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Sindicato quer ação pela central da CEF

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O Sindicato dos Bancários avalia que a centralização de negócios da CEF em Campinas gera perda de 100 empregosA cidade de Bauru pode deixar de receber a instalação de uma central de negócios da Caixa Econômica Federal (CEF). O escritório poderá ser instalado em Campinas (SP) por influência política, segundo noticiou o JC ontem. A informação foi dada pelo presidente do PFL em Bauru, Dudu Ranieri. O vice-prefeito eleito disse que está discutindo o assunto com representante do comando nacional do PFL há um mês, mas o escritório pode ir para Campinas em função da atuação política de outros grupos. O superintendente da CEF, Júlio César Scaramuzzi de Toledo, comentou, ontem, que trata-se de unificação de setores pelo banco. Segundo ele, a providência não irá gerar desemprego em Bauru. Entretanto, a transferência do setor de serviço de crédito imobiliário, com centralização em Campinas, significa perda em logística e em postos de trabalho, para o Sindicato dos Bancários de Bauru e região. Campinas centralizará todo serviço de crédito imobiliário do Estado de São Paulo, aglutinando, num primeiro momento, por volta de 400 empregados e, mais tarde, outros 300, comentou o diretor do sindicato, Marcos Silvestre. Segundo a entidade, a diretoria da CEF quer concretizar esse projeto-piloto em maio do próximo ano.Conforme Marcos Silvestre, as entidades de representação dos empregados da CEF, entre elas o Sindicato dos Bancários de Bauru e região, estão há vários meses lutando contra o projeto de centralização dos serviços de crédito imobiliário, dentre outros. A opção pela direção da CEF foi por Campinas. A centralização representará uma queda na qualidade dos serviços prestados pela CEF ao público no que se refere ao crédito imobiliário.O Sindicato dos Bancários conta que a centralização atende as premissas do relatório elaborado pelo consórcio liderado pela consultoria Booz, Allen & Hamilton, contratada pelo Governo Federal para remodelar, desmontar, os bancos públicos federais. O relatório da Booz, Allen recomenda ao governo a redução das atividades e do papel social da CEF, do Banco do Brasil e outros. Outro passo previsto no relatório, segundo Marcos Silvestre, é a privatização dos bancos federais ou para transformação em agência de fomento, no caso da CEF. A idéia é abrir caminho para os bancos privados.Diante do relatório e da ação que visa a centralização dos serviços de crédito imobiliário da CEF em Campinas, o Sindicato dos Bancários vai contatar, nos próximos dias, os deputados estaduais por Bauru, Carlos Braga (PPB) e Pedro Tobias (PDT), o prefeito Nilson Costa (PPS), os vereadores, associações de bairros e outras entidades. O sindicato quer unificar a ação para manter os serviços da CEF em Bauru. O sindicato também vai realizar manifestação no próximo dia 13 de dezembro, na semana que vem.Questão políticaNa avaliação do Sindicato dos Bancários, a informação de que uma central da CEF poderia ser instalada em Campinas significa não somente a perda de investimento na criação do escritório em Bauru, mas a perda de empregos. A questão está sendo tratada do ponto de vista político. O vice-prefeito eleito, Dudu Ranieri (PFL), disse que foi procurado por dois membros da Caixa Econômica Federal, que informaram que a instituição vai construir dois centros de negócios no País. Um dos escritórios estaria sendo disputado pelo Nordeste. O segundo virá para o Interior do Estado de São Paulo. Segundo as informações dos representantes da CEF, Bauru foi a cidade indicada para receber o escritório pela própria CEF. A informação vazou em Brasília (DF) e outros grupos passaram a pleitear o escritório. A informação passada a Dudu Ranieri era de que o escritório da CEF teria capacidade para gerar 700 novos empregos diretos, além de cerca de 2000 indiretos. Diante da informação, o vice-prefeito eleito avisou Nilson Costa (PPS) da oportunidade e contatou o deputado federal Gilberto Kassab (PFL), membro da executiva nacional do partido. Além de participar do comando do PFL em nível nacional, Kassab está mais próximo do Governo Federal, em função do apoio dado a FHC. Fora isso, a presidência da CEF é indicação política do vice-presidente, Marco Maciel, que também é do PFL.

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