A Diocese de Bauru está preocupada com a segurança das igrejas da cidade, principalmente as localizadas na área central, onde o movimento de pessoas é intenso, revelou o monsenhor Almir Cogiola, padre a Igreja de Santa Rita e membro do Colégio dos Consultores da Diocese. Ele disse que, apesar de as igrejas não contar com segurança ostensiva - apenas a Catedral do Divino Espírito mantém vigia -, sabe-se que a segurança é um problema.Os freqüentadores das igrejas, segundo Cogiola, têm relatado aos padres sobre a presença de pessoas de comportamento suspeito nos templos. Exceto os fatos ocorridos na Igreja de Santa Teresinha, monsenhor Almir Cogiola desconhece qualquer outra ação de vandalismo, furto ou roubo em outras igrejas da cidade.Cogiola disse que a contratação de segurança privada ainda não chegou a ser discutida na Diocese de Bauru. No entanto, afirmou que a segurança privada na igreja já é bem-vinda. Ele lembrou que as igrejas de São Paulo, por exemplo, têm segurança privada.O padre Antônio Pires Nunes Rocha, pároco da Catedral do Divino Espírito Santo, disse que a igreja tem segurança privada das 7h30 às 22 horas já há algum tempo. Ele contou que no mês passado, por exemplo, foram atendidas 470 pessoas na igreja, além daquelas que entraram e saíram sem requisitar atendimento.Ele ressaltou que são pessoas dos mais diversos lugares e solicitando coisas distintas. Durante o dia, uma funcionária, além de cuidar da limpeza da igreja, observa a movimentação dos presentes. Das 17 às 22 horas a segurança é feita por um vigilante de empresa privada, que fica na porta da igreja observando a movimentação.Quadros da via-sacra são furtados da Igreja de S. TeresinhaAté as igrejas não estão escapando da ação dos ladrões. Dois quadros da Igreja Santa Teresinha, localizada na Praça Rodrigues de Abreu, Centro de Bauru, foram furtados. Os quadros representam episódios da via-sacra (série de 14 quadros que representam as principais cenas da paixão de Cristo) e estavam afixados nas paredes internas da igreja, segundo contou Lígia Zammataro Fernandez, secretária da igreja.Os quadros medem cerca de 40cm x 60cm e são de madeira entalhada, feitos por um padre italiano que mora em São Paulo, cujo nome Lígia não soube informar. Os quadros furtados referem-se a 7.ª e 8.ª estações da via-sacra - a 7.ª estação é a cena que Jesus cai ao solo pela segunda vez e, a 8.ª estação, a cena em que Jesus encontra as santas mulheres. O furto foi percebido no sábado, mas um dos quadros já havia sido furtado há cerca de 20 dias e recuperado e devolvido à igreja pelo comerciante Marco Antônio Dal Médico, freqüentador da igreja. Um homem descrito como moreno, alto e corpulento, entrou na loja de Dal Médico, que fica a três quadras da igreja, e ofereceu o quadro por R$ 10,00. A igreja não soube avaliar o preço dos quadros furtados.O homem disse que o quadro havia sido feito por um amigo, que estaria preso na Penitenciária II de Bauru. Reconhecendo que o quadro pertencia à Igreja de Santa Teresinha, o comerciante o comprou. Dal Médico disse que não chamou a polícia na hora porque ficou com receio de sofrer represálias posterior por parte do vendedor. Menos de um mês após voltar para a igreja, o quadro foi furtado novamente. Os responsáveis pela igreja fizeram boletim de ocorrência e o caso está a cargo da Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DG/Garra). Preocupado com a segurança, o pároco da Igreja de Santa Teresinha, padre Rosinaldo Faria de Sousa, já está fazendo uma cotação de preço para contratar serviço de segurança privada, de acordo com Lígia.A Igreja de Santa Teresinha fica aberta das 8 às 22 horas e em alguns horários o número de visitantes é pequeno, provavelmente momento que deve ter ocorrido o furto. A mesma preocupação com segurança levou a Catedral do Divino Espírito Santo, localizada na Praça Rui Barbosa, a contratar um guarda.Segundo contou o pároco da Catedral, padre Antônio Pires Nunes Rocha, os gastos com segurança chegam a cerca de R$ 800,00 por mês. Ele explicou que é preciso guarda, que fica na porta da igreja verificando o movimento das pessoas dentro e fora do templo, em função do grande número de pessoas que passa pelo local.Igreja sofreu pichaçãoTambém recentemente, a Igreja de Santa Teresinha foi alvo dos pichadores duas vezes na mesma semana. Na manhã do dia 7, o padre Rosinaldo constatou que as portas haviam sido pichadas com letras grandes. Dois dias depois, no dia 9, as paredes da frente da igreja amanheceram pichadas.O padre Rosinaldo lembrou que a Igreja de Santa Teresinha é considerada patrimônio público e foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Codepac). Em carta enviada à Tribuna do Leitor do JC, o padre disse que "estamos nos sentido aviltados com tamanha ousadia e desrespeito com uma casa de Deus, que faz parte da história deste município desde 1931".
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