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Polícia cadastra guardadores de carros

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

O levantamento, feito pelo 3.º Distrito Policial, já tem dados de 34 guardadores de carros. Objetivo é regulamentar atividadeO delegado-titular do 3.º Distrito Policial, Marcelo Haddad, está cadastrando os guardadores de carros que atuam em Bauru. O trabalho está sendo finalizado, mas o levantamento já tem dados de 34 pessoas entre 13 e 66 anos que trabalham na cidade, a maioria nas regiões das avenidas Duque de Caxias, Getúlio Vargas e Nações Unidas e Centro. A atividade de guardador de carros não é regulamentada por lei, ressaltou Haddad. Ele explicou que o levantamento está sendo feito para que a polícia, em eventuais casos de reclamação por parte de donos de veículos, saiba quem são e onde estão os guardadores. Com base no cadastro, o guardador responsável pela área poderá ser acionado para responder a eventuais reclamações ou danos ocorridos nos veículos. Marcelo Haddad disse que já sabe quantos e quais são os guardadores que atuam na área do 3.º Distrito Policial. Agora, segundo o delegado, os guardadores serão intimados a comparecer na delegacia, onde devem apresentar uma foto. Durante o levantamento, feito à noite, os policiais não receberam nenhuma reclamação por parte dos proprietários de veículos.De acordo com os dados levantados pela polícia, a maioria dos guardadores de carro tem residência fixa, contrariando uma pesquisa feita pela Faculdade de Serviço Social da Instituição Toledo de Ensino (ITE) no início do ano. Essa pesquisa apontava que Bauru tinha 67 menores que viviam ou ficavam nas ruas e ganhavam dinheiro olhando carros. O cadastro será apresentado na próxima reunião do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) das regiões Centro e Sul, marcada para o próximo dia 5. A proposta do delegado é que o levantamento seja avaliado pelos membros do Conseg e fique à disposição de vereadores e do prefeito municipal para uma possível regulamentação da atividade, como ocorreu com a dos mototaxistas.A regulamentação da atividade, nesse caso, poderia ser feita através de lei municipal. Matéria publicada pelo Jornal da Cidade em junho deste ano retratou a preocupação da polícia, comerciantes e outros segmentos da sociedade com a atuação dos guardadores de carros. Na época, alguns motoristas procuraram a polícia reclamando que estavam sentido-se obrigados a pagar o valor cobrado pelo guardador, sob o risco de terem o seus veículos danificados.No entanto, apenas uma ocorrência envolvendo guardadores de carros foi registrado no 3.º Distrito Policial no último mês, assegurou Marcelo Haddad. Conforme relatou a matéria publicada pelo JC em junho, a atuação dos guardadores de carros foi discutida no Conseg e chegou à Câmara Municipal.O vereador Leandro Martins (PPB) chegou a comentar a intenção de propor um programa específico com a finalidade de organizar a atividade. O vereador Roberto Relvas (PDT) também falou sobre o assunto, dizendo que era preciso resolver o problema. Na época, chegou a ser proposta a formação de cooperativa de trabalho, através das quais os comerciantes poderiam contratar guardadores de carro. Maioria tem mais de 18O cadastro feito pelo 3.º Distrito Policial mostra que a maioria dos guardadores de carros tem mais de 18 anos e faz da atividade o meio de sobrevivência. Dos 34 cadastrados, 23 têm idades entre 18 e 66 anos - o mais velho. Apenas 11 guardadores têm idades entre 13 e 17 anos. A maioria nos pareceu ser pessoas idôneas, que precisam trabalhar, disse Marcelo Haddad.O cadastro é composto de nome, endereço, local e horário de atuação de cada guardador pesquisado. Também é perguntado sobre o preço cobrado. Pelas informações fornecidas à polícia, o preço médio cobrado pelos guardadores de carros é R$ 1,00.De acordo com o delegado-titular do 3.º DP, os guardadores de carros não recusaram a fornecer informações à polícia. Ao contrário. Mostraram-se interessados em regulamentar a atividade, explicando que prestam o serviço porque não conseguem arrumar emprego.No levantamento, foi constatado que em alguns locais o guardador de carros que atua há mais tempo na área cobra uma porcentagem do lucro do guardador mais recente. O delegado disse que os guardadores foram alertados que essa prática é ilegal. Em alguns casos, o serviço é feito em família, com pai e filho atuando juntos.Em outros casos, os próprios guardadores de carros fazem acordo para revezamento de trabalho, de maneira que cada um tem dia e horário definido para atuar naquele ponto. Os policiais também ouviram histórias de guardadores que disseram terem sido expulsos de seus locais de trabalho por andarilhos.

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