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13º salário movimentará até R$ 30 milhões

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

O Conselho Regional de Economia (Corecon) está prevendo uma injeção entre R$ 20 milhões a R$ 30 milhões na economia bauruense neste final de ano, com a utilização do 13.º salário pelos consumidores. Os cálculos foram feitos pelo economista e delegado do Corecon, Reinaldo César Cafeo. Porém, o presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Nunes Carvalho, acredita que o faturamento do comércio não ficará acima de 5% na comparação com o mesmo período do ano passado. Mas, segundo ele, esse já seria um ótimo resultado. Para Cafeo, as expectativas são boas para este final de ano, já que o trabalhador não está encontrando estímulo para investir em aplicações financeiras. A poupança não tem sido vista como um bom negócio pela maioria da população. Por isso, as compras de Natal devem ser a preferência de quem estava aguardando o 13.º salário para decidir a melhor forma de usá-lo, observa Cafeo. Por outro lado, o economista orienta para que o consumidor faça pesquisa de preços, porque existem muitas diferenças no mercado. Além de pesquisar preços, as pessoas devem priorizar aqueles bens que podem, efetivamente, agregar um valor de qualidade e não ser muito caro. É prudente tomar cuidado para não contrair dívidas que serão difíceis de pagar depois, diz Cafeo. Evitar o crediário é a dica do economista, porque os juros, nessa modalidade, estão acima de 6%. Para quem puder, Cafeo sugere que seja feita uma reserva de dinheiro. Quem tiver condições deve evitar gastar todo o 13.º e fazer uma reserva. Mesmo que se aplique esse dinheiro na poupança, que tem rendimento pequeno, se a pessoa tiver alguma emergência poderá contar com essa reserva, diz. Para os consumidores que pretendem saldar dívidas, o alerta do economista é para que, no afã de colocar tudo em dia, não se aceite todas as imposições que aparecerem. Muitas vezes, as cobradoras querem embutir os honorários dos advogados nos valores cobrados e isso é proibido. É preciso alcançar o chamado valor justo, para que o trabalhador não acabe pagando mais do que deveria, no momento de quitar as suas dívidas. Além disso, o comércio está aberto a negociações para quem quer quitar seus débitos, observa. Na análise do economista, boa parte da população não está conseguindo se adaptar à dança dos custos e serviços de alguns produtos que sobem mais que a inflação média. Esse seria um dos principais motivos da geração de dívidas entre pessoas, principalmente, da classe média. Para manter um certo padrão de vida, essas pessoas começam a se endividar. Sem querer abrir mão de algumas coisas, quando menos se percebe o limite do cheque especial já foi ultrapassado. Aí, as dívidas começam a aparecer, analisa Cafeo. ExpectativasCássio Carvalho diz que as expectativas sempre são boas nessa época do ano, já que o Natal é a melhor data em termos de faturamento para o comércio. Natal é sempre bom para o comércio, porque aumenta bastante a injeção de dinheiro com o 13.º. Em dezembro, algumas empresas conseguem dobrar o faturamento em relação ao mês anterior. Mas, tudo isso tem que ser visto com muito cuidado, porque as despesas, para os empresários, também são dobradas com o pagamento do 13.º salário e de outros encargos, avalia o presidente da Acib. Porém, levando em consideração que os salários e o número de empregos não aumentaram, Carvalho diz que não deve haver mais que 5% de aumento nas vendas em relação aos resultados obtidos no mesmo período do ano passado. Acredito que o acréscimo nas vendas ficará em torno de 2% a 5%. Mas, tivemos um ponto positivo com o Refis (programa do Governo que facilita o pagamento de débitos para empresas), que possibilitou aos empresários a renegociação das suas dívidas. Isso deu uma pequena ajuda, porque alguns empresários conseguiram ter um capital de giro maior para investir nos negócios de final de ano, diz. Carvalho também acredita numa expectativa de consumo maior por parte do consumidor para movimentar o comércio. A expectativa de consumo é bem maior agora do que há poucos anos atrás, quando a maioria das pessoas utilizava o 13.º salário primordialmente para saldar dívidas, observa Cássio Carvalho. Crescimento econômicoPara Ricardo Marques Coube, conselheiro estadual do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), do ponto de vista econômico este final de ano é muito positivo. Segundo ele, a capacidade da indústria de lidar com o caso do 13º salário - que nos anos anteriores era uma preocupação muito grande para o setor -, agora está inserida num contexto de planejamento anterior. As indústrias, de um modo geral, estão chegando ao final do ano com o seu orçamento previsto e as suas reservas prontas. Isso faz com que nenhum transtorno, como a necessidade de abertura de linhas especiais de empréstimos para bancar o 13.º salário, ocorra. Tudo está transcorrendo dentro de uma normalidade muito positiva, que demonstra as condições econômicas geradas e o hábito de um planejamento que não existia antes, por dificuldades operacionais e mercadológicas, analisa. De outro lado, o fato das negociações da maioria dos dissídios que ocorrem no final do ano estarem alcançando percentuais de reposição salarial acima da inflação (variando de 7% a 10%), também aponta para um cenário econômico positivo. Para Coube, isso mostra o início de um processo de recuperação salarial. Se considerarmos que, em abril do próximo ano, teremos um salário mínimo com cerca de 20% de acréscimo sobre o atual, conclui-se que essa injeção a mais de renda será o grande combustível do consumo. Se, na briga que temos atualmente com o governo, conseguirmos baixar o custo do crediário de ponta a níveis mais realistas e razoáveis, nos bancos e lojas, com esse incremento de renda temos um cenário muito positivo para o final do ano e também estamos garantindo um dos fatores mais importantes para o crescimento econômico, que é a renda, avalia Coube. Com uma visão positivista sobre a economia no País, Ricardo Coube afirma que o cenário macroeconômico que se pode projetar é fantástico. Sua afirmação baseia-se na garantia de uma renda maior e na manutenção de uma inflação baixa. Fica faltanto, basicamente, a parte estrutural da política monetária, que é a queda dos juros, para que isso também possa servir como um combustível para o consumo. Esse consumo será o estímulo do crescimento econômico, projeta Coube.

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