A luta travada, por enquanto, entre Botucatu e Bauru para receber a sede da Reitoria da Unesp é movida por interesses externos e internos. Em tese, a transferência traz mais dividendos ao município que recepciona o órgão executivo da instituição do que ao próprio câmpus, mas nos bastidores essa suposição não se confirma.Muitos grupos da instituição acreditam que a transferência para determinada unidade pode fortalecê-la politicamente em relação às demais. Em razão disso, muitos debates promovidos internamente superam o distanciamento pregado pelas lideranças da universidade em relação à Interiorização.O debate acalorado, por exemplo, tem reaberto alguns feridas, como a recente luta de alguns segmentos pela emancipação da Faculdade de Medicina de Botucatu da Unesp. O fato, considerado indigesto, leva à rejeição da idéia de Botucatu receber a sede da Reitoria.Já o câmpus de Bauru teria como ponto negativo o fato de ser a mais nova unidade encampada pela instituição, o que aos olhos dos professores e funcionários mais antigos da instituição não lhe daria o direito "natural" de pleitear a transferência.Há outros grupos que consideram a infra-estrutura do câmpus de Bauru ainda precária em relação às demais unidades, o que exigiria maiores investimentos da Unesp e, conseqüentemente, poderia onerar a transferência. Daí alguns políticos locais já estarem discutindo o imóvel onde a sede poderia ser instalada no Município."Em relação aos deslocamentos dos conselheiros e diretores de institutos e faculdades a São Paulo, seria bastante interessante a transferência da Reitoria, inclusive do ponto de vista financeiro. Mas a comunidade da Unesp ainda não tem condições de imaginar os reais benefícios que essa mudança pode trazer à instituição", pondera Rubens Zapater, presidente da Assuneb.Para Zapater, a transferência trará dividendos ao município que sediar a Reitoria, uma vez que a Unesp é uma instituição de renome internacional. Por essa razão, ele considera interessante que a comunidade externa lute para receber a sede do órgão executivo da instituição. "As forças da comunidade podem se envolver na questão, mas há interesses localizados na capital que não sabemos se poderão favorecer ou desfavorecer uma cidade em detrimento da outra", observa.Norival Agnelli, presidente da Adunesp, considera saudável o envolvimento da comunidade, por meio de entidades organizadas, poder público, clubes de serviço e o comércio, no processo de Interiorização da Unesp. "Do ponto de vista econômico, é uma alocação de recursos bastante significativa para o município, e do ponto de vista educacional confere status", analisa.Para Edwin Avoglio, presidente do GAC, a conquista por status é que está movendo o debate da Interiorização da Unesp feito por lideranças bauruenses. "Como é uma instituição de nível estadual, ter a sede da Unesp configura maior peso para a cidade, mas a questão de geração de empregos diretos não é verdadeira, porque esses postos já estão preenchidos", alerta.Assim, embora não veja benefícios diretos para a cidade e o câmpus de Bauru receberem a sede da Reitoria a não ser a facilidade na resolução de problemas internos -, Avoglio considera o envolvimento político em torno do tema natural. "Por meio da luta pela transferência da Reitoria se faz uma defesa da região", afirma
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