Atordoado, certamente, com as sucessivas pancadas que tem recebido no Congresso Nacional, o presidente Fernando Henrique Cardoso parece ter descoberto, finalmente, a ação de que precisava ou precisa para encostar na parede os membros do importante Poder. Aplicou-a com toda perspicácia, exigindo que os congressistas ponham fim às disputas internas existentes na área, lembrando que a Câmara e o Senado têm de ser como as empresas modernas, que não podem mais viver por aí litigiando suas idéias. Têm de ter um espírito solidário! Ficar disputando isso da minha área ou isso da área do outro é coisa do passado - disse o chefe da Nação, que, conforme o noticiário e os comentários, enfrenta tremendo racha nos partidos de sustentação de seu Governo por causa da sucessão nas presidências dos dois Poderes. Seu pronunciamento foi decisivo, pegando diretamente no pé da velha filosofia de que quem não ajuda na harmonização das coisas não deve estorvar.É evidente que ambas as casas do Congresso, por que legitimamente autônomas, de forma alguma tenham o dever ou a obrigação de respaldar os desabafos ou as sugestões do mandatário-mor. Não seria esse o seu verdadeiro papel, já que os parlamentares não têm a personalidade complascente da vaquinha de presépio, ainda que o Natal velho de guerra (ou de paz...) esteja se aproximando rapidamente... Contudo, quem discorda ou contesta não pode fazê-lo sem qualquer justificativa. Não pode divergir por divergir, simplesmente. Não pode negar sem pensar na razão da negativa. Raciocinando assim, decidiu FHC tentar pacificar os membros das duas Casas, procurando amainar suas contendas. Que disputem os comandos congressistas sem botar amarras nas mãos do Executivo, subtraindo tempo de discussão de temas administrativos importantes, entre os quais os da reforma tributária e educacional, de cujo novo texto pretende valer-se o presidente para governar no sentido da solução dos mais prementes problemas nacionais. Fez impacto o presidente dizendo: Quero um espírito de união em função do avanço do Brasil. A intenção é boa. Haveria quem a ela possa opor-se?... (O autor, N. Serra, é jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)
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