A geada e a estiagem que atingiram todo o Estado no meio deste ano prejudicaram consideravelmente as lavouras de abacaxi da região. As frutas, que começam a ser colhidas em outubro, tiveram seu tamanho reduzido em 15%, em média, e a saída foi vendê-las para as indústrias de processamento. O abacaxi in natura acabou ficando escasso no mercado, destacou o produtor Paulo Rangel Filho.Mesmo assim, ele não acredita que tenha havido uma grande alteração no preço praticado no mercado. De acordo com ele, frutas vindas de outras regiões compensaram a lacuna.Já o também produtor Saburo Umetsu salientou que, em relação ao ano passado, houve um aumento de 40% no preço cobrado pelo quilo da fruta. De acordo com ele, em 1999, um quilo de abacaxi estava sendo comercializado a R$ 0,25 e, neste ano, subiu para R$ 0,35.Os maiores prejudicados com a queda de temperatura e falta de chuvas neste ano foram os produtores que não utilizam sistema de irrigação. Saburo Umetsu, por exemplo, tentou se prevenir, mas não teve muita sorte. Ele comprou o sistema em maio mas, devido ao grande número de pedidos, o fornecedor não conseguiu atender a todos os clientes a tempo. O agricultor só recebeu sua encomenda em agosto, depois que o período crítico de seca já tinha passado. Bauru é a segunda maior região produtora de abacaxi no Estado, ficando atrás somente de Guaraçaí. Segundo informou Rangel Filho, de outubro a março, época da safra da fruta, os produtores locais chegam a colher 10 mil toneladas. A produção é vendida para outros Estados, como Rio de Janeiro e Paraná. Em Bauru, o consumo não é tão acentuado, de acordo com os produtores.Dentro de aproximadamente 15 dias, o mercado estará recebendo frutas mais saborosas e de melhor qualidade, conforme indicou Rangel Filho. Isso porque estarão chegando às prateleiras de supermercados as que foram plantadas depois da brusca queda de temperatura.O período de maior colheita de abacaxi acontece de janeiro a março. Só para exemplificar, um produtor que colhe, no final do ano, oito mil frutas diariamente, passa a ter uma retirada de 30 mil por dia nos três primeiros meses do ano.
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