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Na França, de trem

(*) Vera Lúcia Andrade
| Tempo de leitura: 5 min

Chegar até Orleans, a terra de Joana DArc, conhecer Amboise, no Vale do Loire, e Versales, além de Paris, fez parte do sonho realizado. Tudo de trem, porque na França eles são dignos dos nobres.Hospedei-me em albergues da juventude que, ao contrário do que muitos desconfiam, é bastante adequado e você amplia o seu leque de amizades com moças de todo o mundo. Em Pisa, que tem a famosa torre, não mais inclinada, mas literalmente caindo, você degusta a melhor pizza da Itália e bebe o melhor vinho popular. Entre uma viagem e outra, pondero e lamento o fato de, no Brasil, o governo ter acabado com os trens.Indo até o Norte da França, grande parte da viagem rendeu somente com o passe-trem italiano, o único que realmente apresenta alguma vantagem quando você vai a Europa. Vindo de Paris pelos confortáveis TGV da França, chegamos a Nice, passamos por Mônaco e na fronteira com a França o espetáculo muda de imagem e de língua. Súbito, do francês os auto falantes do trem passam para o italiano. Destaque para a estação ferroviária de Mônaco, toda costruída em mámore de Carrara, encravada no interior de uma montanha. Ficar em Nice e curtir Mônaco, a 15 minutos de trem, é mais vantajoso. Já na riviera italiana, encostadinho à francesa, aliás a mesma costa, o grande lance são as Cinque Terre, com destaque para Manarola, local onde você só consegue chegar a pé, subindo até o topo e se deparando com o mediterrâneo.Educação na faixaEm Roma e em todos os lugares visitados, a faixa de pedestre funciona. Assusta um pouco, mas ao atravessar pela primeira vez uma avenida de alta velocidade, o simples ato de pisar na primeira listra da faixa faz com que todos os motoristas parem, seja na velocidade que estiverem. Moral da história é que a falta de educação é coisa do Brasil, embora o nosso FHC insista em defender que somente a sua reeleição vale para mudar tudo isso. Aqui, os habituais brucutus e madames desrespeitam os sinais, avançam na faixa e estacionam nas calçadas que pertencem por direito aos incautos pedestres. Haja terceiro mundo.Ir à Europa sabendo pouco italiano, e nada de francês, é uma aventura. É experimentar os doces encantos do velho continente e conferir ao vivo as imagens e cenas que vimos antes, em tempo e espaço irreais. Mas a primeira vez é assim mesmo. A gente nunca esquece e compara. Na volta ao Brasil, choramos de alegria, de saudade e de tristeza. Hospedagem econômica em lugares inusitadosHospedar-se em monastérios e conventos restaurados (Foligno - Umbria), em bosques renascentistas com obras originais de Michelângelo distribuídas pelo hall de entrada (Florença), em fortalezas e castelos medievais (Finale Liguria e Savona). Estes alguns locais que abrigam Ostellos (albergues da juventude ) da Itália, que nada têm a ver com os albergues daqui. Mas, cuidado. Na Suíça e França muitos deles são estilo misto. Os italianos fazem questão de preservar a moral e os bons costumes: mulher e homem ficam em repartições distintas. Melhor evitar os chamados albergues independentes, aqueles que podem ser reservados direto pela Internet. Outro problema é o banho. Em vários lugares as duchas funcionam de forma econômica: as torneiras suspendem a água sozinhas e você tem que ficar pressionando. Em outros você compra fichas para poder desfrutar de água quente. No geral, as instalações são boas e em todos eles tudo é muito limpo. Má notícia para os notívagos, que não têm vez nos ostellos da Itália: todos fecham à meia-noite e se chegar depois desse horário, dorme na rua. Chegar em Savona, na região de Gênova, é adentrar numa fortaleza construída no ano de 1400 d.c., embrenhar-se por um labirinto de entrada e paredes de pedra, até atingir o topo, onde se localiza um...ostello. Arriscar a subida em 50 metros de escadas com mala e cuia, para hospedar-se num castelo de verdade, em Finale Liguria cansa. Mas vale a pena. Em Foligno, Umbria, próximo aos montes Apeninos, as reformas refletem o terremoto sofrido na região, em 1997. Assis também sofreu percalços com o terremoto. A Catedral de São Franscico foi uma das prejudicadas e, a exemplo de muitas outros prédios históricos da Umbria, apresenta pontos em restauração. No geral, as construções estão aptas e enfrentar o fenômeno, comum na região. Sucumbiram ao último abalo os telhados de edificações e obras de arte elaboradas em paredes de algumas famosas igrejas. ComidaComer bem, de maneira econômica, é na Itália, se bem que a França também oferece pratos e saladas interessantes. Seguir o trivial é melhor, para não cometer desartinos gastronômicos, como pedir aquela coisa gosmenta chamada escargout . Francês adora comer esse bicho. Se complicava, corria ao sanduiche (o Mc), comum em cada estação de trem ou esquina estratégica. Se bem que ouvi uma história estranha, anti imperialismo, que conta que a rede sustenta um animal acéfalo, a exemplo desses filmes trash de ficção, de quem é retirada a carne que abastece os famosos hamburgueres. Uma espécie de monstro do apocalipse. Na França, tortas salgadas sem gosto de nada podem ser compradas no pico da fome. Bom mesmo são os doces franceses, a tentação gastronômica mais apetitosa de Paris.ModaTudo o que está sendo usado no Brasil hoje, a título de moda primavera-verão, já virou carne de vaca, na Europa. Com vitrines repletas do vestuário que vai abafar no outorno/inverno, deu para comprar poucos artigos, que já nem existiam quase nos soldi europeus. Mas deu para ver que as frentes únicas, barrigas de fora, cintinhos brilhantes, calças capri e saias de bico formaram o must do verão italiano e na França, a exemplo das estampas idênticas, que os brasileiros importam da Europa, imprimindo aqui os mesmos motivos, só que em tecidos ruins, quentes e de péssima qualidade. Raciocinando, conclui-se que a moda para o próximo outono/inverno, no Brasil, será a mesma que vi espalhadas pelas centenas de vitrines, de Norte a Sul, na Itália e na França: botas coloridas, de altura variada, em couro de primeira linha, casacos com muita pele sintética e chapéus de modelos e nuances variados. (*)especial para o Turismo

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