A falta de medicamentos para prestar atendimento ambulatorial adequado à população resultou na elaboração de um B.ODuartina - As dificuldades enfrentadas pelo Pronto-Socorro de Duartina viraram caso de Polícia. Na última terça-feira, a falta de medicamentos para atendimento ambulatorial revoltou a médica Ana Márcia Menechelli Moraco e acabou resultando na lavratura de um Boletim de Ocorrência (B.O.).De acordo com a médica, o estopim de sua indignação foi acionado quando três pessoas procuraram o Pronto-Socorro, na última terça-feira, por volta das 13 horas, para tratar do problema de pressão alta. Segundo o relato de Ana Márcia, que estava em serviço naquele momento, um homem chegou para ser atendido, aparentemente à beira de um infarto. Logo em seguida, uma gestante chegou a desmaiar sem ter aonde ser medicada. Outra mulher, também com problemas de pressão, estava à espera de atendimento.Sem ter medicamentos suficientes para prestar o correto atendimento aos pacientes, Ana Márcia achou que a melhor atitude a ser tomada, diante daquela situação, era ir até a Delegacia de Polícia e registrar um Boletim de Ocorrência. Tomei essa atitude como prevenção. Eu sei que a polícia não vai obrigar o prefeito a comprar remédios. Mas, caso algum paciente venha a morrer por falta de medicamentos, as autoridades competentes estarão cientes da situação, disse a médica, que trabalha no Pronto-Socorro (PS) de Duartina há 17 anos.Ana Márcia, garante que faltam medicamentos básicos ao PS, como soro, materiais para curativo, analgésico, entre outros. Segundo ela, na quarta-feira, um dia após o registro do boletim, a Prefeitura entregou alguns remédios. Porém, a quantidade foi considerada insuficiente pela médica.Até mesmo um promotor foi procurado para cuidar do caso, mas ele teria recomendado a Ana Márcia que levasse essa situação ao conhecimento do Tribunal de Contas. Segundo a médica, a Prefeitura recebe, a cada três meses, recursos do Governo do Estado, para serem gastos com a Saúde.Um vereador, que também é médico, teria alertado os demais membros da Câmara Municipal a respeito da situação atual do PS da cidade. O prefeito Jorge Maranho (PSDB) foi procurado ontem pela reportagem do Jornal da Cidade, para comentar o caso, mas a informação passada por uma funcionária da Prefeitura era a de que ele estava viajando.Porém, Ana Márcia garante que o prefeito não esconde sua intenção de não assumir novos compromissos com fornecedores para não ser enquadrado pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Se essa intenção existe realmente, somente o prefeito poderá responder, mas, enquanto isso, a médica questiona o que seria mais importante, diante de uma situação semelhante, respeitar a lei ou salvar vidas?Em agosto, Ana Márcia já havia feito outra denúncia contra as condições de trabalho no PS de Duartina. Naquela ocasião, ela revelou a existência de ratos entre os alimentos entregues pelo PS aos pacientes. A partir do próximo ano, ela tomará posse como vereadora, e desde já deixa claro que sua luta será pela melhoria no sistema de Saúde Pública do município.
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