Botucatu - A epidemia de aids no Brasil, conta até hoje com 190.949 casos da doença, dos quais 47.874 são mulheres. De acordo com a professora Marli Gimeniz Galvão, do Departamento de Enfermagem da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, nos últimos anos tem-se observado um aumento do número de casos da transmissão por via heterossexual, existindo assim uma expressiva participação da mulher no perfil epidemiológico da infecção pelo HIV.A maior concentração de mulheres, lembra a professora, ocorre entre os 15 aos 39 anos de idade, em idade fértil, a maioria delas casadas e confiantes que o casamento lhes conferem uma proteção contra doenças transmissíveis, e é nesta confiança que cada vez mais a mulher é o alvo da aids. Segundo Marli, o ano de 2000 fica marcado por inúmeras conquistas de tratamentos cientificamente comprovados que melhoram a qualidade de vida dos portadores do HIV. Mas sobre a cura, alerta, não há resposta, até o momento.Por isso, lembra a professora, a mais nova conquista de proteção e prevenção mecânica contra transmissão do HIV, contra a gravidez indesejada e outras doenças sexualmente transmissíveis, no entanto, é o preservativo feminino. Assim, mulheres portadoras do HIV ou mulheres que não têm o vírus HIV, mas são companheiras de homens portadores do HIV, têm esta nova opção de prevenção em mãos, distribuído gratuitamente para mulheres em seguimento nos ambulatórios especializados, como no caso, o da Unesp, ou vendidos em farmácia e drogarias.A principal vantagem da camisinha feminina, explica a professora, é conferir às mulheres independência nas relações sexuais com seus parceiros. Também é possível garantir o sexo seguro sem depender da boa vontade do homem em usar o preservativo masculino: a maioria das vezes o homem não gosta de usar a camisinha masculina.A professora diz que nestes muitos anos de atendimento aos portadores de HIV, observa-se que o não uso de preservativo masculino é uma realidade, que mesmo sendo orientados em todos os atendimentos por toda a equipe de saúde, o homem acaba por não usá-lo, muitas vezes dizendo, ser um incômodo, que interfere durante a relação, entre outras coisas. O resultado da não utilização do preservativo masculino entre outras coisas é o que nos deixa ver cada vez mais um número crescente de mulheres e de crianças portadoras do HIV nascidas de mães contaminadas que aumentam o elenco do número de casos de aids em nossa cidade, em nosso País e no mundo, diz.Para diminuir ou pelo menos para deixar de transmitir o vírus que causa a aids, a professora explica que é preciso, em primeiro lugar, de uma mudança drástica no comportamento sexual de homens e mulheres já sexualmente ativos, concomitante a educação sexual precoce como forma de orientar a necessidade de uma vida sexual responsável.E, o que tem o preservativo feminino com isto? O preservativo feminino é uma nova arma que a mulher tem para não entrar em contato com o HIV, evitar a gravidez, evitar doenças sexualmente transmissíveis. As mulheres, lembra ela, são mais vulneráveis do que o homem ao vírus causador da aids, o HIV, devido a anatomia de seus órgãos sexuais. Mas, tanto o homem quanto a mulher podem se contaminar em apenas uma relação sexual.E a professora dá um recado aos desavisados sobre o HIV: O vírus não escolhe sexo, não escolhe nível social e idade. Caso queira ter um relacionamento extra-conjugal, faça-o com segurança para você e para sua família - use sempre camisinha - mesmo que você conheça o(a) parceiro(a). Para aqueles que gostam de ficar fique com segurança - use sempre camisinha.Em caso de dúvidas, Marli recomenda que se faça um teste sangüíneo para verificar se há a contaminação. E, em caso de qualquer resultado, passe a usar sempre-constantemente qualquer preservativo.
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