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Viva a minissaia

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

A razão para a comemoração é simples. As quase quatro décadas de uso da minissaia não são meramente um dado numérico. Desde que foi criada pela inglesa Mary Quant (existem controvérsias), em 1964, a mini, tem sido um sucesso ano após ano e por mais que a moda tenha mudado desde a década de 60, ela continua na crista da onda. Existe uma briga para saber quem realmente é o pai (ou a mãe) da minissaia. Os historiadores de moda concordam que, em setembro de 1964, o estilista francês André Courreges, subiu as saias de sua coleção de verão cerca de 15 centímetros acima do joelho. Mas foi em Londres, na época a capital das mudanças, que a estilista estreante Mary Quant, radicalizou. Suas saias tinham 30 centímetros de comprimento, deixavam toda a perna de fora e eram usadas com blusas justas (a camiseta ainda era roupa íntima), botas e meias para fazer frente ao frio londrino. Estava criado o mito.O sucesso foi instantâneo e se espalhou pelo mundo. Não demorou muito e logo toda garota tinha no seu guarda-roupas minissaias e vestidos um ou dois palmos acima do joelho. Na Inglaterra, as modelos Jean Schrimpton e Twiggy eram as musas da nova moda. No Brasil, as cantoras Wanderléia, estrela da Jovem Guarda, e Nara Leão, a musa da bossa nova, escandalizavam com as (lindas) pernas de fora. Na opinião de Tatiana Rybalowski, da Escola de Moda Cândido Mendes, que há duas semanas foi curadora de um desfile que teve a minissaia como tema, a peça perdeu o charme de antes porque não é mas um objeto de contestação. Segundo ela a minissaia chegou num momento em que a mulher começava a se libertar e serviu para acelerar uma tendência de comportamento. A mulher que usava minissaia estava dizendo sou dona do meu corpo, mostro o quanto quiser e me entrego a quem escolho. Hoje, para Rybalowski, a moda perdeu essa atitude e virou puro consumo, já que ninguém se veste para expressar um pensamento e a roupa tornou-se artigo descartável.Vencendo o tempoMas mesmo sem ser mais uma peça que simboliza um comportamento, a minissaia resiste e permanece no gosto das mulheres ( e dos homens, é claro!). Gosto de usar minissaia porque acho que valoriza o corpo da mulher, explica a estudante Paula Calipo Mondero, 17 anos. Dona de uma grande quantidade da peça dos mais variados modelos, Paula, tem minissaias para usar durante o dia e também à noite e até ensina: de dia o que fica melhor são os visuais mais informais como o jeans, à noite prefiro o brilho, diz.Eu acho que as minissaias chamam a atenção, além de serem muito confortáveis, afirma a vendedora Ana Carolina Matoso, 20 anos. Outro aspecto vantajoso da mini, segundo a vendedora é que, no verão, não existe nada melhor, já imaginou ter que usar calça comprida todos os dias, com esse sol, simplesmente não dá!, reclama.Existe ainda a questão da moda e da possibilidade de uso: a minissaia varia um pouco, mas não sai de moda, por isso é vantagem comprá-las, diz a estudante universitária Silmara Oliveira, 21 anos, tenho algumas minissaias que uso a quase dois anos, conta. O segredo para que a peça não saia de moda enquanto fica arquivada no guarda-roupa, de acordo com Silmara é não abusar dos modismos na hora da compra. Você pode até comprar um que tenha mais detalhes ou recortes da estação, mas se preferir as mais básicas vai poder usá-las por mais tempo, ensina.A mini em 2001A minissaia vai estar em alta no verão 2001 seguindo as tendências da estação que já podem ser vistas nas ruas. O brilho é o grande destaque de 2001 e deve estar presente nas minis tanto no tecido como nos detalhes em strass. O brilho é a grande pedida em 2001, diz o produtor de moda Miguel Daré. É claro que o brilho é mais apropriado para a noite. Durante o dia as cores vibrantes e fortes vão dominar, amarelo, pink, rosa, lilás, roxo e os tons de azul vão ser as cores da moda, afirma Daré. Para acompanhar as minis sem sair das tendências, os acessórios devem seguir o brilho do resto do corpo, sejam em brincos, gargantilhas ou cintos, os verdadeiros must do momento. Os sapatos também são importantes. As plataformas, segundo Miguel Daré, dão lugar aos sapatos de salto agulha, bem altos. As sandálias de tira, que já estiveram presentes esse ano, continuam bem em 2001 e podem ser usadas tranqüilamente.

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