Como você, sou, também, fruto de dois atos praticados por meus pais: doação e amor. Doação quando concebido; e amor, quando eles optaram por meu existir. Não tivessem optado, o palco estaria incompleto, faltaria um personagem. A censura do aborto calaria minha voz, não assumiria meu papel no teatro da vida. Não apertaria fraternalmente sua mão, você não estaria lendo esta carta, não sentiria a leveza da brisa matutina a brincar no rosto, a envolver o corpo; não lhe diria um vibrante "bom dia", um cordial "até amanhã", não caminharia feliz por ter a oportunidade de enfrentar meus problemas e poder crescer. Graças a esse simples ato de verdadeiro amor daquela que preferiu me agasalhar em seu útero, recebendo como única paga a alegria de ser chamada de "mãe!", permite, ainda hoje, que eu desempenhe os papéis a que me propus; dos quais, os vitoriosos, que fazem de minha vida um sonho, aqueles brilhantes, alvos de aplausos, pouco me lembro; mas, daqueles em que fracassei, que me forçaram a refazer os caminhos, às vezes fazendo de minha vida um pesadelo, desses sim, vivamente me recordo; pois, cada um deles encerra preciosas lições, fruto desse ato abençoado de doação e amor... (José Carlos Dias da Silva - RG: 2.252.100)
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