Apesar da queda de vendas provocada pela concorrência dos supermercados, a feira livre sobrevive apostando na tradiçãoO costume do bauruense de comprar verduras, legumes e frutas nas feiras livres mantém-se vivo, mesmo com o grande número de supermercados abertos aos domingos. De acordo com os feirantes da feira livre da rua Gustavo Maciel, o movimento caiu bastante nos últimos anos e a qualidade é o grande argumento utilizado para atrair os consumidores quando o preço é maior. Esse é o artifício utilizado pela feirante Dulcinéia Aparecida Frederico, que tem uma banca de venda de laranjas. Segundo ela, o preço pode ser maior que no mercado mas a qualidade das frutas na feira é bem melhor. E as vendas? De laranja, estão ótimas, conta. A opinião quanto à venda de frutas não é a mesma para a feirante Janira da Silva, que herdou a profissão do avô e do pai. Quando Janira começou a atividade como feirante, há 17 anos, as vendas eram bem melhores. Hoje é péssimo, em função dos aumento do número de supermercados em Bauru e da abertura dos mesmos aos domingos, afirma. Os mercados adquirem os produtos diretamente dos produtores, enquanto que os feirantes necessitam comprar do Ceasa, o que faz com que o preço de venda praticado nas feiras seja mais elevado, principalmente das frutas.O movimento e assiduidade dos consumidores, segundo Janira, vem caindo nos últimos anos. Eu acabei de falar para o meu marido que a gente tem que parar com isso aqui. Já deu o que tinha que dar, desabafa. Na banca de Janira podem ser encontrados diversos tipos de frutas, mas a mais vendida é o mamão da qualidade papaia ou formosa. Frutas de época também são bastante procuradas pelos consumidores. Faz dez anos que eu faço feira ao domingos, conta o professor de História da Arte e Pintura da Universidade Estadual Paulista (Unesp), câmpus de Bauru, José Marcos Romão da Silva. A principal diferença da feira com relação ao supermercado, de acordo com Romão, é que os produtos são de mais frescos na feira. Me parece que no supermercado os produtos não são muito frescos, afirma. Romão não tem percebido nenhum aumento substancial dos preços dos produtos na feira. As diferenças com relação ao supermercado ficam por conta de apenas alguns produtos que são colocados em promoção. Pastel de domingoA comerciante Andréa Rita Pasquarelli vem com o marido Júlio César e os dois filhos Karina e Vítor, todo santo domingo para comer pastel na feira. As crianças gostam e se acostumaram desde pequenas. É um ambiente gostoso e o pastel é muito bom, afirma Andréa.Para comprar verduras, legumes e frutas, Andréa prefere o supermercado por uma questão de tempo, por ser mais prático e em função da correria da vida. 30 anos de feiraFeirante há cerca de trinta anos, José do Divino de Almeida, desde o início dos anos 70, sempre teve a sua barraca para a venda de fumo de corda e palha na feira da rua Gustavo Maciel. Ele conta que, ultimamente, as vendas de fumo caíram bastante e atribui o fato à falta de dinheiro da população. O povo está parando de fumar o cigarro de palha, apesar de fazer menos mal do que o cigarro industrializado, afirma o feirante que vende a R$ 2,00 cada 100 gramas de fumo, junto com a palha para produzir o cigarro.Feira do roloNo final da rua Gustavo Maciel, junto à antiga estação da Fepasa, funciona a chamada feira do rolo, com barracas que comercializam desde discos antigos, CDs piratas, cigarros, até peças antigas, eletroeletrônicos usados, ferro velho, quinquilharias e outros produtos. A banca de discos de vinil do feirante Ernesto Carvalho já tem seis anos de existência e é freqüentada por médicos, advogados, outros profissionais liberais e colecionadores de discos de vinil. De acordo com o feirante, as pessoas mais jovens não são muito interessadas em vinil, de modo que o a maior parte dos consumidores desses discos estão na faixa dos quarenta anos.As mercadorias que estão disponíveis na feira são encontradas, juntadas pelos feirantes e depois trazidas na feira para a venda e troca. Alguns feirantes, segundo Ernesto, também ganham produtos usados. Tudo o que as pessoas procuram aqui em termos de coisas usadas, elas encontram. É serra, bicicleta, é tudo, afirma. O estudante de arquitetura da Unesp, Antônio Augusto Dalkimin Neto freqüenta sempre a banca de vinil para comprar raridades do rocknroll e da "disco music". Dalkimin já comprou também um videogame Atari na feira do rolo, que segundo ele estava em bom estado e até foi testado por um técnico, no momento da compra. Para utilizar no curso de arquitetura, vem sempre procurar maquetes de carros, prédios e estruturas. Na feira do rolo eu acho de tudo, afirma.Para se ter uma idéia da diversidade dos produtos que são vendidos na feira do rolo, a reportagem do JC, encontrou até um garoto comercializando animais de estimação (filhotes de gatos e cachorros) por R$ 10,00 cada.
escolha sua cidade
Bauru
escolha outra cidade