A política cambial (instrumento da política de relações comerciais e financeiras entre países) define o comportamento do País em relação ao preço da moeda estrangeira. Depois de praticarmos um câmbio fixo (definido pelo governo) e adotarmos banda cambial (faixa de oscilação), finalmente a equipe econômica do governo optou pelo câmbio flutuante. Em tese, o mercado define a cotação de equilíbrio. Se há oferta de dólares superior à demanda por dólares, a cotação cai; se ao contrário, há maior demanda pela moeda estrangeira em relação à oferta, a cotação se eleva. Coloquei em tese porque o governo, através do Banco Central, pode intervir no mercado. Se a cotação se eleva muito, entra vendendo dólares, se cai muito, entra comprando dólares. O mercado se ajusta a partir daí. Com a crise internacional do petróleo, somadas as incertezas das eleições americanas, e ainda a crise na Argentina, os investidores estão inseguros. Muitos se desfazem de papéis, ações, ativos, para procurar o porto seguro dos dólares, ou para simplesmente sair do País e investir em outras economias. Neste caso saem comprando dólares e a cotação se eleva. Isso vem ocorrendo com certa freqüência nos últimos dias. Quando o Banco Santander foi o vencedor no leilão do Banespa, ficou evidente ao mercado que haveria injeção de moeda estrangeira no País. São aproximadamente 3,7 bilhões de dólares. E isso começou a ocorrer. O Banco saiu vendendo seus dólares para transformá-los em reais. Muitos investidores fazendo essa leitura optaram por vender seus dólares. Essa ação combinada forçou a cotação para baixo. Estranhamente o governo entrou no jogo comprando dólares, não permitindo um recuo acentuado da cotação. Será que R$ 1,90 é uma cotação limite? Será que o BC entrou para "ajudar" o Santander a conseguir mais reais por dólar, considerando o "generoso" ágio praticado no leilão doBanespa? Perguntas para reflexão. Afinal, qual o câmbio de equilíbrio? Muitos analistas apontam para um câmbio de R$ 1,85 na virada do ano. Aceitam uma pequena oscilação dada a incertezas internacionais. Temos que considerar o fraco desempenho da balança comercial e nesse particular um câmbio elevado acaba sendo necessário. Parece-nos que a faixa definida pelo Banco Central está entre o mínimo de R$ 1,90, e um máximo de R$ 1,98. Isso seria uma "banda informal". Tem uma certa lógica: se cai para menos de R$ 1,90complica as exportações; se vai além de R$ 1,98, gera insegurança. Como economia é uma ciência social, cada um faça sua aposta. Qual o câmbio de equilíbrio? Reinaldo Cafeo (Delegado do Conselho Regional de Economia).
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