A falta de espaço para receber animais impede o Centro de Controle de Zoonoses de executar trabalhos, como recolher animais em vias públicasO Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) do Departamento de Saúde Coletiva, órgão ligado à Secretaria Municipal de Saúde, funciona de maneira rudimentar, o que impede que alguns serviços previstos não sejam executados, como o recolhimento de animais em vias públicas. Segundo a diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), Maria Helena Abreu, a falta de espaço para colocar animais de pequeno porte apreendidos é o principal problema que impede o recolhimento nas ruas. Ela afirmou que o Departamento tem profissionais e viaturas para recolher animais soltos em vias públicas, mas como não tem espaço para colocá-los, o trabalho não é feito. O Centro de Controle de Zoonoses tem área física para colocar animais apreendidos de grande porte, como cavalos e vacas. Ela explicou que há alguns anos, o CCZ tinha o espaço para colocar esses animais de pequeno porte apreendidos, mas que a área do canil e gatil foi cedida para a União Internacional Protetora dos Animais (Uipa). Temos o projeto para mudar nosso Centro de Controle de Zoonoses de lugar, mas o governo do Estado não cedeu a área. Também fizemos um pedido de verba para ampliação do atual, mas não conseguimos nada até agora, lamentou a diretora do Departamento de Saúde Coletiva. Censo animalO Departamento de Saúde Coletiva está realizando um novo levantamento para saber quantos animais existem em Bauru. O órgão acredita que até o final deste mês o levantamento seja concluído. Em 1998, foi realizado um censo para saber estes números. Na época, foram registrados 74 mil animais, sendo 23 mil gatos e 51 mil cachorros. Maria Helena Abreu acredita que 20% destes animais vivem nas ruas.A diretora do Departamento de Saúde Coletiva considera 74 mil animais um número alto, já que a estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) é de que cada cidade tenha um animal para cada 10 habitantes. Em 98, Bauru tinha 4,4 animais para cada 10 habitantes. Bauru tem aproximadamente 320 mil habitantes. Teoricamente, segundo a OMS, Bauru deveria ter 32 mil animais. Em 98, a cidade tinha 74 mil, 13% a mais do que a estimativa da OMS. É um número alto. Com esse novo censo vamos saber se esse número subiu ou diminuiu. E esperamos que tenha diminuído, afirmou Maria Helena.Uipa é exigente na hora da doaçãoA maioria dos animais da Uipa já foi castrado. E na hora de doar os cães ou gatos, a entidade é criteriosa. A futura casa do animal é visitada antes da doação. Tudo é visto, inclusive se há local coberto para colocar a casinha. Se efetivar a doação, algumas visitas posteriores são feitas pelas voluntárias da entidade, que verificam se o animal está se adaptando à nova casa. Aqui eles são bem tratados. Nós só damos um animal quando temos certeza de que ele será melhor tratado e mais amado do que é aqui, afirmou.DenúnciasQuando recebe uma denúncia de maus-tratos, a União Internacional Protetora dos Animais registra um boletim de ocorrência, porque isso é crime. Porém, para poder registrar a queixa, a Uipa tem que ter testemunha do que aconteceu. Se você vir alguém batendo num animal, seja a voz dele e denuncie. Seja testemunha. Eu preciso de testemunha para poder tomar alguma atitude contra quem maltrata animal, porque a pessoa fala, o animal não, disse a presidente da entidade.A Uipa também não tem poder para entrar na casa de ninguém e levar o animal que está sendo maltratado. A entidade só pode recolher o animal que está em vias públicas ou por ordem judicial.CastraçãoCortar o mal pela raiz sempre é a solução dos problemas. Para controlar a superpopulação de animais que perambulam pelas ruas da cidade, para a Uipa, a solução seria a castração.Segundo Maria de Lourdes, a entidade tenta colocar em prática o projeto de castração de animais, mas não consegue. Ela disse que o principal obstáculo enfrentado é a falta de parceria entre a entidade, Prefeitura e veterinários da cidade. CampanhaA Uipa está iniciando uma campanha para que seus cachorros sejam vacinados contra algumas doenças, como parvavirose. Para isso, ela vai contar com o apoio da população. Quem quiser participar da campanha deve adotar um cão para vaciná-lo. Essa adoção é apenas para a vacina.ServiçoQuem quiser participar da campanha de vacinação dos animais da Uipa, fazer qualquer tipo de doação ou adotar um animal deve entrar em contato com a entidade pelo telefone 223-8540. Bauru registra 2.000 mordeduras por anoAnualmente, são registrados, em média, dois mil acidentes por mordedura de animais em vias públicas em Bauru. Na maioria das vezes, os animais são domicialidos, ou seja, têm casas, mas escaparam ou morderam o próprio dono.Em 1999, o Departamento de Saúde Coletiva registrou 2.200 acidentes por mordedura de animais. Neste ano, até este mês, 1.800 já foram registrados. Isso sem contar as pessoas que não procuram atendimento médico ou vão em clínicas particulares. Mas não é um número considerado alto, completou a diretora do DSC.Maria Helena Abreu explicou que adotar o método da carrocinha, para recolher os animais errantes, que é permitido pela legislação, implica em se ter um local para colocar os animais apreendidos.Como o Centro de Controle de Zoonoses não tem espaço adequado para os animais de pequeno porte, o sistema da carrocinha não é colocado em prática. A carrocinha implica em se ter um local para colocar o animal recolhido. Temos a viatura, mas não temos o lugar para colocá-lo. Precisamos ter o local para colocar em prática a legislação, afirmou. Doenças transmitidas por animaisAnimais soltos nas ruas transmitem diversas doenças, entre elas a raiva (através de lambedura ou mordedura), carrapato, sarna, leishimaniose (descartada a possibilidade de existir a doença em Bauru), verminoses (como o bicho geográfico), toxoplasmose e leptospirose.Vale lembrar que o Departamento de Saúde Coletiva procura os casos em que o cachorro ofereça risco de transmissão de doenças para o homem, como casos de leishimaniose e raiva, e não recolhe animais soltos nas ruas. O Centro de Controle de Zoonoses não faz diagnósticos de doenças em animais, mas sacrifica o animal, quando há indicação de um veterinário.
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