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Vagas para médicos não são preenchidas

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

A Secretaria de Saúde conseguiu preencher apenas quatro das nove vagas de pediatra para os prontos-socorrosOs atendimentos no Pronto-Socorro Municipal Central continuam deixando a desejar à população usuária. Nestes primeiros dias da semana, algumas pessoas voltaram a reclamar da demora e da pouca eficiência dos serviços. As queixas não são sem motivos. Na tarde de ontem, a secretária municipal da Saúde, Eliane Fetter Telles Nunes, admitiu que a unidade está com o quadro de médicos incompleto. Na contratação temporária, a Secretaria da Saúde conseguiu preencher apenas quatro das nove vagas para pediatra. Agora, vai abrir contratação para clínico geral.Quando das últimas denúncias envolvendo o PS Central, a deficiência de profissionais médicos já era um problema confirmado. A situação, entretanto, piorou depois que vários problemas internos tornaram-se públicos através de uma denúncia feita por um dos plantonistas que atuam nas unidades de urgência e emergência do município. Depois desse fato, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) passou a cobrar condutas mais adequadas dos médicos - alguns foram denunciados por deixar os plantões e descansar enquanto as filas de pacientes cresciam nos corredores. O rigor imposto pela SMS desagradou alguns profissionais, tanto que três já pediram exoneração e outros tiveram jornada de trabalho reduzida. Extra-oficialmente, sabe-se ainda que alguns médicos caíram na malha-fina da chefia, cobrada a relatar toda e qualquer atitude incompatível com as determinações da Secretaria. Estes, só não teriam sido demitidos por conta da lei eleitoral, que impede desligamentos e contratações até o final deste ano.O conjunto de todos esses fatores teria deixado o PS Central com defasagem de cinco plantonistas, mas o problema ainda tende a se agravar neste mês de dezembro, quando estão previstas férias de funcionários e plantonistas. Para garantir um serviço menos problemático aos usuários, a SMS voltou a contra-atacar com contratações temporárias. Depois de convocar pediatras, que, por sinal, não tiveram o interesse esperado - de nove vagas, apenas quatro foram preenchidas até o momento -, a SMS agora anuncia a contratação de clínicos gerais. Segundo a titular da pasta, cinco vagas foram abertas e deverão ser preenchidas até o final da semana. Nas unidades de urgência e emergência, o certo é trabalharmos com folga de profissionais, justamente para suprir a demanda de atendimentos em casos de férias, licenças e até exonerações, explicou.Embora reconheça condutas inadequadas por parte de alguns profissionais, Eliane saiu em defesa da maioria dos profissionais médicos, que, segundo ela, merecem a consideração dos usuários e da comunidade como um todo. Nós temos que considerar as condições de trabalho desses profissionais das unidades de urgência e emergência. A falta de equipamentos, por exemplo, é um fator desgastante, mas ainda não conseguimos resolvê-la. Estamos esperando uma verba do governo desde o final de junho para investir em equipamentos e, apesar de cobranças insistentes, não recebemos nada até o momento. Os médicos também enfrentam jornadas de trabalho excessivo e, seguindo orientação do próprio CRM (Conselho Regional de Medicina), param algumas vezes para descansar. Eles próprios temem realizar atendimentos depois de estarem há longas horas no ar, considerou. A população, por sua vez, também teria sua parcela de responsabilidade no acúmulo de serviços nos PSs. A visão dos usuários sobre o Pronto-Socorro é errônea. Ao invés de procurarem as unidades básicas, que quase sempre trabalham com agendamento de consultas, eles preferem o mais rápido e fácil. Chegam com problemas que não são urgentes, formam filas imensas e reclamam quando alguém é atendido na frente. Pronto-Socorro é para atender acidentados, esfaqueados, baleados, infartados e outros pacientes em estado grave de saúde. No entanto, a maioria dos atendimentos nessas unidades não passa de simples consultas, expôs a secretária.

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