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O professor e escritor disse o que pensa a respeito do estrangeirismo, da imprensa e dos programas de televisão

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

O professor e escritor disse o que pensa a respeito do estrangeirismo, da imprensa e dos programas de televisãoEle se destacou na mídia fazendo algo que não é levado muito a sério no Brasil: ensinando o uso correto da Língua Portuguesa. O professor e escritor Pasquale Cipro Neto faz sucesso, desde 1994, à frente do programa Nossa Língua Portuguesa, transmitido pela TV Cultura. Também já estrelou um comercial de uma rede internacional de fast food, tirando dúvidas sobre a maneira correta de usar certas expressões. Desde 1989 é consultor de linguagem da Folha de São Paulo e, desde 1996, passou a cumprir a mesma função junto à Rede Globo. Recentemente, ele esteve em Bauru ministrando uma aula especial em um colégio particular para alunos do terceiro ano do ensino médio (antigo colegial) e curso pré-vestibular e concedeu uma entrevista ao Jornal da Cidade. Leia a seguir alguns trechos da conversa.Jornal da Cidade - Por que as pessoas têm tanta dificuldade em falar e escrever corretamente a Língua Portuguesa? Pasquale Cipro Neto - Dificuldade para falar é uma coisa que precisa ser levada em conta de acordo com a situação. Ninguém tem dificuldade nas situações do cotidiano. As pessoas se expressam muitíssimo bem para essas necessidades. Mas, no caso de situações públicas, que exijam uma comunicação mais formal, as pessoas têm mais dificuldade. Falta contato com essa linguagem. As pessoas não expandem o universo linguístico, ficam restritas a situações do cotidiano. Nadar e usar a linguagem são a mesma coisa, ou seja, se não treinar, não aprende. JC - A falta de leitura acaba contribuindo para esse quadro? Você acha que o brasileiro, de uma forma geral, lê muito pouco? PCN - Não sei se isso é privilégio dos brasileiros. Mas a verdade é que nós lemos pouco, sim.JC - Como você interpreta o projeto de lei do deputado Aldo Rebelo, que proíbe o uso de expressões estrangeiras no trabalho, nas relações jurídicas, na expressão oral, escrita, audiovisual e na mídia, de uma maneira geral? PCN - Acredito que o grande mérito deste projeto foi o de ter colocado o uso de estrangeirismo em discussão. No entanto, o buraco é mais em baixo, como diria Vinícius de Moraes. Existe aquele estrangeirismo que supre carências e enriquece a língua. Por outro lado, há também aquelas expressões pobres, tolas, metidas, usadas para fins pouco nobres. Nesse caso, acho que não seria necessária uma lei. Isto é questão de educação. Precisamos educar as pessoas para que elas mesmo ridicularizem as estupidezes de colocar palavras estrangeiras onde caberiam, perfeitamente, as da nossa língua, principalmente em lugares públicos.JC - Com relação à imprensa brasileira, que avaliação você faz sobre os textos dos jornais? PCN - É preciso diferenciar. Não se pode atribuir à imprensa um juízo uniforme. Isso varia de jornal para jornal e até dentro das seções de cada veículo. Há textos muito bem escritos e há aqueles que não o são. Na média, acredito que poderíamos ser melhores. Já na televisão, nos bons jornais, existe a preocupação em se manter um bom nível da linguagem. De certa forma, segue-se um padrão bastante perceptível.JC - E quanto aos programas de entretenimento? PCN - Os programas já são mais complicados. Existem muitos problemas de comunicação. Mas eu acho que tudo depende do conhecimento do espectador. Se ele tiver boa leitura, não vai se deixar influenciar por esse tipo de coisa. No entanto, aquele que não tem essa cultura, acaba absorvendo o que está vendo e ouvindo. Nós sabemos que a TV tem uma grande influência e ela acaba ensinando de forma errada.JC - Você acha que os neologismos banalizam a Língua Portuguesa?PCN - Isso também depende da reserva que a pessoa tem. Se ela tem um certo conhecimento de comunicação, ela vai saber a hora certa de usar os neologismos de forma a não atrapalhar sua boa fluência.

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