Especialistas garantem que reajuste de 19,2% no valor do salário mínimo não provocará desemprego de domésticasO reajuste de 19,2% no valor do salário mínimo - que a partir de 1º de abril de 2001 salta de R$ 151 para R$180 - não provocará o desemprego de domésticas. A garantia é de sindicalistas que representam os setores patronal e do trabalhador. Embora seja um reajuste cujo percentual está acima das médias conquistadas por outras categorias, empregadores e empregados afirmam que seu impacto no orçamento familiar não provocará uma despesa insuportável, a ponto de ter que dispensar esse serviço essencial de apoio doméstico.Segundo a presidente do Sindicato dos Empregados Domésticos de Bauru e Região, Maria dos Anjos Pereira de Jesus, a maioria das empregadas domésticas não ganha mais o salário mínimo. Ela lembra, no entanto, que o reajuste dos salários da categoria está vinculado ao aumento do valor do mínimo. Em tese, as domésticas que ganham acima de R$ 151 também poderão pleitear o percentual de 19,2% de reajuste. A negociação será direta entre patroa e empregada, já que a entidade sindical ainda não tem força expressiva de atuação.São só R$ 30 a mais para uma minoria de empregadas que ganha o mínimo. A maioria tem salário acima disso, variando de R$ 200 a R$ 600 em média, explica Maria. A sindicalista aproveita a oportunidade para se queixar que uma parte da classe patronal não registra as domésticas. Mas tenho que reconhecer que muitas delas não querem o registro de doméstica em carteira porque se sentem envergonhadas.A presidente do Sindicato dos Empregadores Domésticos de Bauru e Região, Angela Maeda, também não acredita que haverá desemprego no setor por causa do reajuste do mínimo. Mas ela acredita que o aumento do salário de uma certa forma vai afetar o bolso do empregador. A sindicalista aponta que uma das saídas poderá ser a redução da jornada de trabalho das domésticas. Outra alternativa é começar a descontar o vale-transporte e as faltas, que a maioria das patroas não desconta, recomenda.Sem criseNa opinião do economista Wagner Ismanhoto, o segmento das empregadas domésticas não vive crise. Trata-se de um segmento do mercado de trabalho que tem uma procura muito grande. Com certeza, o reajuste do salário mínimo não vai penalizá-las, avalia. Ele afirma que ter uma empregada doméstica em casa não é luxo e sim uma necessidade dos tempos modernos. O economista explica que para as domésticas que ganham o salário mínimo, o percentual de reajuste de 19,2% que será aplicado significa um tremendo salto. Nenhuma outra categoria conseguiu um reajuste acima de 6%, 7%. Mas tenho que lembrar também que as perdas do salário mínimo nos últimos anos são muitas. Segundo ele, na década de 50 o mínimo chegou a valer cerca de US$ 300, R$ 600 nos dias de hoje.
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