A famosa cadeirinha é utilizada para transportar crianças com menos de 5 anos. O que ninguém sabe é que ela tem que ser colocada de trás para frente, de modo que a criança fique de costas para os bancos dianteiros. Gestantes, de maneira geral, podem dirigir até 8 meses de gravidez, salvo proibição médica.Quais os procedimentos seguros para proteger a mulher grávida e o bebê durante uma viagem de carro? Eis aqui algumas dicas úteis que podem auxiliar pais e mães ou futuras mamães no trânsito.Estudos realizados pela equipe de médicos da Associação Brasileira de Medicina no Tráfego (Abramet), indicam que nada impede que uma gestante use o cinto de segurança de três pontos ou mesmo o abdominal. Desde que colocado adequadamente, o cinto não prejudica o feto, muito menos atrapalha o seu desenvolvimento. Os supervisores de trânsito da polícia militar, sargento Rodrigues e sargento Sílvio, no entanto, aconselham que a gestante viaje sempre no banco traseiro. Há casos de gestantes com 8 meses de gravidez que ainda dirigem tranqüilamente. Isso comprova que o tempo de gestação limite para a pessoa parar de dirigir varia muito de mulher para mulher. Cada caso deve, portanto, ser avaliado por um profissional especializado da área médica . "O conselho da polícia militar é que a gestante evite dirigir, viaje no branco de trás e use o cinto de segurança", afirma o sargento Sílvio.Quanto à colocação do cinto de segurança, nada de deixá-lo mais bambo para não fazer a pressão sobre o bebê. A faixa transversal do cinto deve ser ajustada no meio do ombro, e a de baixo, passar por cima dos quadris, mas nunca sobre a barriga. Colocar um travesseiro pequeno entre o cinto e a barriga pode ajudar, mas não é um procedimento obrigatório.Crianças com menos de 5 anosA forma correta de transportar o bebê é sempre no banco de trás, em cadeirinha apropriada, atada com cinto de segurança. A mãe deve sentar-se ao lado e também usar o cinto. Criança no colo da mãe: nunca!O Código de Trânsito Brasileiro tem um dispositivo de lei que normaliza a viagem de crianças com menos de 10 anos no banco da frente, se o carro não tiver banco traseiro, o que é o caso de camionetes, por exemplo.Em veículos de passeio, crianças com 5 anos ou menos devem, obrigatoriamente, viajar sentadas em uma cadeirinha adequada para cada idade ou tamanho. Essa cadeirinha, ao contrário de como é comumente usada, deve ser colocada de trás para frente, de modo que a criança fique com as costas voltadas para os bancos dianteiros do carro. Essa é uma medida de segurança que evita que, no caso de uma freada ou impacto, a caixa torácica e o pulmão sejam prejudicados pela ação do cinto de segurança.Em viagens longas realizadas com a criança virada para o banco traseiro, é necessário realizar paradas periódicas para evitar o cansaço decorrente da posição incômoda.A cadeirinha tem que ficar presa pelo cinto de segurança do veículo. Os policiais militares aconselham que os pais adquiram cadeiras novas, diretamente da loja, com garantia de fabricação. Se a idade da criança for superior a 5 anos, o cinto de segurança é obrigatório no banco traseiro. Acima de 10 anos ou 1,40 m de altura, a criança já fica liberada para ser co-piloto e viajar no banco da frente, sempre usando o cinto.Em pé na caçambaQuem já não deu uma voltinha na caçamba da camionete do tio? Aquele vento forte no rosto, sensação de liberdade... E o perigo, alguém pensou nele?Transportar crianças em pé ou sentadas na caçamba de uma camionete também é proibido por lei e, se a polícia abordar uma situação como essa, o veículo é aprendido e o condutor comete infração grave (5 pontos na carteira) com multa de 180 UFIRs, cerca de R$ 200,00. "Aqui em Bauru nós temos uma série de problemas com relação a esse tipo de infração, mas nós procuramos orientar as pessoas. Difícil é conter essa prática em locais como o litoral, por exemplo", comenta o sargento Sílvio.Transporte escolarA portaria 174/98 estabelece normas para essa modalidade de transporte, que envolve vários tipos de veículos: peruas, bestas, topics e ônibus. Cada tipo de veículo comporta uma quantidade diferente de crianças. A lei determina que todas as crianças deverão utilizar o cinto de segurança. Outros equipamentos também são obrigatórios como luzes intermitentes nas laterais dianteiras e traseiras e extintores de incêndio de cinco quilos. O motorista deve ser credenciado e ter passado por um curso para motoristas de veículos escolares ministrado pelo Senai. A lei obriga também que o codutor tenha um alvará autorizando a atividade, emitido pela prefeitura municipal.Tão importante quanto verificar se o motorista está habilitado é certificar-se de que o veículo tem o alvará de autorização. Se for destinado ao transporte de crianças, pode ter sua capacidade aumentada. Uma Kombi que comporta oito adultos pode levar 12 crianças, com cinto para todas elas. Os vidros não poderão abrir mais que 10 centímetros e o veículo deve