Vereadores apóiam movimento grevista
Texto: Daniela Bochembuzo
Banespianos lotaram galerias da Câmara Municipal; parlamentares se manifestaram contrários à privatização do banco
A privatização do Banespa dominou grande parte dos discursos proferidos na sessão de ontem pelos vereadores. A maioria dos parlamentares se solidarizou ao movimento grevista, cujos manifestantes lotaram as galerias da Câmara Municipal para protestar contra a possível venda do banco e exigir a garantia de emprego por um ano.
Os banespianos foram à Câmara Municipal após realizar uma assembléia extraordinária na frente da agência do Banespa na tarde de ontem, quando decidiram manter a grave. Depois disso, os manifestantes rumaram para a sede do Legislativo bauruense, onde se concentraram com carro de som, discursando para pedestres e motoristas que passavam pelo local. Muitos vereadores utilizaram o microfone para declarar apoio ao movimento grevista.
Durante a sessão, o apoio foi reafirmado pelos parlamentares através de discursos proferidos na tribuna da Câmara Municipal. José Carlos Pereira Batata (PT) manifestou repúdio contra a privatização e defendeu a união da população contra a venda do banco. "O Banespa
é um patrimônio do povo de São Paulo e assim deve ser mantido", argumentou.
Citando a Companhia Energética de São Paulo (Cesp), José Eduardo Ávila (PPB) disse que o governo está sucateando o País através do processo de privatização das estatais. "Os brasileiros estão vivendo uma situação dramática e ninguém fala nada. O governo está fazendo o que quer", desabafou.
Luiz Carlos Valle (PDT) criticou a privatização e definiu o processo como uma "fuga fácil" realizada por um governo "medíocre" e que não sabe evitar a crise político-econômica. Para o pedetista, o fracasso da privatização pode ser expresso pelo caso da Companhia Paulista de Força e Luz, que se tornou burocrática após ter deixado de ser estatal. "Por isso, peço a Deus para que o presidente da Assembléia Legislativa analise positivamente o pedido de plebiscito sobre a privatização do Banespa", declarou.
Para Majô Jandreice (PC do B), o Banespa avive um momento crucial com a privatização. Em função de ser um patrimônio público importante para os paulistas, a vereadora diz que a luta é necessária. "Este banco tem função social, pois financia pequenos produtores rurais, além de pequenas e médias indústrias. Em razão de informações distorcidas, o banco será vendido quase como uma doação, o que exige um levante do Estado de São Paulo", pregou.
Paulo Madureira (PPB) declarou que seria a favor da privatização caso ela fosse feita sem desmandos e discutida com os funcionários, que avalia estarem sendo esquecidos pelo governo estadual. "O Banespa é um símbolo do Estado. Quanto custa o nome Banespa? Custa a sua formação, a sua história, a representação que faz do Estado de São Paulo e isso tudo é resultado do trabalho de seus funcionários", lembrou.
Em discurso breve, o pedetista Erlon Junqueira disse que o povo
é quem está sofrendo com o processo de privatização das estatais. "O que ocorre é que os lucros são privatizados e os prejuízos, socializados, e quem arca com isso é somente a população", declarou.