Há poucos dias desta data, a maior parte dos cidadãos bauruenses - assim como eu que a Bauru aportei em 12/10/1979, me considero bauruense porque aqui criei raízes e dois únicos filhos - não nos sobrou tal importante oportunidade educativo/cultural. Trata-se de não termos sido amplamente alcançados pelo fato concreto, mas apenas pela notícia, somente publicada em (26/11/00), noticiando o evento, graças à oportuna reportagem publicada neste JC.Refiro-me à importante, porém curtíssima, presença em Bauru, do professor e escritor Pasquale Cipro Neto. Este aqui aportou com a única missão de ministrar "uma aula especial em um colégio particular para alunos do terceiro ano do ensino médio (antigo colegial) e curso pré-vestibular..."Foi assim que na ocasião, Pasquale, proporcionou rápida entrevista ao Jornal da Cidade, o qual publicou - ato contínuo - "alguns trechos da conversa", além da seguinte manchete: "Pasquale critica o estrangeirismo", além de tecer comentários concernentes ao assunto. Ocasião em que na sua especial maneira (forma, ou vasta experiência pedagógica), com que trata nossa língua, demonstrou inclusive, seu particular pensamento quanto ao trato que se lhes têm sido dado nos programas da mídia escrita e televisiva no Brasil.A impossível oportunidade, com único endereço a que me refiro - segundo o enfoque que dei no título - relativo ao presente trabalho jornalístico, talvez não haja sido como merecia. Isto é, não teria (pelo endereço específico e único), o apoio da mídia bauruense, nas formas: televisiva, falada e escrita, para o importante assunto que versou sobre a nossa língua mãe - muitas vezes maculada por expressões estrangeiras. Felizmente, porém, nem tudo foi perdido - graças à presença do JC - na entrevista com "texto de Rose Araújo e foto de Éder Azevedo" destacando (na oportunidade, em 26/11, Pg.8, seção Geral), as qualidades do professor Pasquale Cipro Neto, "ensinando o uso correto da Língua Portuguesa", bem aqui em nosso reduto bauruense. A presença do citado mestre, professor e escritor, entretanto, foi restrita ao atendimento de uma única escola particular daqui de casa (o que não é nenhum pecado, mas um fato honroso), a serviço da incumbência de uma única aula especial, num curso particular de pré-vestibular.Sem qualquer sombra de dúvida, não sobrou a todos nós uma oportunidade para absorver importantes ares de conhecimentos culturais da nossa língua, trazidos a Bauru para nosso proveito e devaneio do saber, numa importante mas única escola. Oportunidade (que se pública, o que é impossível), teríamos num caso muito especial, quando do encontro com personalidades capacitadas naquilo que defendem e fazem. A referida falta de oportunidade certamente é devida à exigüidade do tempo disponível do professor Pasquale, dado à busca de quantos solicitam sua presença fora da capital paulista.Ou ainda (e de nossa parte), talvez fosse pela falta da presença ou diculdades econômicas na necessária busca de entrosamento dos órgãos bauruenses, encarregados da assistência cultural da cidade. Contudo, Pasquale (decididamente e com tempo contado), teria vindo a Bauru para ministrar apenas uma aula, que entretanto, sabemos que se tratou de assunto verdadeiramente especial.Não obstante, sabemos que (a também restrita entrevista que citamos), cobriu e teve cobertura na sua responsabilidade jornalística. Esta aproveitou-se do curto espaço para interrogá-lo sobre questões objetivas, às quais Pasquale Cipro Neto respondeu com a sobriedade que lhe é peculiar. Dentre as questões colocadas (segundo a reportagem mencionada do JC), o que mais pesou nas respostas do professor, segundo suponho, teria sido a crítica feita por ele, pessoalmente, ao "estrangeirismo" que grassa na linguagem brasileira. Isto é, ao abuso praticado na mídia brasileira, especialmente no campo da escrita abusivamente massificada, que deita e rola no tedioso terreno do efeito demonstração cultural. Fico por aqui.(*) José Almodova é professor-Mestre em Projeto, Arte e Sociedade. Foi professor da ITE e Unesp/Bauru. É jornalista e colunista colaborador do JC. Escreve às quintas-feiras nesta coluna. E-mail: almodova@ig.com.br
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