Geral

O Oriente em chamas

Aldo Rebelo
| Tempo de leitura: 2 min

As imagens transmitidas pela tevê, do assassinato pelo Exército de Israel de uma criança palestina, a despeito das desesperadas súplicas de misericórdia do pai do garoto, que também tombou ferido, chocaram o mundo.O assassinato do jovem Mohamad El Durah, de apenas 12 anos, se soma a mais de uma centena de mortes que ocorreram nas últimas semanas em decorrência do agravamento do conflito entre israelenses e palestinos. A maioria esmagadora das vítimas é formada por jovens palestinos que vivem nas cidades da região da Cisjordânia, já sob a administração da Autoridade Nacional Palestina - ANP.É um confronto desigual. Enquanto o Exército de ocupação de Israel ataca a população civil palestina com bombas de gás, balas de aço, rajadas de metralhadoras disparadas de helicópteros e até mísseis antitanque, os palestinos se defendem atirando as pedras da Intifada. Mesmo considerando que alguns membros da milícia palestina tenham atirado contra os soldados israelenses, é de convir que é enorme a desproporção das forças em conflito.O estopim da explosão desse novo conflito foi uma provocação do líder do Likud, partido da extrema direita, Ariel Sharon. No momento em que as duas partes estavam reunidas para fazer avançar o processo de paz, o líder do Likud, Ariel Sharon, invadiu a mesquita de Al Aqsa, na Esplanada das Mesquitas, acompanhado de cerca de mil soldados, um ato que as autoridades religiosas muçulmanas consideraram como uma profanação. O presidente da França, Jacques Chirac afirmou que tal atitude foi uma provocação irresponsável. E foi exatamente esse ato que ainda não foi censurado pelo primeiro-ministro Ehud Barak que desencadeou os novos conflitos, na véspera do Rosh Hashaná, o Ano Novo Judeu.Este mesmo senhor, que liderou diversas agressões no passado contra o povo palestino, particularmente o grande massacre de Sabra e Chatila de 1982, no sul do Líbano, agora vem acirrar os conflitos.Registre-se ainda o recrudescimento do governo de Ehud Barak, que sempre posou para a mídia internacional como democrata, mas montou um novo governo a que chamou de coalizão nacional, onde predominam os chamados falcões de Israel, na verdade a extrema direita, que se recusa a negociar e ainda a aceitar a condição de paz em troca de concessão territorial.A única atitude cabível neste momento é a solidariedade com o sofrido povo palestino na luta pela devolução de seus territórios, ocupados por Israel e a defesa da criação e constituição do Estado Nacional da Palestina, livre, democrático, laico e soberano. Este é o único caminho capaz de assegurar a palestinos e israelenses a paz necessária e desejada. (O autor, Aldo Rebelo, é jornalista e deputado federal por São Paulo PCdoB - Internet: www.camara.gov/aldorebelo Endereço eletrônico: arebelo@uol.com.br / dep.aldorebelo@camara.gov.br)

Comentários

Comentários