Denúncia sobre celulares do DAE foi encaminhada pelo vereador Toninho Garmes (PSDB) ao promotor Lucas PimentelO vereador Toninho Garmes (PSDB) encaminhou, anteontem, denúncia ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado sobre uso indevido de 25 telefones celulares pertencentes ao Departamento de Água e Esgoto. No MP, o documento foi endereçado, pela Câmara Municipal, a Lucas Pimentel, promotor de Justiça da Cidadania e do Patrimônio Público de Bauru.De acordo com a denúncia, servidores do DAE, especialmente admitidos em cargo de confiança, e funcionários à disposição de outros setores da Administração estariam utilizando celulares pertencentes ao DAE para fins particulares e político-partidários, o que configuraria uso indevido de bem público.Como exemplo, Garmes cita o telefone celular de número 9651-7170, que no prazo de janeiro a junho de 2000 teria registrado chamadas totalizadas em R$ 5.233,65. Na ocasião, o aparelho estava em posse de Rubens de Souza, então assessor do DAE e também presidente do diretório municipal do PPS, partido de Flávio Uchoa (ex-presidente da autarquia) e do prefeito Nilson Costa.Em razão de ligações particulares, Rubens de Souza teria reembolsado o DAE em R$ 222,78. O valor é considerado irrisório por Toninho Garmes, em razão do grande número de chamadas de longa distâncias interestaduais e nacionais feitas no aparelho. Além disso, lembra o vereador, no pagamento não foi incluso a cobrança de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), importando em mais um prejuízo à autarquia.Apesar de entender que a indicação de reembolso parcial efetuado se trata de uma confissão formal de uso indevido de bem público, Garmes afirma que as informações solicitadas por ele ao DAE, assim como o pedido de envio de documentos, nunca foram atendidas completamente pela autarquia.Em certa ocasião, cita o vereador no requerimento encaminhado ao MP e ao Tribunal de Contas, o DAE informou que a não remessa de documentos solicitados teria sido motivada pela quitação do débito pelos funcionários, que passariam a ter direito às notas fiscais e faturas dos telefones celulares. Dessa maneira, a autarquia não teria mais o registro das contas em seus arquivos.Em outro momento do requerimento, Garmes relata que Sérgio Macedo teria se negado a informá-lo sobre as contas dos aparelhos telefônicos por entender que se tratava de uma violação aos princípios basilares do respeito à privacidade e intimidade dos usuários interferir na relação das eventuais ligações particulares de servidores devidamente reembolsadas. Assim sendo, o presidente do DAE teria aconselhado o parlamentar e a Câmara Municipal a requisitar o documento diretamente na Telesp/Celular.Diante dessa negativa e por se ver impossibilitado de dar continuidade às investigações sobre os 25 telefones celulares, Garmes avaliou que o melhor a fazer era enviar toda a documentação por ele obtida ao MP e ao Tribunal de Contas.As posturas do presidente do DAE e do prefeito municipal, de sonegação de informações ao vereador e de aparente proteção aos servidores que, tudo indica, usaram abusivamente dos telefones celulares públicos em tese, podem se enquadrar em dispositivos penais e de responsabilidade administrativa, avalia o tucano no requerimento enviado ao MP e ao Tribunal de Contas.Em razão disso e por acreditar do caso se tratar de uma série de irregularidades administrativas insanáveis, Garmes requere ao MP a apuração do uso indevido dos telefones celulares do DAE; dos valores gastos com as chamadas particulares e interurbanos efetuados, com a finalidade de se verificar se os reembolsos parciais efetuados por servidores no início do mês de julho de 2000 foram regulares e providenciados de forma total; da legalidade da cessão dos aparelhos para agentes públicos de outros órgãos públicos; para o fim de condenar os responsáveis por atos de ilegalidade e imoralidade, como incursos na improbidade administrativa. Já o Tribunal de Contas poderá efetuar auditoria no DAE com base nos documentos levantados pelo vereador.
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