Câmara vai lutar por Reitoria da Unesp
Texto: Daniela Bochembuzo
Em discurso na tribuna, Paulo Cezar Razuk, vice-reitor eleito da Unesp, defendeu a interiorização da Reitoria e pediu apoio dos políticos locais
A Câmara Municipal de Bauru lutará oficialmente para trazer a sede da Reitoria da Universidade Estadual Paulista (Unesp) para Bauru. O compromisso foi assumido pelos vereadores, ontem, após pronunciamento do professor Paulo Cezar Razuk, vice-reitor eleito da Unesp, que abriu a sessão fazendo uso da tribuna do Legislativo.
Em seu discurso, Razuk defendeu a interiorização da Reitoria e a implantação de sua sede em Bauru. De acordo com ele, a Unesp gasta R$ 2,4 mi por ano para manter o aluguel do prédio da Reitoria em São Paulo. O valor corresponde a 50% do total de recursos destinados aos investimentos anuais da instituição, atingindo a marca de 0,4% de seu orçamento.
Além disso, Razuk lembrou que a manutenção da sede da Reitoria em São Paulo leva a Unesp a gastar soma considerável de recursos com o deslocamento de grande número de professores para participar de reuniões periódicas dos colegiados centrais e de encontros de diretores de unidades universitárias com o reitor e seus pró-reitores realizados na capital paulista.
Os gastos se devem ao fato da maioria dos professores se encontrar no Interior, uma vez que apenas três dos 15 câmpus da Unesp localizam-se em São Paulo e no Vale do Paraíba. As unidades restantes ficam em Araçatuba, Araraquara, Assis, Bauru, Botucatu, Franca, Ilha Solteira, Jaboticabal, Marília, Presidente Prudente, Rio Claro e São José do Rio Preto, o que a torna uma universidade eminentemente interiorana.
"Nossa intenção é, após promover a necessária descentralização orçamentária, após promover também a necessária desburocratização, trazer a Reitoria para o Interior, para um local mais ou menos eqüidistante das maiores unidades da Unesp e esta decisão aponta para as cidades de Araraquara, Bauru, Botucatu, Jaboticabal ou Rio Claro, ou seja, um polígono na região central do Estado", explicou Razuk.
Caso ocorra a interiorização, a Reitoria deverá manter em São Paulo apenas um escritório de representação em um dos prédios próprios da Unesp. O deslocamento da sede, no entanto, dependerá de um estudo técnico que indicará distâncias, custos e infra-estrutura das cidades e posterior avaliação de toda a comunidade universitária.
Para Razuk, que se qualifica como um "bauruense de coração", Bauru tem a infra-estrutura necessária para a concrentização da transferência da sede da Reitoria, além de contar com o maior câmpus, refletido no maior número de cursos e comunidade universitária. Se isso ocorrer, acredita o vice-reitor eleito, a região experimentará o benefício de receber uma universidade de renome nacional e internacional e com orçamento anual de, aproximadamente, R$ 550 mi.
"Sem dúvida, toda essa região experimentará o benefício de se tornar ainda mais conhecida como pólo universitário, fonte de atração de empresas em busca de mão-de-obra qualificada, principalmente, as empresas prestadoras de serviços de alta tecnologias. Sem dúvida, Bauru e região têm políticos conscientes e capazes para, primeiro, mostrar à comunidade universitária que a interiorização é um processo irreversível para o bem do próprio Estado", afirmou Razuk, que declarou confiar no rompimento dos laços da política partidária e na pujança da Câmara Municipal em prol da transferência da Reitoria para Bauru.
Discursos
Em discurso, Majô Jandreice (PC do B) disse que a vinda da Reitoria da Unesp para Bauru é um assunto que interessa não só à cidade, mas à região.
"É uma universidade de grande relevância para o Estado de São Paulo e que realiza 70% das pesquisas feitas entre as instituições públicas. A luta para a transferência da sede para Bauru tem sentido, tem lógica, mas vai demandar uma luta política acirrada", lembrou.
Para Paulo Madureira (PPB), a implantação da Reitoria em solo local elevará o nível educacional de Bauru e atrairá mais indústrias, gerando empregos. "Bauru
é a cidade certa em função da distância, do planejamento e de seu tamanho, portanto, nós temos as condições de proporcionar a vinda da sede da Unesp, mas todos os bauruenses devem lutar por isso", defendeu.
Madureira disse ainda que o governo do PSDB deve a transferêncida Reitoria a Bauru. "Mário Covas só tirou da cidade, não colocou nada aqui. Ele veio a Agudos, a Pederneiras e não esteve em Bauru, o que indica que ele riscou o nome da cidade do mapa, esqueceu de fazer investimentos aqui. Mas o governador precisa lembrar que nós, bauruenses, somos paulistas também e contribuímos com o Estado", discursou.
Seguindo discurso na mesma linha do pepebista, a vereadora Catarina Carvalho (PFL) declarou que a instalação da Reitoria da Unesp é um direito legítimo da cidade. "Bauru tem perdido muita coisa nos últimos anos. Por isso, a interiorização da universidade é uma questão que merece atenção e zelo dos nosso deputados estaduais. Não podemos nos desligar desse assunto."
Para Edmundo Albuquerque (PSDB), a questão da Reitoria
é uma oportunidade de mostrar a união de forças políticas da cidade. O tucano ponderou que a disputa não deve ser vista de maneira simplista, pois envolve muitos interesses.
"Por isso, precisamos lutar primeiro para que Bauru seja a cidade escolhida e, segundo, para ver qual será o prédio que sediará a Reitoria. A divergência de local pode dissipar as forças", alertou.
Erlon Junqueira (PDT) deu continuidade ao discurso de Albuquerque pregando a união de forças políticas da cidade.
"Não podemos ficar de fora do processo de interiorização da Unesp. A vinda da Reitoria seria uma grande conquista para Bauru", concluiu.