Geral

Protestos têm recuo de 6,8% em Bauru

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 5 min

O índice de promissórias, cheques, duplicatas e outros títulos enviados para protestos em Bauru caiu 6,8%, de janeiro a outubro, se comparado com o mesmo período do ano passado, baixando de 52.815 para 49.224. O resultado dos dez primeiros meses de 2000 foi a menor quantidade do período desde 1994, quando foram apontados 38.364 títulos, de acordo com o Serviço de Distribuição de Protestos e Títulos.De janeiro a outubro, com exceção de maio, todos o meses tiveram resultados inferiores aos mesmos meses do ano passado. Sempre comparando com o mesmo mês de 99, em janeiro, quando se registraram 5.416 apontamentos, verificou-se uma queda de 15,55%. No mês seguinte, foram 4.611 apontamentos, numa redução de 4,77%. Em março, porém, a queda voltou a crescer, atingindo 8,15%, chegando a 5.434. No mês seguinte, a queda se acentuou, ficando a diferença em 16,44%, baixando para 4.514.Em maio, o único mês que houve crescimento em relação ao mesmo mês do ano passado, os apontamentos chegaram a 5.187, num total de 4,58% a mais. No mês seguinte, as quedas retornaram, com o registro de 4.531 apontamentos, ou seja, 9,22% a menos. Em julho, foram 4.725 apontamentos, numa queda total de 5,5%. No mês seguinte atingiu-se 4.962, numa redução de 1,14%.O último bimestre também foi marcado pela queda de 5,77% em setembro e 2,58% em outubro (veja quadro). Na comparação de outubro (5.023) com setembro (4.821), verifica-se um crescimento de 4,19% no número de apontamentos, informou Márcio de Campos, do Serviço de Distribuição de Títulos para Protestos.De acordo com Campos, é possível perceber uma estabilidade relativa no Serviço de Distribuição. Para ele, até o final do ano, somente uma surpresa na economia deve alterar o quadro, porque está tudo dentro do previsível, com tendência de manutenção.O economista e chefe do Departamento de Economia da Faculdade de Economia da Instituição Toledo de Ensino, Wagner Ismanhoto, diz que a queda nos protestos se deve à melhora na economia. Ele lembra que, no ano passado, o nível de desemprego era muito maior e a economia estava mais retraída, se comparada com o ano 2000, principalmente nos últimos três meses.Para Ismanhoto, as empresas estão muito mais precavidas na concessão de crédito. Além disso, afirma, os sistemas de checagem estão muito mais eficientes do que há algum tempo. Para isso, empresas como a Serasa compartilharam informações, facilitando a obtenção de informações em um único meio de consulta. No posto de gasolina, por exemplo, tem as maquininha que verificam o cheque imediatamente, para saber se o cheque é sustado, furtado ou tem algum problema. É claro, quando você soma isso, reduz em muito o número de protestos, afirma o professor.Para Ismanhoto, tanto as empresas quanto os consumidores estão trabalhando com muito mais segurança. O vendedor na checagem do crédito, para evitar o calote, e o consumidor analisando, muito mais, para fazer uma compra que esteja dentro de seu orçamento.O economista destaca que, atualmente, as empresas estão fazendo verificações constantes de seus clientes. Mesmo aqueles que já compraram muitas vezes são checados, para evitar surpresas. Se começar a apresentar problemas no mercado, vou conversar com esse comprador. Talvez não venda mais para ele. Outra opção é redimensionar o limite de crédito e os prazos de pagamento. Muitas vezes, abre-se mão de um cliente em função da segurança na venda, destaca.Ismanhoto diz que algumas empresas chegaram a quebrar por não fazerem o controle na concessão de crédito e, depois, terem dificuldades com a inadimplência. Entre os empresários, a afirmação é que se ganha dinheiro quando concede um bom crédito. Como a margem de lucro, geralmente, vem sendo apertada, não adianta vender R$ 10 mil e levar calote em R$ 2 mil, porque o lucro dos outros R$ 8 mil se perderam ali. Ao invés de vender R$ 10 mil, é melhor vender R$ 5 mil e receber os R$ 5 mil. É diferente da época da inflação alta, quando a margem de lucro era muito grande. Se levasse calote em R$ 3 mil, como os outros R$ 7 mil davam muito lucro, compensava o prejuízo. Hoje é diferente, as operações são mais enxutas, afirmou. O economista diz que a tendência, agora, é de que ocorra uma queda maior, se considerar a situação econômica. Uma estabilidade não é descartada.Momento de equilíbrioPara o presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Nunes Carvalho, a estabilidade da moeda, a queda nas taxas de juros e o fato da população estar comprando melhor colaborou para que houvesse a queda nos apontamentos de protestos. Além disso, destaca que as empresas que tinham que quebrar já quebraram, provocando uma maior estabilidade no mercado.Carvalho destaca que, quando o governo elevou as taxas de juros acabou complicando o mercado interno, principalmente o setor comercial. Ele lembra que muitas empresas que recorreram a financiamentos bancários acabaram se desestabilizando. Neste ano, quando os juros realmente começaram a ser reduzidos, destaca o presidente da Acib, as empresas que ainda estavam viáveis começaram a melhorar. Porém, algumas sucumbiram pelo caminho.Na opinião do presidente da Acib, os números indicam uma tendência de estabilidade, caso o governo não volte a interferir de maneira prejudicial. Ele destaca que existem poucos novos devedores no mercado, fazendo com que a quantidade de protestos caia.Em média, dos títulos que dão entrada para distribuição, cerca de 40% acabam sendo realmente protestados. Os outros são quitados dentro do prazo de lei, de três dias úteis, que o Tabelionato de Protestos tem para tramitação, entre o registro, a intimação e a efetivação do protesto. Com isso, muitos devedores acabam aproveitando-se desse prazo legal do cartório para quitar o título. O devedor paga no cartório apenas o valor nominal do título. No entanto, os custos gerados com emissão de cheques administrativo e taxas cobradas pelo cartório acabam tornando a operação mais cara.Para limpar o nome no cartório após o protesto, o devedor deve apresentar uma declaração do credor dando a quitação do negócio.

Comentários

Comentários