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Monti

Nélson Gonçalves
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Ele é o único deputado federal da região, mas disse que nunca foi procurado pelo prefeito Nilson Costa (PPS) para atuar por Bauru em Brasília (DF). Miltom Monti quer a oxigenação no PMDB, defende a candidatura do presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, para o Governo do Estado em 2002 e quer presidir o partido em São Paulo. O deputado federal recebeu o JC em sua residência, ontem, em São Manuel, onde falou sobre o projeto que defende para seu próprio partido, as atuações no Congresso e os problemas do Governo Federal. Entre eles, Miltom Monti criticou que a mais importante das reformas para o País não sai do papel porque o Governo tem medo da mudança, referindo-se à Reforma Tributária. Lei os principais pontos da entrevista:Jornal da Cidade - O senhor é autor de emendas ao Orçamento que trazem verbas para os hospitais de Jaú e Botucatu?Miltom Monti - As emendas pedem R$ 10 milhões para o Hospital Amaral de Carvalho, de Jaú, e quantia igual para o Hospital da Faculdade de Medicina de Botucatu. São hospitais de excelência, referências na região e que atuam para populações de vários municípios. Apresentamos a proposta e a bancada de São Paulo assumiu a emenda, o que garante esta emenda no Orçamento. A próxima etapa será conversar com o sub-relator e depois com o relator para que a emenda seja assegurada no máximo possível. Não podemos assegurar os R$ 10 milhões para cada hospital, mas asseguramos os recursos e agora é só discutir o valor.JC - A bancada paulista de deputados também atenderam a pedidos do governador Covas (PSDB)?Monti - Sim, o governador se reuniu com bancada na última quarta-feira e levou dois pleitos. Um deles é para o Rodoanel, uma obra importante não só para São Paulo mas também para todas as partes do País em matéria de escoamento de cargas. O governador pediu R$ 35 milhões no Orçamento federal. O outro pleito do governador, também importante, é para a construção de presídios. São recursos para o Fundo Penitenciário no valor de R$ 72 milhões. Nós sabemos que infelizmente os distritos se transformaram em presídios e não há vagas. Rebeliões e fugas evidenciam as deficiências nessa área e nós encaminhamos também esta proposta de emenda ao Orçamento pela bancada paulista, independente da questão partidária.JC - O governador recorre aos deputados para buscar verbas para o Estado e o prefeito de Bauru, procurou o senhor para isso?Monti - Não, o prefeito de Bauru não me procurou ainda e é claro eu estarei sempre disposto a ajudar, sou o único deputado federal da região e acho possível incluir uma obra importante para uma das emendas de bancada, por exemplo, se conseguirmos trabalhar juntos. Temos que mostrar que é uma necessidade regional e podemos fazer para os próximos anos. Não quero criar polêmica, estou à disposição. Antes de tomar posse eu visitei o prefeito de Bauru e me coloquei à disposição, mas depois disso nada mais aconteceu. Se solicitado for vou ajudar.JC - O salário mínimo vai a R$ 180,00?Monti - Acho que é uma proposta quase unânime no Congresso e o próprio Governo dá sinais de que não vai por obstáculos. Mesmo de R$ 180,00 é um salário muito baixo. O que é preciso fazer é encontrar as fontes e existem. A questão está ligada mais à Previdência, porque as empresas privadas já pagam bem mais que o salário mínimo para a grande maioria dos trabalhadores. Quem tem sindicato organizado tem piso e nunca é menor que um salário mínimo. A questão é que o Governo terá 11 milhões de aposentados que terão que ganhar não R$ 151,00 mas R$ 181,00. Mas existem alternativas para esta despesa, há cortes que podem ser feitos no Orçamento e também podemos discutir uma meta diferente para o superávit para o próximo ano, reduzindo um pouco.JC - E a Reforma Tributária, não vai sair?Miltom - O Governo comete um grande equívoco em relação a mais importante das reformas, a tributária. O Governo vem vendo sua arrecadação crescer a cada mês e ano e tem medo de fazer mudança, tem medo de projetar o que vai arrecadar com a reforma. O presidente Fernando Henrique passou quatro anos falando dessa reforma e está numa situação cômoda, tendo receitas crescentes. Ocorre que os efeitos da legislação tributária atual é profundamente perverso, pernicioso para o País, para as empresas, para o trabalhador. A tributação é extremamente distorcida e o Governo tem medo de mexer no sistema atual. Acho que se a proposta for bem elaborada o Governo poderá arrecadar até mais e de forma mais justa. Mas o Governo não quer que a Reforma Tributária aconteça. Os maiores bancos brasileiros não pagam Imposto de Renda e tem que pagar. O Governo pode arrecadar mais, mas não mostra vontade.JC - O PMDB tem perfil governista. O deputado Miltom Monti tem que perfil?Monti - O PMDB tem que ter um perfil mais independente, eu tenho agido assim. Nós temos que fazer o que pudermos para ajudar e isso não significa ser adesista, se entregar ao governo. Acho que o meio termo é ter postura de criticar quando tiver que ser, votar contra, fazer restrições e ajudar o País. O PMDB não é um partido de oposição, acho que não devemos ser oposição por oposição, mas também não concordo com a posição de adesismo.JC - O senhor quer ser presidente estadual do partido. Ele terá que se oxigenar?Monti - Isso sempre acaba acontecendo com todos os partidos e acho que temos lideranças emergentes em São Paulo, como o presidente da Câmara, Michel Temer, que tem todas as condições de ser o nosso candidato e de vencer a eleição daqui há dois anos. O partido vai passar por uma remodelagem em São Paulo, vamos trazer novas lideranças no partido e estamos discutindo a nova direção, eu sou um postulante a presidir o partido. Não queremos excluir ninguém, execrar ninguém, mas queremos oxigenar. O Quércia, por exemplo, é uma liderança do partido, tem seu peso e sua história. Nós vamos somar mais pessoas e temos o projeto da candidatura do Michel Temer no Estado, sem afrontar ninguém. O partido não pode ser o Quércia, do Miltom Monti, do Michel Temer. O que vai acontecer no diretório estadual vai acontecer nos diretórios principais do Interior e Bauru também vai acontecer, vai oxigenar, vai remodelar, crescer, reavaliar com novas lideranças. Meu irmão já começou a trabalhar assim em Bauru. Não temos que eliminar ninguém, temos que trabalhar com novas lideranças para a democracia social. O País tem democracia política, social não.

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