possuir o tacógrafo para o controle da velocidade.Crianças sozinhas em veículosDeixar as crianças sozinhos nos veículos pode causar até a morte. Os supervisores de trânsito relataram um caso ocorrido na semana passada, na rua Virgílio Malta, no qual o policial foi chamado e econtrou uma criança dormindo sozinha dentro de um veículo com os vidros completamente fechados. "Se a mãe demorasse mais cinco minutos para chegar ao local, o policial teria quebrado o vidro", conta o sargento.Outro risco é que o carro pode ser roubado, a criança tornar-se refém, um caminhão bater no veículo estacionado. Se a criança não for tão quietinha assim, o perigo é maior. Bastam alguns minutos para o sapequinha aprontar "alguma", mexendo nos controles do veículo, soltando o freio de mão, mudando a marcha ou até mesmo causando um incêndio. Pode parecer exagero mas, quando se trata de crianças, todas as hipóteses precisam ser consideradas e todo cuidado é pouco!Dependência por carros é culturalUsar o carro para todo tipo de locomoção é muito cômodo e confortável, certo? A reposta é: nem sempre. Às vezes, a facilidade é apenas ilusória, principalmente quando faz-se necessário procurar um local para estacionar... O resultado é tempo gasto desnecessariamente e estresse. A solução, uma boa caminhada!"Eu uso o carro para tudo porque eu tenho carro. Dificilmente eu vou a pé a algum lugar porque o carro já fica fora da garagem. Eu utilizo para ir para o trabalho, buscar minha filha na escolinha, ir ao supermercado, à missa, para tudo o que eu faço. Eu, realmente, não viveria sem ele, ficaria difícil. Tanto é que eu nem saberia andar de ônibus em Bauru". Este depoimento da assistente de exportação Poliany Neves que possui um Ford Fiesta, de cor roxa, é revelador de como o carro faz parte da vida das pessoas, funcionando como uma extensão delas mesmas. Usar o carro tornou-se uma atitude tão intrínseca e corriqueira, que as pessoas que o possuem, não percebem que ao utilizarem dele para qualquer tipo de locomoção, estão criando uma certa dependência com relação ao veículo. Essa dependência não é no sentido de patologia ou doença, mas sim, um costume arraigado, que diz respeito a uma característica cultural da nossa sociedade.Essa é a análise da psicóloga e pedagoga Adriane Branco Folkis. De acordo com ela, na nossa sociedade, o carro tem um significado muito forte de independência. É uma grande conquista para o adolescente de 18 anos tirar a carteira de habilitação e conseguir comprar o seu veículo. Esse seria um dos motivos que poderiam justificar a dependência pelo carro.Um outro fator seria o carro visto como facilitador no dia-a-dia das pessoas, ávidas, cada vez mais, por comodidade e conforto. Acredita-se que gasta-se muito mais tempo caminhando ou pegando um ônibus ou mototáxi, para ir ao banco, por exemplo. "É uma forma de comodidade que nem sempre se comprova e que, muitas vezes, é ilusória. A pessoa não percebe que para ir à padaria da esquina perde muito mais tempo indo de carro, do que indo a pé. Procurar um local para estacionar, pagar área azul, tudo isso, além de provocar um estresse muito grande, sai muito mais caro. Perde-se, neste caso, muito mais tempo indo de carro do que indo a pé", comenta Adriane.A dependência pelo carro pode começar antes dos 18 anos, na adolescência. É, também o caso de Poliany, que mesmo antes de tirar a carteira de habilitação já dependia do carro dos pais para se locomover aos locais que necessitava. Quando a pessoa não tem carteira de habilitação e não possui carro, fica muito dependente das pessoas ao seu redor ou, então, se utiliza de outros meios de transporte como ônibus, a bicicleta e, até mesmo, a caminhada.Uma vez de posse do carro, a satisfação e o sentimento de independência são tão grandes, que fica difícil se desligar depois. A grande maioria das pessoas que tiram carteira de habilitação esquecem qualquer outro meio de locomoção e pensam que se não possuírem um carro, não vão mais para lugar nenhum.Começando a se desligarSegundo a psicóloga Adriane, é importante que a pessoa tente se desligar um pouco do carro e começe a caminhar mais. Isso evita um certo sedentarismo e também ajuda a aliviar o estresse. "Quando a gente dirige, volta a atenção para o ato de dirigir e não consegue prestar atenção no mundo ao seu redor, nas árvores, numa loja que inaugurou, por exemplo. Então, a carga de estresse é muito grande", afirma. Valorizar os momentos de caminhada, que são relaxantes e, nos quais, pode-se convidar alguém para conversar, ou mesmo observar a paisagem, é a grande dica para acabar com a dependência e, conseqüentemente aliviar a tensão causada pelo trânsito. O sedentarismo é outro aspecto que vai diminuir. "As vezes uma pessoa vai para a academia de carro para malhar, sendo que só o fato de caminhar até o local e voltar já seria a grande oportunidade de realizar os exercícios físicos", comenta.
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