Mello.

O Codepac, no processo de análise para tombamento ou não do Aeroclube, já estava indicando um historiador ou arquiteto para dar o seu parecer sobre o complexo aquitetônico. Como

é de praxe no Codepac, é com base no parecer do profissional escolhido e dos conselheiros do órgão

é que se decide pelo tombamento ou não de um imóvel.

O presidente do Codepac, Nilson Ghirardello, lembrou que a partir da abertura do processo de tombamento o prédio já fica preservado. Ou seja, até a finalização do processo, fica proibida qualquer obra que altere as características originais do prédio.

Estação ferroviária

Outro prédio cujo processo de tombamento está sendo priorizado pelo Codepac é o da estação ferroviária da antiga Fepasa, que fica entre as ruas Rio Branco e Agenor Meira. A estação, de acordo com Nilson Ghirardello, foi construída em 1910 e é pouco conhecida da maioria da população por ser pequena e ficar próximo a galpões.

A estação, segundo Ghirardello, está abandonada e sendo destruída. O prédio foi invadido por andarilhos que chegariam até a fazer fogueiras em seu interior. O Codepac já abriu o processo de tombamento do prédio pelo valor histórico que ele tem para a cidade, que se desenvolveu graças à ferrovia.

Codepac

O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Codepac), órgão responsável pelo tombamento dos móveis e imóveis de Bauru que tenham valor histórico, artístico ou cultural, está retomando suas atividades, com nova diretoria, eleita em setembro. O novo presidente é Nilson Ghirardello, representante do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Unesp.

Com o objetivo de ampliar a representatividade do Conselho junto

à sociedade, membros de entidades atuantes, como a Associação Amigos dos Museus, Ordem dos Advogados do Brasil e Departamento de Proteção ao Patrimônio Cultural e Associação dos Geógrafos Brasileiros, foram incorporados ao Codepac.

O Conselho, que já contava com a participação de representantes das secretarias municipais do Planejamento, Negócios Jurídicos e Cultura; representantes do Instituto dos Arquitetos do Brasil, Universidade do Sagrado Coração, Câmara Municipal, Universidade Estadual Paulista e Associação dos Engenheiros Arquitetos e Agrônomos, pretende ter poder de ação mais abrangente, que assegura a preservação do patrimônio histórico-cultural da cidade.

Comentários

Comentários