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Polícia Federal investiga suspeita de fraude para concessão de benefícios

Redação
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Em julho passado, a Polícia Federal (PF) de Bauru apreendeu cerca de 800 carteiras de trabalho sob suspeita de adulteração ou irregularidade num escritório de advocacia de São Manuel. As investigações ainda prosseguem e sabe-se que em mais de cem casos já houve a instauração de inquérito policial.As carteiras seriam utilizadas para a obtenção de aposentadorias junto ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Um computador e uma fita cassete onde consta a gravação de uma conversa, supostamente entre um dos advogados - o vice-prefeito de São Manuel, Francisco de Moura e Silva (Chico Moura) - e uma outra pessoa, também apresentariam indícios de fraude.A polícia iniciou as investigações em maio deste ano, em decorrência de uma denúncia formalizada pelo INSS e outras, anônimas, dando conta de que a trabalhadora rural Teresinha Felix Chaló estaria tentando obter o benefício previdenciário da aposentadoria com uma carteira de trabalho que continha um registro fictício. Constava que ela havia trabalhado de 1953 a 1975 na fazenda Salto e de 1977 a 1984 na fazenda Santa Judite, ambas de São Manuel.Os responsáveis pelas fazendas foram procurados pela PF: o administrador da primeira, que trabalha desde 1961 no local, informou que nunca teve empregado rural com registro em carteira. Na Santa Judite, constatou-se que o proprietário morreu em 1980, logo, não poderia ter feito o registro. A carteira foi expedida em 2 de abril de 1996, mesma data em que a procuração foi assinada e passada para Chico Moura. O passo seguinte foi chegar ao documento original, que havia sido entregue por Teresinha ao advogado. Munidos de um mandado judicial e na presença de um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), os agentes da PF estiveram no escritório e apreenderam diversas caixas contendo carteiras de trabalho. Na ocasião, em entrevista concedida ao JC, Chico Moura e seu sócio, Ezio Rahal Melillo, negaram a existência de fraudes. Quanto ao caso que deu origem ao inquérito, Melillo afirmou que o antigo patrão teria reconhecido o tempo que a pessoa trabalhou sem registro e, quando Teresinha chegou lá, já havia as duas vias das carteiras. Os advogados teriam apenas juntado no processo e ajuizado a ação.

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