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Pombas

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 3 min

É impossível controlar a população de pombas. Isso acontece porque existe um desequilíbrio ecológico muito grande, segundo o professor de zoologia e ornitologia do Departamento de Ciências Biológicas da Faculdade de Ciências da Unesp de Bauru, Reginaldo José Donatelli. "Na Alemanha, tentaram controlar a população de pombas com aplicação de anticoncepcional. Mas foi ineficiente, porque as pombas começaram a morrer com a aplicação. Não dá para controlar a população de pombas", disse Donatelli.Para tentar minimizar o problema, existem repelentes. Eles não controlam a população de pombas, mas as afastam dos locais. São repelentes químicos, físicos e ultra-sônicos.Existem algumas espécies de pombas que vivem na cidade, entre elas as avoantes e as domésticas. A pomba avoante ocorre em pequenas quantidades no campo, mas está aumentando muito na cidade. O Bosque da Comunidade, nos Altos da Cidade, se tornou um dos locais onde essa espécie de pomba pode ser encontrada facilmente. "As áreas que elas habitavam, historicamente, foram desmatadas para plantações de monocultura, como café, o que causou a superpopulação dessas aves, que se aglomeram facilmente. Eu tenho visto as pombas avoantes no Bosque da Comunidade e em outras partes da cidade num número muito maior do que deveria ocorrer", explicou o professor.Já as pombas domésticas são encontradas facilmente em praças de todo o País (como na Praça da Sé, em São Paulo, ou na Praça Rui Barbosa, em Bauru) e são as que mais preocupam. A pomba avoante costuma se aglomerar em grandes concentrações e causa diversos prejuízos. "Na região de Assis, há cerca de 6 anos, essas pombas ficavam nos canaviais e comiam as plantações dos fazendeiros. Isso causou um problema social imenso, porque esses fazendeiros tinham muita perda de grãos", contou Donatelli.As pombas avoantes costumam fazer seus ninhos em prédios e construções, o que incomoda a população em geral, devido à sujeira que elas fazem. Essa espécie de pomba não causa doença.Ao contrário da avoante, a pomba doméstica, que ostenta a imagem de símbolo da paz, é um problema para a sociedade. Ela é responsável pela transmissão de mais de 60 tipos de doenças, como a candidíase e a toxoplasmose. As doenças são transmitidas através das fezes e urina. Barrar a superpopulação de pombas na cidade só pode acontecer através da conscientização da população. Elas vivem na cidade porque existe alimentação. As aves que vivem na cidade se alimentam de grãos e derivados, como restos de comida deixados nas ruas. As pessoas também colaboram dando comida as pombas. "É um problema de educação. Mesmo sabendo que as pombas causam problemas de saúde, as pessoas não deixam de alimentá-las em praças. Outras alimentam as aves sem saber o risco que correm", completou o professor.A maioria das doenças é transmitida pelas fezes da ave. Depois de secas, as fezes criam fungos que vão para o ar e podem ser inalados pelas pessoas. A grande concentração de ácido úrico nas fezes das pombas dificulta a retirada do excremento, além de corroer a superfície atingida.Donatelli explicou que a melhor maneira de combater o problema das pombas é a conscientização da população, que não deve alimentar as aves.Vale lembrar que apesar de ser considerada uma "praga", a ave é protegida pelo Ibama e não pode ser morta. Pombas em Bauru O câmpus da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB/USP) é um dos pontos da cidade que está enfrentando problemas com as pombas avoantes. O professor Donatelli afirmou que a partir de agora a rotina das aves será acompanhada e só então as medidas para afastá-las serão tomadas.

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