Geral

Ajudar a los hermanos

(*) Miguel Ignatios
| Tempo de leitura: 3 min

A preocupação com los hermanos del Mercosur, principalmente com os argentinos, foi o principal assunto de duas revistas semanais de grande tiragem.Em uma delas, um ex-ministro e colaborador de Fernando Henrique Cardoso diz que o presidente está acomodado e chama a atenção para a necessidade de o Brasil não se omitir da grave crise do país vizinho, pois, segundo ele, o que a Argentina está vivendo hoje nós poderemos ter de enfrentar, em 2001.Na outra, Carlos Menem, ex-presidente argentino, critica algumas medidas do recente pacote fiscal, exigido pelo FMI, e, suspeitamente, lamenta a falta de carisma de Fernando De e la Rúa.Descontados o compreensível catastrofismo de quem está fora do poder e quer se manter vivo na mídia, caso do ex-colaborador de FHC; e o cinismo de quem esteve lá (na Casa Rosada) por dois mandatos seguidos e pouco resolveu, a preocupação com os rumos da economia argentina é mais do que justificada.Historicamente, nós, brasileiros, sempre fomos vistos por nossos vizinhos com um misto de desdém e de superioridade. Como se eles fossem descendentes de europeus e nós de índios e africanos. Mas desde a Guerra das Malvinas, as coisas começaram a mudar por lá.E, após a criação do Mercosul, as mudanças se aceleraram, em razão do agravamento da situação econômica, que se seguiu ao alto endividamento do país. É comum nos dias atuais ouvir-se, em Buenos Aires, frases como vocês (brasileiros) se endividaram para fazer uma Itaipu; nós estamos pagando até hoje as aventuras militares das Malvinas e do canal de Beagle.Nada disso importa agora. O que temos de levar em conta é que os argentinos são nossos maiores importadores e o Brasil é o principal destino das exportações platinas. Só isso já seria suficiente para nem nos alegrarmos com a infelicidade deles, nem ficarmos indiferentes.Num paralelo à velha máxima diplomática, nem sempre verdadeira, de que o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil, podemos afirmar, tranqüilamente, que hoje o que é bom para nós é bom para eles (os argentinos).Para o Brasil exercer a liderança não apenas geopolítica no subcontinente sul-americano, é preciso que o Itamaraty adote uma linha de generosidade comercial com todos os nossos vizinhos, incluindo o Chile e o Equador.Entendo como generosidade comercial a substituição seletiva de importações procedentes de fora da América do Sul por similares produzidos nessa região. Exemplos: os vinhos e azeites chilenos e argentinos; o petróleo venezuelano; o pescado e fosfato peruanos; o gás boliviano etc.Isso causaria imediata reação positiva por parte de nossos vizinhos, criando-se, em poucos anos, um clima de confiança mútua e de reciprocidade comercial. Linhas de crédito e rotas terrestres, marítimas, fluviais e aéreas surgiram ou expandir-se-iam com extrema rapidez.Mas, voltando à questão central, é importante que o Brasil jogue todo o peso de sua diplomacia para que os organismos multilaterais de crédito (Bird, BID e equivalentes europeus e asiáticos) concedam a maior ajuda financeira possível à Argentina.Afinal de contas, neste momento, o Brasil é o único país emergente que executou, com pleno êxito, embora à sua moda, o receituário amargo do FMI. Portanto, a credibilidade externa do País está em alta. Vamos usá-la em benefício da recuperação da economia de nuestros hermanos da terra de Gardel. Brasileiros, argentinos e todos os demais vizinhos sul-americanos só têm a ganhar com isso.(*) Miguel Ignatios é presidente da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB) e da Fundação Brasileira de Marketing (FBM).E-mail: presidencia@advbfbm.org.br

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